04/23 2013

A Quarentena e o Status Atual do Planeta

Pouco se fala hoje em crise planetária. O estudo sobre a humanidade, sobre fatores que influenciam a população global, é tomado como um total integrado dos estudos de cada nação, e suas relações com as demais.

O planeta é um todo funcional, sim. Porém, são necessárias também estudos globais, estudos que não levam em consideração cada país e sua relação com os outros, para promover uma visão mais geral, mais delineadora dessa nossa tão complexa realidade mundial.

Para tal analise global, tal interpretação holística do inter-relacionamento de toda a população global são necessários conceitos que validem as contribuições de tal estudo para a humanidade.

 

Estudar-se-á, então, através dessa difícil mas necessária análise, o conceito da quarentena planetária, ou seja, o estado de isolamento que se encontra nosso planeta de todo um universo administrativo e evolutivo.

Logo, um estudo sobre a quarentena pode em contraste as dificuldades existenciais que realmente são resultados de uma crise planetária, e dificuldades existenciais que são inerentes à realidade material planetária, necessariamente difícil, complexa e injusta por natureza, mas ao mesmo tempo, exímia moldadora de caracteres e fornecedoras de uma sabedoria experimental sem iguais.

Baseado no Livro de Urantia, o estudo não mostrará simplesmente o quanto fomos prejudicados pela rebelião e pela consecutiva quarentena planetária, mas sim tocará, mesmo que superficialmente, o mar de mudanças, diferenças e conseqüências de tal estado planetário modificado e isolado em relação à grande ordem que é o universo local de Nebadon.

Por que pensar que estamos num estado planetário de quarentena?

Muitas pessoas hoje em dia, ao se depararem com seu próprio pensamento com relação ao mundo, as injustiças, as dificuldades, com tantas pessoas consideradas boas sofrendo, enquanto outras consideradas más aparentemente tendo uma tranqüila existência, muitos enfim, ao fazerem essas ponderações se deparam com uma ponderação inevitável: Nosso questionamento da fé. De repente, numa época em nossa vida de seguidas crises, em que estamos fisicamente cansados e sofremos na pele certas injustiças, pode-se passar aos questionamentos: existe mesmo um Deus? Alguma presença soberana pairando por sobre a realidade que podemos captar com nossos sentidos e inteligências? Existiria mesmo um ser supremo?

Sob a luz da razão, nos dispomos quase sempre a exteriorizar pensamentos nobres. Mas não se pode negar que nossas emoções, negativamente influenciadas, afetam nosso modo de pensar de tal forma que passamos a questionar tudo - "de que vale tudo isso?" E quando notamos que senão todos, mas a maioria absoluta passa ou passou por terríveis crises interiores, provocados pelo total descontrole sob suas próprias emoções. Assim, pode-se até passar por nossas cabeças que Deus não existiria, ou pelo menos estaria bem longe daqui.

E se tratando de humanidade, isso não é de se duvidar: Analisemos a ignorância e a violência: A bestialidade humana, as precárias noções de fraternidade que as pessoas desenvolvem entre si nos dias de hoje, faz com que seja muito difícil que “a humanidade como um todo” chegue num nível que cada um seja impelido a efetivamente amar ao próximo.

Recebemos do próximo, dos pais, irmãos, parentes e amigos, sempre um pesado fardo de intolerância para com nossos irmãos no espírito. Isso começa na escola, onde crianças educadas de maneiras diferentes convivem num mesmo ambiente escolar, fato que inegavelmente dá margens para todo tipo de situações traumatizantes (visto que em nossa tenra infância somos mais susceptíveis a ataques de garotos e garotas educadas com menos cargas de amor), criando assim, em muitos casos, caracteres menos sensíveis a tolerância e ao amor, para os quais não foram condicionados em tempos tão importantes como o da educação na tenra idade.

Hoje, em nossa primitiva (de certa forma) sociedade, há casos de irmãos de sangue se odiando, filhos matando pais, pais matando filhos, estupros a crianças, desrespeito para com o próximo em todos os níveis imagináveis.

É certo que amor é realmente algo a se conquistar. Através do auto-conhecimento, de boa educação, da boa "recepção" dessa boa educação, através da criação de códigos morais pessoais, que levam em conta o bem estar das outras pessoas, podemos concluir enfim que mesmo que se parta do ponto mais baixo da bestialidade e da animalidade característica de animais, podemos atingir níveis onde nos separamos dos animais, através de uma evolução generalizada.

E as pessoas em condições inferiores?

Analisemos então esse quadro sob duas ópticas, ou seja, dois tipos de "caracteres" que podem se formar de acordo com a realidade do mundo (mesmo que seja a mais superficial das analises, ela nos servirá de parâmetro):

1. Pessoas que tendo uma boa educação e conseguindo criar padrões de caráter positivo e evoluído, adaptado tornando-se bons cidadãos tanto no reino humano quanto no reino divino. E entenda-se boa educação uma educação baseada no amor, no comprometimento de mãe para filho, na vontade da mãe de ver o filho crescer e se dar bem, e não apenas analisando o aspecto financeiro.

2. Pessoas que não tiveram uma boa educação. Isso abrange desde famílias ricas e espiritualmente ignorantes que tratam os filhos sem o carinho necessário, tornando-os monstros consumistas incapazes de amar ao próximo, quanto também pessoas provenientes das classes baixas, ignorantes de outras gerações, que vão desde mães e pais bandidos que criam desde "monstros" assassinos, até os tão conhecidos estelionatários, vigaristas, "vagabundos", "bêbados indigentes", e toda uma interminável lista de infelizes de toda espécie.

Mas seria essa divisão, que se acabou de expor, absolutamente correta no complexo mundo em que vivemos? Não acontece das consideradas boas pessoas cometerem deslizes terríveis, extremamente prejudiciais? Não constatamos, dia após dia, que as pessoas estão cada vez mais olhando para si mesmas, talvez obcecadas pelo lado materialista da existência?

E é sobre esse ponto que emerge o foco dessa explanação acerca do comportamento do homem. Bons e maus, ricos e pobres, intelectuais e brutos, todos engalfinhados insanamente na luta pela sobrevivência, na luta por seu quinhão, por seu lugar ao sol. Uma assustadoramente grande parcela ignora todo e qualquer aspecto espiritual, de amor e preocupação ao próximo, quando se trata de "ganhar o seu". Isso não seria tão grave, não fosse o fato de que a maioria não o faz por simples questão de sobrevivência, mas impulsionada por um bestial "querer mais", totalmente desconhecido nas fontes elevadas de natureza espiritual.

E são todas essas ponderações que nos dão a impressão que há algo errado nisso tudo. Se admitirmos a existência de alguma divindade, como se acredita, desde a mais fanática religião até pessoas com elevado padrão de verdadeira religiosidade, admitindo que NÃO SOMOS NÓS SERES HUMANOS no controle da natureza, do planeta e do cosmos, facilmente se percebe que há algo errado na vida do homem que foge a sua verdadeira natureza amorosa - não nos esqueçamos: somos filhos do AMOR.

Esse argumento dá, é claro, margem para inúmeras contestações. A condição inicial humana, visto que evoluímos, deve ser mesmo próxima ou igual à de qualquer outro animal, seguindo instintos, apenas lutando pela sobrevivência material. Talvez isso seja normal e desejável de certa forma num mundo material, onde as pessoas precisam desse tipo de experiência.

Nos foi dito, pelo Livro de Urantia, em seu capítulo 3, página 51:

51&5; 3: 5. 6 1. É a coragem - a força do caráter - desejável? Então se deve promover a educação do homem num ambiente que o faça lutar contra as dificuldades e reagir às decepções.

51&6; 3: 5. 7 2. É o altruísmo - o serviço ao próximo - desejável? Então a vivência deve preparar para o encontro de situações de desigualdade social.

51&7; 3: 5. 8 3. É a esperança - a grandeza da confiança - desejável? Então a existência humana deve constantemente se deparar com inseguranças e incertezas periódicas.

51&8; 3: 5. 9 4. É a fé - a afirmação suprema do pensamento humano - desejável? Então a mente do homem deve se encontrar nesse apuro incômodo, em que sempre sabe menos do que pode crer.

51&9; 3: 5. 10 5. É o amor à verdade - e a boa vontade para seguí-la aonde quer que ela leve - desejável? Então o homem deve crescer num mundo onde o erro esteja presente e a falsidade seja sempre possível.

51&10; 3: 5. 11 6. É o idealismo - o conceito que aproxima ao divino - desejável? Então o homem deve lutar num ambiente de bondade e beleza relativas, num ambiente que estimule o irreprimível esforço para alcançar coisas melhores.

51&11; 3: 5. 12 7. É a lealdade - a devoção ao supremo dever - desejável? Então é preciso que o homem prossiga em meio a possibilidades de traição e deserção. A intrepidez da devoção ao dever consiste no perigo implícito de não cumpri-lo.

51&12; 3: 5. 13 8. É a abnegação - a disposição para olvidar a si mesmo - desejável? Então o homem mortal deve viver face a face com o incessante clamor de um eu desejoso de reconhecimentos e honras, do qual não se pode escapar. O homem não poderia escolher, com dinamismo, a vida divina se não houvesse a própria vida à qual renunciar. O homem nunca poderia se aplicar à retidão como salvação se não existisse o mal potencial que, por contraste, exalta e diferencia o bem.

51&13; 3: 5. 14 9. É o prazer - a satisfação da felicidade - desejável? Então o homem deve viver num mundo onde a alternativa da dor e as probabilidades de sofrimento sejam possibilidades vivenciais sempre presentes.

Não restam muitas dúvidas de que crescemos mais em espírito em meio a muitas das adversidades que inicialmente consideramos prejudiciais e dolorosas. É conveniente deixar esse trecho do LU para que se esclareça a linha de raciocínio que pretendo seguir. Não são as dificuldades em si o teor daquilo que considerar-se-á como um indício de um controle planetário incomum, mas sim as tendências errôneas oriundas da incorreta compreensão de tais dificuldades. Dificuldades que moldam o caráter semeiam esperanças e constroem a fé.

Como foi dito acima, cada vez mais o homem vai tomando para si a idéia do "é cada um por si". Cada vez mais o ser humano, inconformado com as tremendas dificuldades da vida, das injustiças e da aparente "passividade" por parte da Divindade ante os infortúnios, vai interpretando errado essas valorosas batalhas da vida. Facilmente vemos em nossos irmãos alguns resultados da má compreensão das batalhas da vida: Alguns se revoltam ante a injustiça, e passam a disseminar injustiça e barbárie entre seus irmãos. Outros entregam seu pensamento religioso, sua fé, nas mãos de igrejas que prometem livra-lo de tão árdua existência através da devoção da mesma. Alguns crêem que suas dificuldades e infortúnios são fruto do castigo do colérico e intolerante Deus do velho testamento. Outros ainda sufocam a religiosidade, atrapalhando lastimavelmente o trabalho de seu Ajustador residente, passando a não acreditar em mais nada, a não mais crer na vida depois da morte. Alguns, diria até que a maioria absoluta se entrega ao desdém. Dizem que são de tal religião, mas pouco ou nada de seus pensamentos e atos são movidos por pensamentos religiosos ou altruístas. Passam a sua existência carnal entretidos em prazeres fúteis, em pensamentos e sonhos materialistas, e propagam aos filhos e a família essa forma de vida universalmente irreal e carente de valores de espirituais, "contribuindo" assim para a perpetuação de tais condutas ao seu próximo.

O silêncio: “a não-atuação” por parte da divindade

Analisemos, por outros ângulos se é coerente acreditarmos que seria um controle planetário fora do normal (leia-se quarentena), diria até ineficiente, que estaria causando os problemas acima citados.

O silêncio. Por que não constam nos nossos livros de história quaisquer indícios ou relatos de outros seres superiores atuando com os homens? Nem anjos, nem extraterrestres, nem querubins? Por que não existem mensagens que se admite oficialmente que vieram de ordens superiores a humana? Por que não há absolutamente nada de inteligência de fora da terra que conste nos anais oficiais da história do ser humano? Por que as igrejas e grupos têm tanto poder nas crenças dos homens? Por que nossa ciência não consegue provas claras de tudo isso? Por que a bíblia, mesmo contendo trechos, capítulos e idéias muitas vezes antiquadas e adaptadas a povos de tempos antigos é tão cultuada e intocável para tantos até os dias de hoje, sendo para os cristãos a única fonte de sabedoria espiritual?

Se analisarmos bem, fora a bíblia, que se considera a "palavra de deus", que outros referenciais em escala planetária temos de registro da vontade divina para com o homem? Muitos dizem: a bíblia nos basta. Ora, uma leitura atenta da bíblia por um ardente buscador da verdade, aquele que quer descobrir Deus, já revela a ineficiência dos textos dito "sagrados" como sendo a única fonte da verdade. A realidade humana é, já em muitos casos, por demais complexa, e os textos sagrados, apesar de conter muita sabedoria, simetria construtiva e elaboração poética em seus textos, são em muitos casos ineficazes para povos e relações dos nossos tempos.

Outras referências de suporte espiritual fora das Escrituras Sagradas

Ninguém duvida que é extremamente difícil se encontrar "referencias vivas" de conduta para nossa vida entre nossos irmãos humanos. Aparecem sim, um em um milhão. Madre Teresa de Calcutá, Gandhi, talvez, e alguns outros.

a. Na Religião

Não resulta fácil a tarefa de listar alguns grupos ativos, políticos, ou mesmo religiões, que possam de uma maneira eficiente nos servir de parâmetro absoluto para nossa conduta diária.

As religiões, que tratam de assuntos divinos e espirituais, freqüentemente lutam entre si pela posse da verdade. Em geral, nos passam um conjunto de normas, cobram tributos e exigem concordância intelectual praticamente irrestrita, algumas até tachando de herege, blasfemo, indigno da salvação divina e passível da "ira do senhor" qualquer um que ateste contra suas "normas”. Em muitas, realizam-se cultos vazios que na maioria dos casos não servem efetivamente para uma "melhora psicológica", para que cada um realmente atinja uma consciência espiritual maior, no sentido de relacionar Deus com todos os aspectos da existência do homem, embora muitos digam o contrário. Muitos dizem que saem de uma missa, por exemplo, se sentindo melhor. Mas muitos não se dão conta de que essa sensação de alívio é em muitos casos uma descarga de consciência, um subterfúgio de uma mente que acredita já "ter cumprido seu papel diante de Deus”, podendo agora o resto da semana se dedicar aos seus assuntos, na garantia da proteção de Deus àqueles que "vão a igreja". Ou simplesmente se sentem felizes por que se a religião prega um deus colérico, mostrar-se submisso é uma forma de se demonstrar que se "está do lado de deus", e cumprindo esse "pacto", sente-se um alívio, que é confundido com o verdadeiro conforto espiritual digno daquele que busca Deus.

Alguns defendem que, ao ouvir as palavras de Deus, as liturgias, os ritos, as palavras bíblicas etc., sentem um reconforto espiritual profundo, e isso não se pode negar. Mas a integração de tantas pessoas em cultos de natureza religioso-dogmática ocorre também pelo fato de que as pessoas (como é facilmente observável) não fazem de Deus parte de sua realidade vivencial. Na verdade, a maioria se lembra d’Ele quando vão pedir, quando vão se lamentar, implorar clemência. Sempre associam Deus a causas materiais, adotando a perigosa postura mental de que o que acontece de errado é castigo de Deus, e o que acontece de certo é recompensa, esquecendo-se completamente de evolução pessoal, progressão intelectual, compreensão cósmica, tolerância para com o próximo e tantos outros aspectos verdadeiramente religiosos.

Embora essa visão pareça polêmica, herege e até incisiva demais, uma mente ansiosa por verdades espirituais, porém sensata e centrada nos fatos e na verdadeira relação com Deus, facilmente percebe que há meios intelectuais bem mais eficientes de se demonstrar respeito a Deus e vontade de conhece-lo e amá-lo do que as habituais "demonstrações" de respeito dadas pelos religiosos "tradicionais": Essas demonstrações fúteis vão desde fazer o sinal da cruz quando passam em frente a uma igreja, até os flagelos pessoais impostos, doação excessiva de dinheiro (cada vez mais procurado, e cada vez mais difícil de se encontrar), promessas a santos, trabalhos e macumbas, e todo um mundo de sandices que lamentavelmente nos deparamos em nosso dia a dia.

Serviços voluntários a necessitados, atitudes positivas diante das dificuldades, palavras de conforto aos que sofrem, exemplo pessoal de conduta (a demonstração de respeito a Deus mais importante que um pai de família deve ter) são exemplos de inúmeras demonstrações de respeito a Deus, que pela simples lógica são mais apreciadas pelas divindades do que os vazios cultos e os credos mecânicos.

b. Na Política

Se por outro lado, buscarmos respostas para nossas inquietudes a outra forma de liderança social e militar humana que é a política, nem precisamos nos esforçar muito para detectar a ineficiência do processo. Políticos despreparados para a função, descomprometidos com o bem estar social, envolvidos em corrupções de toda a espécie usando para si o dinheiro do povo (em muitos casos), nos dão uma noção clara de que a palavra de Deus não está com os líderes sociais humanos. Não é nesse campo que se deve procurar a Deus, definitivamente.

Então nos questionamos: Esse planeta no qual vivemos estaria mesmo numa condição de controle anormal? Estaríamos nós ilhados, isolados dos circuitos celestes que numa condição normal nos dariam respostas e orientações para nossa vida?

A quarentena e o Livro de Urantia

O primeiro grande contato, em séculos, das esferas celestes a esse torturado, mas valente planeta foi o Livro de Urantia. Embora ainda pouco difundido, ele nos dá um conceito que merece de nós uma criteriosa atenção, pois trata do verdadeiro motiva pelo qual a humanidade - não simplesmente o indivíduo - encontra-se tão desencaminhada: O bloqueio com a inteligência celestial exterior - A quarentena!

755§5 67:2. 3 Entretanto, se haviam cortado os circuitos do sistema; Urantia ficou isolada. Todos os grupos de vida celestial no planeta, de repente e sem aviso, se viram ilhados, totalmente incomunicáveis de assessoria e conselhos exteriores.

Em linhas gerais, e espaçados entre longos capítulos, a quarentena é mencionada muitas vezes no Livro de Urantia. Trata-se mesmo de um bloqueio dos circuitos de comunicação com as esferas celestes, bloqueio esse que afetou definitivamente o destino e a história desse planeta. Suas conseqüências, as vantagens advindas desse processo e o retrocesso e o sofrimento igualmente advindos dela, é algo que merece uma atenção e estudos constantes, pois é fundamental para compreendermos muito da historia do homem nesse planeta.

O motivo da quarentena imposta: a rebelião de Lúcifer

Seres e hierarquias, sistemas planetários, constelações e universos. Caminhos ascendentes ao Pai. Grande parte da realidade universal é descrita nas revelações de Urantia.

Descreve também alguns seres e suas funções no controle de todas essas unidades administrativas.

Esse é o foco da análise: os seres-chave da rebelião em relação ao nosso planeta: Lúcifer: o Soberano Sistêmico, Belzebu: ex-chefe das Hostes Mediânicas, e o ex-Príncipe Planetário: Caligastia.

Lúcifer, o soberano sistêmico rebelde

511§1 45:2.1 O executivo em chefe de um sistema local de mundos habitados é um filho Lanonandec primário, o Soberano do Sistema. Em nosso universo local, a estes Soberanos se tem confiado grandes responsabilidades executivas, e prerrogativas pessoais pouco comuns. Nem todos os universos, nem sequer Orvonton, estão organizados de forma a permitir que o Soberano Sistêmico exerça poderes tão excepcionalmente amplos de distinção pessoal na direção dos assuntos do Sistema. Mas em toda história de Nebadon estes executivos independentes exibiram deslealdade apenas três vezes. A rebelião de Lúcifer no sistema de Satania foi a última e a mais extensa de todas.

O trecho nos fala de "poderes excepcionalmente amplos de distinção pessoal na direção dos assuntos do sistema", querendo dizer que os Soberanos Sistêmicos arbitram sobre assuntos vitais que diz respeito a cada um dos bilhões de mortais ascendentes dos planetas a seu comando, de uma maneira excepcional.

Trata-se de seres excepcionais e divinamente dotados e treinados para essa inacreditável função: arbitrar sobre assuntos de uma administração de milhares de planetas com bilhões, trilhões, de vidas. É inútil, até ridículo de nossa parte tentar aprofundar considerações acerca da forma de pensamento desse tipo de criatura, visto que os estudos sobre nossa própria forma de pensar são ainda escassos e confusos.

Entretanto, tomando o cuidado de se ater aos fatos narrados na 5ª revelação, podemos dizer que desse tipo de "poder", dessa liberdade de arbítrio dada a essas fantásticas criaturas, podem surgir problemas com relação à forma com a qual se ira governar um sistema. E o caso é que nesse sistema do qual nosso planeta faz parte, o antigo soberano teve um "acesso de rebeldia" (?) que culminou na expressão de idéias e ações desastrosas e surpreendentes: a negação da obediência ao Soberano do Universo (Miguel) e a tentativa de tomada de poder independente das classes hierárquicas superiores. Esses levantes não são comuns, mas aconteceram em três ocasiões em nosso universo local, segundo o Livro de Urantia:

603§1 53:2.5 É muito difícil dizer a causa ou as causas exatas que finalmente culminaram na rebelião de Lúcifer. Tão somente estamos seguros de uma coisa: Sejam quais forem esses começos, tiveram origem na mente de Lúcifer. Deve haver existido uma vanglória do eu que se alimentou até o ponto do auto-engano, de modo que Lúcifer, durante um período, verdadeiramente se convenceu de que suas idéias rebeldes realmente redundariam no bem do sistema, se não do universo inteiro. Para quando seus planos já lhe haviam levado ao desencanto, sem dúvida estava por demais metido de forma que seu orgulho original e danoso se lhe permitisse deter-se. Em algum momento durante esta experiência ele se tornou não mais sincero, e o mal evolucionou em pecado deliberado e volitivo.Prova disso é a conduta subseqüente desse brilhante executivo. Durante muito tempo se lhe ofereceu a oportunidade de arrepender-se, mas tão somente alguns de seus subordinados aceitaram a misericórdia oferecida. O Fiel dos Dias de Edentia, a pedido dos Pais da Constelação, apresentou pessoalmente o plano de Miguel para a salvação destes rebeldes flagrantes, mas a misericórdia do Filho Criador foi sempre rechaçada com desprezo e desdém cada vez maiores.

Como facilmente se vê, a natureza do desejo de tão singular Soberano não encontrava eco nos devaneios de poder de nossos lideres urantianos, como Julio César, Napoleão ou mesmo Hitler. Lúcifer não lutava por poder ou glória, coisas que tinha de sobra. Ele não queria competir com ninguém, ser melhor governante que os outros de mesma classe, mas teve problemas com a autoridade do universo local e do superuniverso. Simplesmente, Lúcifer tinha outros planos distintos de seu superior (Miguel de Nebadon) para as incontáveis quantidades de seres com vida inteligente e volitiva sob seu comando. Sua ação visava melhoria da qualidade de vida da população sob suas ordens.

Esse fato é de vital importância nessa análise das causas da Rebelião, até para afastar as idéias de "líder das forças do mal", "Mal absoluto" ou "senhor das trevas", visto que sua intenção era não exatamente nobre, porém desprovida do "mal" que se atribui a ele em nosso planeta.

Atribuir nossas mazelas e nossos erros às "forças do mal" demonstra a fraqueza interpretativa tão presente em nossas religiões e pessoas.

O manifesto da liberdade

A causa dos rebeldes foi expressa nas seguintes três idéias:

603§3 53:3. 2 1. 1 A realidade do Pai Universal: Lúcifer alegava que o Pai Universal em realidade não existia, que a gravidade física e a energia espacial eram inerentes ao universo, e que o Pai era um mito inventado pelos Filhos Paradisíacos com o objetivo de manter o governo dos universos em nome do Pai. Negou que a personalidade fosse um dom do Pai Universal. Até sugeriu que os finalizadores estavam em confabulação com os Filhos paradisíacos para impor uma fraude sobre toda a criação, visto que nunca voltavam do Paraíso ou de Havona trazendo uma idéia muito clara da personalidade autentica do Pai, tal como se a diz no Paraíso. Confundiu reverência por ignorância. A acusação era enorme, terrível e blasfema. Foi este ataque secreto contra os finalizadores o que sem duvida influiu sobre os cidadãos ascendentes que estavam em Jerusem para que estes permanecessem firmes e se mantivessem constantes em sua resistência a todas as propostas rebeldes.

603§4 53:3.3 2. O governo universal do Filho Criador: Miguel. Lúcifer sustentava que os sistemas locais deviam ser autônomos. Protestou contra o direito de Miguel, o Filho Criador, a soberania de Nebadon em nome de um "hipotético" Pai Paradisíaco e a exigência de que todas as personalidades reconhecessem sua lealdade a este Pai invisível. Afirmou que o inteiro plano de adoração era um esquema sagaz para agradar aos filhos Paradisíacos. Estava disposto a reconhecer a Miguel como seu Pai Criador, mas não como seu Deus e governante legítimo.

603§5 53:3.4 Atacou com grande amargura o direito dos Anciãos dos Dias - "Estrangeiros" - de interferir nos assuntos dos sistemas e universos locais. Denunciou estes governantes como tiranos e usurpadores. Levou a seus seguidores a crerem que nenhum destes governantes poderia fazer nada para interferir na operação da autonomia completa se os homens e os anjos tivessem o valor de auto afirmar-se e reclamar ousadamente seus direitos.

603§6 53:3.5 Sustentava que se poderia impedir aos executores dos Anciãos dos Dias de atuar nos sistemas locais se os seres nativos se atrevessem a afirmar sua própria independência. Mantinha que a imortalidade era inerente nas personalidades do sistema, que a ressurreição era natural e automática, e que todos os seres viveriam eternamente salvos quando se os impedissem ações arbitrárias e injustas dos ministradores dos Anciãos dos Dias.

604§1 53:3.6 3. O ataque contra o plano universal de capacitação dos mortais ascendentes. Lúcifer sustentava que se levava tempo demais e energia demais no esquema de capacitar de forma completa os mortais ascendentes sobre os princípios da administração do universo, princípios que segundo ele, eram pouco éticos e irracionais. Protestou contra o programa que durava uma inteira idade de preparação dos mortais do espaço para um destino desconhecido e considerou a presença do corpo de finalistas em Jerusem como prova de que estes mortais havia passados idade preparando-se para um destino de pura ficção. Esquivamente considerou que os finalistas haviam encontrado um destino mais glorioso que o de voltar às humildes esferas similares as de sua própria origem. Sugeriu que demasiada disciplina e capacitação prolongada lhes haviam corrompido e que na verdade eram traidores de seus semelhantes mortais, visto que agora cooperava em um esquema de escravização da criação inteira às ficções de um mítico destino eterno para os mortais ascendentes. Advogou que os ascendentes deveriam desfrutar da liberdade da autodeterminação individual. Desafiou e condenou todo o plano de ascensão mortal tal como estava patrocinado pelos Filhos de Deus Paradisíacos e apoiado pelo Espírito Infinito.

Analisado, finalmente, como essa rebelião originaria das classes superiores do sistema chegou até nós humanos peregrinos ascendentes: através dos seres de hierarquia intermediária: Príncipes Planetários.

O príncipe planetário - Caligastia

Em planetas não isolados e que abrigam seres humanos volitivos, se destacam certa categorias de seres, os Príncipes Planetários. Seres superiores, da ordem Lanonandec, recebem uma das mais vitais tarefas na ordem celeste de controle: A soberania das esferas que abrigam a vida humana em seu estágio fundamental: seres humanos materiais - Carne, sangue, tempo e espaço.

Não se estenderá aqui a longa lista de atributos, qualidades e aspectos dessas singulares e vitais personalidades. Apenas atentar-se-á para o fato de que sua liderança é, em ultima análise, o primeiro contato entre as esferas superiores de um universo e sua humanidade que recentemente adquire a condição de seres inteligentes e volitivos. Daí se avalia sua importância.

Sabemos que os Príncipes Planetários criam escolas de educação espiritual, onde os melhores representantes de cada raça humana são chamados a serem treinados e educados nos caminhos da evolução da alma, para que ao retornar ao seio de seu povo natal possa propagar o conhecimento ao seu povo, disseminando essa cultura superior aos quatro cantos do planeta, e garantindo assim a soberania do príncipe e as primeiras noções de percepção cósmica aos povos de todo o planeta. Esse é o plano.

Uma falha proveniente de um ser desses carrega em si, com toda certeza, conseqüências funestas a toda uma humanidade, como se lê nesse trecho do Livro de Urantia:

754§4 67:1.3 Na gestão administrativa de um universo local, nenhum encargo alto se considera mais sagrado do que o que se deposita em um Príncipe Planetário, quem assume a responsabilidade do bem estar e da direção dos mortais evolutivos em um mundo recém habitado. De todas as formas de maldade, nenhuma destrói mais a condição de personalidade que a traição de um encargo e a deslealdade por parte de amigos de confiança.

Vitais para a quarentena se estabelecer nos planetas, os Príncipes Planetários dos planetas tombados pela rebelião de Lúcifer foram responsáveis diretos pelas mudanças das atitudes evolutivas para com as raças humanas.

Aceitando para si as idéias revolucionárias, mas sem dúvida carentes de perspectiva evolucionária mais abrangente em relação ao caminho ascendente para o Paraíso, esses esforços dos príncipes Planetários resultaram finalmente no fracasso da tentativa de acelerar o processo de instrução humana, levando populações planetárias inteiras a um grau de bestialidade que provocou a necessidade de corte dos circuitos normais de comunicação com o universo - o estado de Quarentena.

759§1 67:5.3 O esquema de Caligastia para a reconstrução imediata da sociedade humana de acordo com seus conceitos da liberdade individual e os direitos dos grupos resultou em um veloz e , de certo modo, rotundo fracasso. A sociedade prontamente retornou a seu antigo nível biológico, e retornou ao caminho evolutivo a partir de um ponto muito mais adiantado e de onde se encontrava no princípio do regime de Caligastia; E esse levantamento acabou por deixar o mundo em um estado de suma confusão.

759§3 67:5.5 E ao submergir-se a primeira capital do mundo, essa não abrigava senão a inferiores raças sangik de Urantia, renegados que haviam convertido o templo do Pai a uma capela consagrada a Nog, o Deus falso da luz e do fogo.

Muito da noção que temos sobre hierarquias ou mais precisamente sobre controle social, nos vem através da política, religião da sociedade em geral. (ver comentários anteriores).

Difícil seria imaginar como seria o mundo hoje se, desde o princípio houvesse as escolas superiores como as de Dalamantia, e o séqüito corporal do Príncipe Planetário Caligastia. Sem guerras, sem povos eleitos. Sem distorções da realidade. Sem fanatismo ou desdém. Sem políticos gananciosos, o controle social seria realizado por essas entidades superiores, que evitariam muitas guerras entre povos. E principalmente: sem ateísmos, materialismos e outros "ísmos" prejudiciais em filosofias.

Outras considerações sobre a quarentena

Com algum esforço e muita imaginação, poderemos até visualizar o cenário da Terra há 250.000 anos: Cidades sede, escolas de instrução, supervisão e conselhos de esferas elevadas, progressão contínua da humanidade, etc.

Ficaria difícil imaginar o que seria agora nessa esfera evolucionária que chamamos Terra se tudo houvesse saído como o inicialmente planejado. Viveríamos talvez numa era de harmonia e espiritualidade, entidades celestes se fariam presentes, se mostrariam ao homem, e talvez todos saberíamos nosso papel no grande universo, e saberíamos melhor como nos comportar nessa intensa e dura fase de treinamento na carne e no sangue. Saberíamos talvez nos relacionar melhor com nossas emoções, e assim viver uma vida realmente mais nobre e plena. É claro que muitas de nossas vicissitudes e emoções perturbadoras são tipicamente humanas, e em muitos casos são provocados por coisas corriqueiras como falta de sono, distúrbios alimentares e outras causas físico-químicas típicas de qualquer homem ou mulher. Mas certamente nossos principais problemas como a "belicosidade" entre povos, a intolerância entre homens e mulheres, a cega ambição material, entre outros, não seriam tão grandes.

Para um pensador perspicaz, mesmo que não tenha conhecimento de textos revelatórios como o Livro de Urantia, não resulta difícil perceber que algo errado em algum ponto do passado ocorreu por aqui em proporções planetárias, quer dizer, a toda humanidade. Na verdade, em inúmeros fragmentos de diversas seitas pelo mundo, é citado a "grande rebelião", o "anjo caído", e vários outros capítulos sub-entendidos de nossa história. Até mesmo o conceito de "pecado original", uma das maiores distorções da realidade pregada pelas igrejas cristãs, mostram essa crença ancestral de que algo errado no caminho evolutivo do homem aconteceu.

A bíblia nos fala do pecado original. Mas hoje em dia, livre das fogueiras e das torturas da inquisição religiosa, pode-se facilmente afastar essas idéias infantis de que toda a humanidade paga com seu sofrimento atual o pecado de alguns poucos num remoto e obscuro passado (e o que é mais triste: o bisonho conceito humano de que Jesus Cristo veio na terra morrer na cruz para nos livra dos pecados - subentendendo-se que 1º Deus coloca seu próprio filho para morrer na cruz para "saciar sua sede de vingança", e 2º, que se não fosse isso, nós é teríamos que pagar!)

Mas assim mesmo, vemos aí que desde sempre se acredita que algo grave aconteceu na terra que provocou reações por parte da divindade.

Cada ser humano que busca respostas a suas inquietações pessoais pode fazer a seguinte reflexão: se a natureza nos parece tão perfeita e funcional, se nosso próprio corpo revela um funcionamento tão magistral e divino, com cérebro, músculos e membros funcionando com perfeito controle cujo funcionamento está acima de nosso entendimento, por que exatamente somos acossados por tantos sofrimentos e injustiças? Por que não conseguimos controlar nossas próprias emoções e impulsos? Por que há tantos povos sofrendo a margem de uma sociedade minoritária que se esbalda com tanta fartura, fartura essa que, de acordo com conceitos humanos de justiça, deveria ser mais melhor dividida? Por que entre os que têm muito, há tanto egoísmo? Por que nós mesmos, cada um de nós, sentimos que os outros devem ser bondosos e justos para conosco, se muitas vezes não os somos para com o próximo? Por que, enfim, a natureza se mostra tão mais eficiente que nós, se ambos foram criados por Deus?

Seriam tudo isso fruto dessa rebelião de Lúcifer ou da quarentena? Seriam esses fatos realmente anormais ou prejudiciais de fato, ou seriam essas injustiças citadas apenas etapas evolucionárias normais entre uma raça evolutiva como a nossa?

Formas da manifestação de Deus ao homem: iluministas, humanistas e materialistas

Voltaire, francês erradicado na Inglaterra e o maior de todos os escritores do Iluminismo, era não só contra a igreja e seus dogmas que aprisionam a mente humana, mas também não acreditava que Deus se manifestasse sobrenaturalmente na vida do homem. Para ele, toda representação que Deus fazia de sua onipotência criadora e de sua onipresença era através da natureza, apenas por fenômenos naturais.

Os Iluministas prezavam acima de tudo a razão e a experiência, e diziam ser estas as principais formas de entendimento do mundo.

Em "O Livro das Religiões" (CIA das Letras), dos historiadores bíblicos Victor Hellern, Henry Notaker, e do filosofo Jostein Gaarder , essa teoria iluminista sobre o "Deus natural", se expressa concisamente sobre isso:

"[...] [Voltaire] acreditava que por trás daquele mundo bem-ordenado, que fora descrito por [Isaac] Newton, deveria existir um criador racional. Contudo, não saberíamos nada sobre o criador, já que ele não se revelou ao mundo de maneira sobrenatural, como crêem os cristãos, judeus e muçulmanos. Deus se mostrou ao ser humano apenas por meio da natureza e das leis naturais. Essa noção, muito popular durante o Iluminismo, é chamada de Deísmo. Há um Deus , acreditava Voltaire, porém o dogma religioso e os conceitos de Deus são idéias humanas. A cegueira e a ignorância levam os homens a perseguir e a matar uns aos outros em nome da religião. Igualmente tola é a idéia de que podemos influenciar a Deus e o curso dos acontecimentos mundiais valendo-nos da oração. O mundo é controlado por leis imutáveis."

Talvez com exceção à idéia de que a oração não modificasse um mundo com supostas leis imutáveis, o livro de urantia contém ensinamentos muito parecidos com essas ideias iluministas em sua relação com a religião.

Apesar de que, com relação às orações, possivelmente o escritor Iluminista possa estar se referindo às orações impostas, como ave Maria, ou mesmo o Pai nosso que, orados de uma maneira mecânica, alheia e insensata por muitos, não trás mesmo notáveis benefícios ao indivíduo ou quaisquer transformações na realidade.

Sobre o correto entendimento dos aspectos divinos e religiosos de nossa existência através de nossa razão e experiência o capitulo 100 do Livro de Urantia também é rigorosamente preciso:

1094§7 100:1.5 O terreno essencial para o crescimento religioso pressupõe uma vida progressiva de autorealização, de coordenação das propensões naturais , de exercício e do gozo nas aventuras da razão, da experimentação de sentimentos de satisfação, do funcionamento do estímulo do temor para a atenção e a presença de ânimo, da estimulação à curiosidade e de uma consciência normal da própria pequenez: a humildade. O crescimento também está predicado no descobrimento do eu acompanhado pela autocrítica: a consciência, por que a consciência é em realidade crítica do eu mediante seus próprios hábitos de valor, ideais pessoais.

Ninguém duvida que os pensamentos Humanistas, Materialista, Iluminista, Marxista, etc. foram altamente benéficos para toda a humanidade em muitos aspectos. Talvez esse afastamento dos ideais espirituais em prol da busca de uma compreensão científica sobre a natureza, representa aspectos evolucionários do nível existencial humano, ou simplesmente a necessidade de se afastar dos dogmas que tanto atrapalham a livre razão.

No entanto, quando passamos gradualmente a perceber o crescimento do desejo consumista do homem, da busca incessante pelos prazeres materiais, pela valorização do bem em detrimento com o indivíduo - quando passamos a ver crimes de morte por parte de um individuo motivada pelo roubo de bens materiais, enfim, quando passamos a ver freqüentemente tais baixos (ou inexistentes) níveis morais ou éticos por parte de uma grande parcela da humanidade - vemos o quão prejudicial pode ser a tendência de se apartar das análises científicas os conceitos de religiosidade pessoal, divindade e Deus.

Até que ponto essa separação Deus-Ciência, ou Divindade / Pensamento racional, tão abundantemente efetuada por nossos filósofos e cientistas, é causada pelo isolamento a que somos submetidos?

Como já foi visto, o desenvolvimento de valores profundos no homem exige que esse se defronte, ao menos enquanto vive na condição carnal e espaço-temporal, com toda classe de situações difíceis, problemas a serem resolvidos e conquistas pessoais laboriosas. Conviver com o mal para desenvolver valores reais de justiça, conviver com a mentira diária entre irmãos para desenvolver um amor a verdade.

Entretanto, quando se passa a desconsiderar Deus nas análises mais profundas, até mesmo a duvidar de sua existência, notamos-se nesse procedimento uma ruptura com a realidade cósmica, obviamente provocada por falta de uma percepção cósmica revelatória, ou de uma perspectiva de carreira espiritual. Ora, fácil é a conclusão de que a crença de muitos - que a divindade não exista e que somos frutos da evolução e de processos naturais - não existiria se nosso planeta desfrutasse das tais comunicações com as esferas superiores. Sejam quais forem os métodos ou a tecnologia empregada nessas transmissões as quais somos privados, noticias de outras esferas transmitidas a população mundial com certeza diminuiriam ou mesmo extinguiriam a desviada noção da não existência de Deus:

529§2 46:8.3 Mas antes de muito tempo, a adjudicação de Lúcifer e seus colaboradores restaurará o sistema de Satania à constelação de Norlatiadec, e posteriormente, Urantia e as demais esferas ilhadas serão restabelecidas nos circuitos de Satania, e novamente ditos mundos desfrutarão do privilégio da comunicação interplanetária e da comunhão intersistêmica.

Os verdadeiros danos da quarentena

A Liberdade

As tensões por nós vividas, nessa existência que tão freqüentemente nos colocam nossas ações imperfeitas em contraste com as perfeitas ações da divindade, criam um potencial para o mal e para o bem; Essas tensões também nos colocam em meio a falsidade e a enganação, para que nosso natural amor a verdade crie as noções do certo e do errado, sublimando nossas ações através do livre arbítrio.

As decisões nessas questões através de nossa liberdade nos moldam o caráter e nos dá a consciência moral que tende a nos aproximar do bem e nos afastar do mal.

O livre arbítrio, esse tema tão batido, cujo verdadeiro significado parece estar tão longe de nossos lideres mundiais quanto de nossos lideres religiosos.

Enquanto os religiosos limitam nossa liberdade de escolha, ou seja, nosso livre arbítrio, meramente a questões de pudor, ou relativas aos mandamentos religiosos alguns "chefes de estado" ou representantes quaisquer de nações poderosas de nossa atualidade impõe sua forma de vida, seus conceitos e sua errônea idéia de liberdade a outros povos com menor poderio militar e político, sempre visando a supremacia da economia, e gerando assim os tantos e tão lamentáveis conflitos que pipocam dos meios de comunicação todos os dias:

614§4 54:1.9 Como se atreve a criatura volitiva a interferir nos direitos de seus semelhantes em nome da liberdade pessoal, quando os Governantes Supremos do universo se colocam respeitosamente à margem dessas prerrogativas de vontade e potenciais de personalidade! Nenhum ser tem, no exercício de sua suposta liberdade pessoal, o direito de privar a outro ser dos privilégios da existência outorgados pelos Criadores e devidamente respeitados por todos seus leais colaboradores, subordinados e sujeitos.

Um curioso exemplo desse bestial crime à liberdade alheia pode ser visto no atual conflito EUA x Iraque. Por um lado, um milionário ditador, que dá mostras de fanatismo e até de insanidade, que oprime seu povo pelo poder da autoridade militar e até religiosa (essa imposta pelo sistema religioso muçulmano, que rotula como "profano" tanto a cultura americana quanto qualquer conhecimento ocidental, colocando o povo na estagnação cultural).

Por outro lado, a imposição militar americana, ditada por uma forma de imperialismo que vem envolvendo o mundo todo a décadas. Essa campanha, escusando-se na pretensa intenção de livrar o povo iraquiano e até mundial da ditadura imposta, tenta empurrar a forma americana da "liberdade" ao oriente médio e ao resto do mundo por tabela, através da pior maneira possível de resolver impasses entre nações: a guerra.

E que se diga: ambos os governos se chocam por motivos econômicos, não exatamente pelo bem estar do povo. Então pergunta-se: como fica o povo do Iraque? Quem deu o direito a uns poucos de arbitrarem na forma de vida de um povo inteiro?

E infelizmente, essa realidade não se restringe apenas ao Iraque, e não temos muitas perspectivas de melhoras imediatas nesse triste quadro.

614§5 54:1.10 O homem evolutivo talvez tenha que lutar para suas liberdades materiais contra tiranos e opressores em um mundo de pecado e iniqüidade, ou durante os tempos primitivos, de uma esfera primitiva em evolução, mas isso não ocorre nos mundos moronciais, nem nas esferas do espírito. A guerra é a herança do homem evolutivo primitivo, mas nos mundos de civilização normal em avanço, o combate físico como técnica de ajustar os mal-entendidos raciais tem caído há muito tempo em descrédito.

Seria esse precário equilíbrio entre a consciência da irmandade entre povos e as ações brutais tomadas pela intolerância, uma das grandes conseqüências da quarentena imposta? Segundo o trecho acima, em mundos "de civilização normal", os povos não lutam para acertar os mal-entendidos.

E como estamos tratando agora de conceitos da liberdade, não se pode esquecer da criatura que mais intentou impor seu conceito de liberdade aos demais: Lúcifer, o antigo Soberano Sistêmico. Julgando ser o seu conceito sobre a velocidade da evolução das raças humanas nas esferas sob seu domínio mais apropriado do que o imposto pelos Anciãos dos Dias e por Miguel de Nebadon, insuflou uma rebelião em escala Sistêmica, impondo aos planetas habitados que passassem a evoluir de acordo com seus próprios parâmetros. O resultado, nós conhecemos em nossa própria pele.

A demora temporal para a justiça

Analisando a questão da quarentena, e supondo ter ela a ver simplesmente com o julgamento de Lúcifer (tema não abordado nesse estudo), ou seja, que ela se acabará quando se der o julgamento de Lúcifer, pode-se chegar a uma conclusão precipitada de que está havendo certa demora por parte da divindade em resolver esse problema que não envolve apenas pessoas, cidades e nações, mas sim planetas inteiros.

615§6 54:4.1 Outro problema um tanto difícil de explicar na constelação de Norlatiadec é o das razões que permitiram Lúcifer, Satanás e os príncipes caídos fizessem o mal por tanto tempo até que os prendesse e o julgasse.

616§1 54:4.2 Os pais, aqueles que geraram e criaram seus filhos, são mais capazes de compreender o por que Miguel, um pai Criador, possa demorar tanto para efetuar a prisão e destruição de seus próprios filhos. A parábola do filho pródigo que Jesus narrara ilustra muito bem de que forma um pai amante pode esperar por muito tempo até que o filho desencaminhado se arrependa.

616§2 54:4.3 O fato de que uma criatura que faça o mal possa verdadeiramente escolher fazer o erro - cometer pecado - estabelece livre arbítrio e justifica plenamente a longa demora em se conduzir ao arrependimento e a reabilitação.

Mesmo após a proclamação de independência de Lúcifer, foi permitido a esse que continuasse por um longo período no comando de sua constelação (a nossa) até que lhe tirassem do posto e o prendesse. Esse amor supremo por parte de nosso Criador Local, nosso querido Jesus, em dar máximas chances do pecador se regenerar - é algo de difícil compreensão. Na verdade, uma análise prematura e ingênua poderia apontar para um certo desleixo das autoridades - afinal, o planeta e todo um sistema ficaram sob um domínio pecaminoso, distante da realidade e prejudicial. Esse fato, como se procurou apontar nesse estudo, talvez seja o motivo de tanto atraso cultural e espiritual de tantos e tantos filhos de Deus em nosso planeta, e até de toda uma humanidade cada vez mais carente de realidades espirituais plenas.

Ignorância sobre a vida após a morte e sobre a carreira ascendente

Imaginem como seria viver num mundo onde as pessoas soubessem de suas carreiras espirituais rumo ao Pai? Um lugar onde não se temeria a morte, onde os que ficam não choram a ida dos que terminaram seu serviço na carne?

É de extrema importância nesse estudo avaliar que, num planeta onde transmissões espirituais são feitas para a população, onde se ensinam em escolas sobre a realidade do universo e sobre as hierarquias celestes e nosso dever perante elas, num planeta assim, a população humana é liberada de penosos fardos de falta de consciência cósmica.

A multiplicidade de povos, línguas, religiões, conceitos da realidade, e ao mesmo tempo a falta de consenso entre tantas maneiras de encarar a vida e o mundo, fazem de nossa realidade humana uma experiência extremamente diferenciada.

Sob esse prisma, esperançosas conclusões podem ser feitas com relação ao fim das guerras, unificação populacional, preocupação com a elevação cultural, moral e espiritual etc. Enfim, o "mundo melhor" que todos nós um dia quisemos (ou queremos) construir!

Mas em nossa sofrida atualidade, que tipos de melhoras podemos esperar de um povo tão alheio ao aspecto espiritual da existência? Como esperar que representantes de países poderosos "compartilhem" sua riqueza com os mais pobres, ou que cesse a intolerância racial, se a maioria das pessoas não estão certos em relação a sua origem e destino divinos?

A que distancia está o povo que sente piedade de um ente querido que se vai, como se a existência desse ente tivesse terminado, daqueles povos que comemoram a ida dos seus às realidades espirituais como a uma grande conquista!

623§5 55:2.5 [...]Que bela ocasião quando os mortais se reúnem assim para presenciar a ascensão em chamas espirituais de seus seres queridos! E que contraste com aquelas idades planetárias prévias, nas quais os mortais entregavam seus mortos ao abraço dos elementos terrestres! As cenas de prantos e lamentos, características das épocas mais primitivas da evolução humana são substituídas agora pela felicidade estática e pelo mais sublime entusiasmo, enquanto esses mortais que conhecem a Deus se despedem temporariamente de seus seres queridos, que ao libertar-se de suas vinculações materiais mediante os fogos espirituais de consumidora grandeza e glória ascendente. Nos mundos estabelecidos em luz e vida, os "funerais" são ocasiões de felicidade suprema, satisfação profunda e esperança inexpressável.

Quantas famílias foram destruídas pelas amarga e errônea crença da "perda da vida" por parte de familiares e entes queridos? Que notáveis e maravilhosas melhorias viriam a nossa sofrida humanidade se tais conceitos fossem vigentes!

E que fique claro: Não é a propagação indistinta das revelações de Urantia que porá fim a crenças tão arraigadas.

A tentativa de acelerar o processo natural de tomada de consciência de toda uma população já se mostrou catastrófica, mesmo quando ministrada por Príncipes Planetários e outras ordens superiores, fato que se vê claramente no advento da Rebelião de Lúcifer e suas repercussões em nosso planeta.

629§11 55:5.2 As épocas avançadas de um mundo estabelecido em luz e vida representam o cume do desenvolvimento material evolutivo. Nestes mundos cultos, desapareceram a miséria e as aflições das eras primitivas anteriores. A pobreza e a desigualdade social praticamente foram extintas, a degeneração já não existe, a delinqüência raramente se observa. A loucura e a debilidade mental são muito raras.

É claro que esses planetas, além de não terem sofrido com uma rebelião como o nosso, vem também de uma evolução escalar planetária bem mais antiga, mas a análise de tais planetas nos dá uma perspectiva de como se desenvolve a vida humana uma vez longe dos problemas crônicos provocados por uma história conturbada desde o princípio.

Conclusão

Obviamente, compreender os porquês de nossa existência tem uma importância vital para o nosso progresso pessoal. Uma pessoa que busca valores e significados espirituais, tem uma vida mais plena e bem aproveitada.

Num planeta normal, nos diz o Livro de Urantia em seu documento 52, aparecem no cenário da vida mundial, ao menos sete épocas planetárias, que geralmente se relacionam com a chegada de alguma entidade de apoio ao planeta. Príncipes Planetários, Filhos Magisteriais, e toda uma ordem de seres que respondem a uma realidade universal ainda inacessível para nós.

Entretanto, aconteceu nesse planeta - conhecido "lá fora" como Urantia - algo de suma importância para todo o universo: O Filho Criador, soberano de todo o universo local, escolheu nosso planeta para se efundir, movido por desígnios divinos que sequer podemos suspeitar, para completar sua sétima e ultima efusão e se entronar com as bênçãos divinas e com seu mérito próprio como Soberano do Universo de Nebadon. Difícil é para nós humanos, dotados de uma visão de realidade tão limitada e local, perceber a honra e a glória desse feito.

Não se pode pesar na balança o prejuízo planetário oriundo da quarentena, e as melhorias advindas da efusão de Cristo Miguel em nosso mundo. Entretanto, pode-se considerar os pontos válidos da quarentena e somá-los ao conhecimento Divino vindo da experiência carnal de nosso soberano, produzindo assim melhorias nos níveis mentais nunca antes vista em todo o universo local, o que nos coloca numa posição esperançosa perante as expectativas das entidades superiores.

Por isso, longe de nos lamentarmos por esse aparente "infortúnio", devemos nos sentir abençoados, pois um mundo como esse, igualmente sob a benção de Deus em relação a qualquer outro planeta de Nebadon, mas com o diferencial de que temos, em nossa história, o maior exemplo de fé, coragem e devoção que um homem em todo o universo poderá chegar: o exemplo vivo de Jesus Miguel, soberano, feito homem, para nos passar a mais sublime das mensagens: Somos filhos de um Deus imenso e poderoso que nos espera "de braços abertos " ao fim de nossa longa caminhada para ELE.

Os Melquisedecs também são taxativos ao comentar os benefícios causados pela rebelião, em detrimento com todo o mal que causou:

"Em princípio, a rebelião de Lúcifer pareceu uma calamidade sem precedentes para o sistema e para o universo. Gradualmente começaram a cumular-se os benefícios. Com o passar de vinte cinco mil anos do tempo do sistema (vinte mil anos do tempo de Urantia) os Melquisedecs começara ma ensinar que a bondade resultante da loucura de Lúcifer havia começado a igualar o mal incorrido. O mal ocasionado pela rebelião havia parado de progredir, continuando a aumentar apenas em alguns mundos ilhados, enquanto que as repercussões benéficas continuavam a multiplicar e estender através do universo e do superuniverso, até mesmo até Havona. Os Melquisedec ensinam agora que o bem resultante da rebelião de Satania é mais de mil vezes a soma de todo o mal."

Quando os períodos de maior turbulência naturalmente passarem, quando a mente e o entendimento cósmico do homem atingirem níveis satisfatórios de consciência cósmica, somente aí estaremos como uma humanidade preparada para novas revelações planetárias, para o restabelecimento das comunicações sistêmicas e para a readmissão de todo o sistema na constelação de Norlatiadec, da qual Satania (nosso isolado sistema) faz parte.

Desde nossa notória inabilidade no trato de nossa próprias emoções, nossos problemas sociais relacionados ao descomprometimento para com o próximo, até as formas de governos humanos, como se formaram os países, como viemos a ser como humanidade o que somos hoje, o estudo da quarentena pode nos revelar pontos culminantes e, quem sabe, no conhecimento desse fato, possamos acelerar nosso processo de desenvolvimento, contribuindo assim para a maravilhosa ordem a qual fazermos parte.

E nós que "adiantadamente", fizemos nossa a ampla gama de conhecimentos e revelações dadas pelo LU, temos a obrigação de passar ao próximo o que sabemos, com astúcia, coragem e inteligência, e tentar, com o que resta de nossas vidas, mostrar a bondade e um verdadeiro sentido para essa vida.

 

Este trabalho utiliza citações do Livro de Urantia © 1955 Urantia Foundation
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