REFLEXÕES ACERCA DA SOBREVIVÊNCIA APÓS A MORTE
[por Guy
Antequera]
(Traduzido, extraído e adaptado do original em francês
por Juan Paulo Vega H.)
Introdução
Quem já não questionou acerca do que se passa no momento
de que ocorre a morte física? Pelo que nos indicam as religiões evolucionárias,
a alma humana deve continuar por um dos três caminhos seguintes: o céu para os
justos, o purgatório para os menos justos e o inferno para os maus. Numerosos
escritos, tais como o Livro dos Mortos do Antigo Egito, também mencionam o tema
da vida espiritual da humanidade no outro lado.
O Livro de Urantia nos revela, por um lado, que o inferno
não existe e por outro lado, nos descreve o céu com muitos detalhes, sem sequer
mencionar o hipotético purgatório.
Nos últimos tempos foram agregadas novas publicações (ver
referências) que vêm confirmar o mencionado nos escritos antigos e, ainda que
se poderia pensar que provêm de cérebros perturbados ou iluminados, de todas as
formas, surpreende o fato de que há muitas coincidências com o mencionado no
Livro de Urantia, pelo qual é interessante estudar o tema cuidadosamente.
O objetivo de este artigo é contribuir com o estudo do
fenômeno analisado. Parece-me que é totalmente legítimo fazer-se perguntas e
corroborar a informação existente sobre o tema com o que se menciona no Livro
de Urantia, que é considerado como a referência mais absoluta que possuímos
atualmente.
1008§2 92:4.9 Os escritos de Urantia […] constituem a apresentação mais
recente da verdade aos mortais de Urantia.
1110§4 101:5.1 A revelação é uma técnica mediante a qual são poupadas eras e
eras de tempo no trabalho necessário de seleção e para separar os erros da
evolução das verdades de aquisição espiritual.
Todos passamos por períodos de busca em determinadas
áreas de interesse e penso que este trabalho não terá sido realizado em vão, se
for útil à outra pessoa e ao mesmo tempo, servir-lhe de ponto de partida para
realizar uma pesquisa mais profunda.
Este estudo trará alguma luz às perguntas que nos
fazemos. Satisfaz o intelecto e pretende compensar algumas limitações que a
revelação teve em nosso planeta, pois nem tudo foi revelado, de acordo com o
mencionado em reiteradas ocasiões pelos mesmos reveladores. De acordo com este
fato, pode-se constatar que a revelação de Urantia não é mais do que uma fração
de um plano aplicado a todo o universo local de Nebadon, e que considera, em
particular, a vida de Jesus.
1594§3 141:7.9 Ele tentou transmitir suavemente a estes apóstolos a
verdade de que havia vindo nesta missão de efusão, não para estabelecer um
exemplo a umas poucas criaturas terrestres, mas para estabelecer e demonstrar
um modelo de vida humana para todos os povos de todos os mundos em todo seu
universo.
No entanto, ao pertencer a este sistema de mundos
habitados perturbados, mais ou menos evoluídos ou atrasados espiritualmente por
causa da rebelião de Lúcifer, não nos será impedido de passar através dos
mundos de morada. Esta lei básica de sobrevivência é aplicável a todos os
mortais dos mundos do sistema de Satânia, porque o caminho até o Pai é o mesmo
para todos; fica claro então, a finalidade da revelação: dar a conhecer as leis
gerais. Eis aqui outra idéia interessante:
1007§1 92:4.1 […] estas visitações divinas devem ilustrar ensinamentos
que não estejam demasiado distantes do pensamento e das reações da idade na
qual são apresentados. Por isso a revelação deve sempre se manter em contato
com a evolução, e o faz. A religião da revelação deverá sempre ser limitada
pela capacidade do homem em recebê-la.
Pode-se afirmar então, que a revelação é
concebida de uma forma tal que permita dirigi-la à maioria das pessoas de uma
época determinada. É justamente neste ponto que começam as dúvidas para muitos.
Em efeito, estamos em um planeta anormal, quer dizer, a certa distância das
leis gerais de sobrevivência. É por isto que os seres espirituais tiveram que
prever emendas à esta lei, e é justamente isto o quê o estudo pretende
demonstrar. Também talvez se pensasse que, que dentro de mil anos tudo pudesse
voltar à normalidade e que a grande maioria dos urantianos siga a lei geral.
1008§2 92:4.9 Os escritos de Urantia […] constituem a apresentação mais
recente da verdade aos mortais de Urantia.
A Lei Geral de Sobrevivência e seus Decretos de Aplicação
Para aqueles dedicados ao computador, como eu, devo
mencionar que este trabalho não teria sido possível de preparar sem a
utilização de uma ferramenta maravilhosa, como é o software Folio VIP, que vem
incorporado à versão eletrônica do Livro de Urantia que se é entregue em CD-ROM
ou em disquetes.
Antes de começar esta parte, é necessário realçar que a
edição do livro que a maioria de nós possui, difere ligeiramente da mensagem
original, sobretudo desde o ponto de vista da pontuação. Disto se darão conta
rapidamente, pois se cai em confusões ao se interpretar as frases do livro. De
forma que, para terem uma idéia mais clara disto, proponho-lhes realizar dois
estudos.
Primeiro um estudo com a edição em espanhol do Livro de
Urantia - 1993.
Muitos leitores e estudantes do Livro de Urantia pensam
que vão ressuscitar no primeiro mundo de morada, ao terceiro dia depois de sua
morte, mas este caso está reservado àqueles que possuem um guardião seráfico
pessoal.
1233§6 112:5.10 Quando os mortais mais avançados espiritual e
cosmicamente morrem, procedem imediatamente aos mundos de morada; em geral,
esta disposição se opera para os que tiveram um guardião pessoal seráfico
designado…
Efetivamente, trata-se da repersonalização ao terceiro
dia. Esta é a primeira possibilidade. Mas, o que se passa com os outros seres
humanos? Resposta:
1233§6 112:5.10 […]ou serem designados às filas dos sobreviventes adormecidos que serão repersonalizados em massa ao fim da presente dispensação planetária.
Esta é a técnica do sono e se trata da segunda
possibilidade. Mas, por acaso vocês perceberam que entre estas duas frases, os
reveladores inseriram uma terceira?
1233§6 112:5.10 […] Outros mortais podem ser detidos até o momento em
que se complete uma adjudicação de seus assuntos, depois do qual podem proceder
aos mundos de morada.
E isto é, efetivamente, a terceira possibilidade.
Façamos um resumo no seguinte esquema:
Após a morte:
1.
1. Os humanos mais evoluídos são repersonalizados ao
terceiro dia.
2.
2. Alguns humanos são adormecidos à espera do fim da
dispensação.
3.
3. Outros humanos são detidos (ou mantidos) em algum lugar e
em seguida podem avançar para os mundos de morada.
Não há erros, eis aí as três situações depois da morte.
As explicações a seguir, sem se esquecer que os humanos estão todos mortos.
No primeiro caso, encontram sua identidade ao terceiro
dia. Sobrevivem e sua personalidade é reativada, já que durante três dias sua
personalidade esteve adormecida.
No segundo caso, a morte os coloca em um sono que dura
até o chamado dispensacional. Sua personalidade já não está ativa. Trata-se dos
sobreviventes adormecidos.
No terceiro caso eles estão mortos e não estão
adormecidos, posto que os seres espirituais os julgam a fim de pronunciar um
juízo completo a seu favor: os anjos necessitam de informações suplementares
para fazê-los avançar para os mundos de morada.
Então, no terceiro caso, é obrigatório que a
personalidade humana se encontre ativa de tal forma que possa realizar uma
escolha definitiva. Onde terá lugar a escolha definitiva? Asseguro que isto não
se produzirá nos mundos de morada, porque a personalidade pode se dirigir para
lá mais tarde. Há que se supor que isto ocorre no planeta natal e que a
continuação do período de prova o humano sobrevivente apareceria no terceiro
dia nos mundos de morada, para dar tempo ao Modelador de chegar em Divinington
e regressar para participar na ressurreição nas salas morontiais do primeiro
mundo de morada.
Este primeiro estudo indicou as três possibilidades que
podem sobrevir depois da morte, isso tudo a partir da edição em espanhol de
1993.
Segundo Estudo - Pela Edição original de 1955 entregue
pelos Reveladores.
Em seguida, a nova tradução do parágrafo 6 da página
1233, que respeita o significado de cada palavra e a pontuação que foi ditada
pelos reveladores.
“Quando os mortais mais avançados espiritualmente e cosmicamente morrem, eles se dirigem imediatamente aos mundos de morada; em geral este dispositivo opera para quem teve um guardião seráfico pessoal designado. Os outros mortais podem ser impedidos de partir até completar o juízo de seus assuntos, depois do qual eles podem se dirigir aos mundos de morada ou serem incorporados às filas dos sobreviventes adormecidos que serão repersonalizados em massa ao final da dispensação em curso.”
Surpreendente não é mesmo? O esquema anterior se modifica
e se transforma no seguinte:
Após a morte:
1.
1. Os humanos mais evoluídos ressuscitam ao terceiro dia.
2.
2. Outros humanos são impedidos de partir, os anjos observam
seu comportamento para completar o juízo de seus assuntos, e em seguida:
A.
A. Ou podem se dirigir para os mundos de morada.
B.
B. Ou são incorporados às filas dos sobreviventes
adormecidos.
Creio que este segundo estudo é muito mais claro quanto
ao desenvolvimento da carreira dos humanos para o Paraíso. O significado dos
termos é muito importante, e a pontuação também.
Passemos às explicações como ocorreu anteriormente.
Primeiro caso, a personalidade é adormecida durante 3 dias. Ao terceiro dia são
repersonalizados nos mundos de morada. A personalidade é reativada. Segundo
caso, que é composta de três partes claramente distinguíveis:
·
·
A parte em comum que é um período de prova,
no qual os anjos completam suas observações e dão uma opinião acerca da alma em
evolução, sobre as ações ou intenções do humano, em relação a seu desejo de
prosseguir a carreira para o Paraíso. Trata-se de uma escolha realizada por uma
personalidade, isto é, uma personalidade ativa, um ser humano completo (alma,
identidade, personalidade, modelador) que reage sem seu envoltório carnal e que
não está adormecido, posto que o estarão no caso do 2º. B) acima.
·
·
Conseqüência clara de uma primeira opção:
dirigir-se aos mundos de morada para prosseguir sua carreira. Suponho que
então, a personalidade se encontra adormecida para ressuscitar ao terceiro dia,
de tal forma a dar tempo a que o modelador se dirija a Divinington e voltar ao
primeiro mundo de morada.
·
·
Conseqüência clara de uma segunda opção:
Aquela da espera no sono para prosseguir mais tarde a carreira de ascensão.
Então, a personalidade não está ativa.
É a parte comum que nos deixa alguns problemas. Mas, por
que existe assim? A resposta está nas seguintes palavras: planeta anormal,
maioria dos humanos atrasados espiritualmente. Em efeito, é necessário que a
misericórdia se aplique, e eis aqui a prova:
1233§2 112:5.6 Ainda que os círculos cósmicos do crescimento da
personalidade devam ser alcançados finalmente, se os acidentes do tempo e as dificuldades
da existência material te impedem, sem tua culpa, de lograr estes níveis em teu
planeta nativo, se tuas intenções e desejos são de valor de sobrevivência,
serão emitidos decretos de extensão do período de prova. Ser-te-á permitido
tempo adicional para que sejas provado.
1233§3 112:5.7 Se em algum momento houvesse dúvidas quanto à conveniência de se
avançar uma determinada identidade humana aos mundos de morada, os governos do
universo invariavelmente decidem a favor do interesse pessoal desse indivíduo;
avançam sem hesitação essa alma a um estado de ser transitório, enquanto
continuam suas observações do objetivo morontial nascente e do propósito
espiritual. Assim a justiça divina está certa de ser cumprida e a misericórdia
divina recebe uma oportunidade a mais de estender seu ministério.
Perceberam? Os círculos cósmicos de crescimento da
personalidade devem ser finalmente logrados. Este crescimento não pode ser
logrado sem um veículo completo: o ser humano, o qual, durante um período
suplementar, legalizado por decreto, então de caráter oficial. Uma
personalidade adormecida está inconsciente do tempo que decorre e recordemos
que neste caso se trata de um período de prova. Observemos a passagem no qual,
os reveladores empregam o verbo « prolongam » para indicar ao leitor que a vida
na carne é um começo do período de prova. As próximas linhas dão um testemunho
do alto grau de misericórdia, do qual fazem prova as hostes celestes:
1233§5 112:5.9 Isto não significa que os seres humanos têm que desfrutar de uma segunda oportunidade frente à recusa da primeira, de nenhuma maneira. Mas sim, significa que toda criatura volitiva tem que experimentar a oportunidade autêntica de fazer uma escolha, sem dúvida, autoconsciente e final.
Notem a palavra « autoconsciente » Se me referi
anteriormente à lei geral de sobrevivência em Nebadon, foi por causa da
seguinte frase:
341§1 30:4.4 […] Essas almas sobreviventes devem descansar em um sono inconsciente até o dia do juízo de uma nova época, uma nova dispensação, a chegada de um Filho de Deus para passar a lista à idade e adjudicar o reino, e esta é a prática geral em todo Nebadon.
É a prática geral, mas em Urantia ocorrem algumas
particularidades. Não nos é revelado tudo, leiamos o que vem a seguir:
1233§7 112:5.11 Existem duas dificuldades que estorvam meus esforços para explicar exatamente o que te ocorre na morte, o tu sobrevivente que é distinto do Modelador que parte. Uma destas consiste na impossibilidade de levar a vosso nível de compreensão uma descrição adequada da transação na região fronteiriça dos domínios físico e morontial. A outra ocorre devido às restrições colocadas sobre meu encargo como revelador da verdade pelas autoridades governamentais celestiais de Urantia. Existem muitos detalhes interessantes que eu poderia apresentar, mas não o faço por conselho de vosso supervisores planetários imediatos. Entretanto, dentro dos limites de minha permissão, posso dizer tanto quanto isto…
É interessante notar que as linhas anteriores são ditadas
por um Mensageiro Solitário de Orvonton, ou seja, um ser de passagem em
Urantia. Ele reconhece que o que deve revelar está limitado por nossos
supervisores imediatos, quer dizer os anjos que nos guiam e nos protegem.
Reflitamos um pouco acerca do lugar de desenvolvimento do período de prova.
Este se encontra nos mundos de morada? NÃO, porque os humanos se dirigem pra lá
posteriormente. O Livro de Urantia nos revela algum outro lugar ? Um planeta ?
Não. Então não nos resta mais que nossa Terra e o espaço compreendido entre ela
e os mundos de morada. Mais ainda, isto parece lógico: os novos sobreviventes
não serão desarraigados, impressionados por seu novo meio-ambiente. A resposta
nos é dada por Jesus, o criador de nosso universo local:
1841§5 167:7.6 «Estes anjos também estão muito ocupados com os meios segundo os quais libertem o espírito do homem dos tabernáculos da carne, e escoltar sua alma às mansões do céu. Os anjos são os guias seguros e celestiais da alma do homem durante esse período de tempo desconhecido e indeterminado que se passa entre a morte física e a nova vida nas moradas espirituais.»
Recordemos as palavras mais importantes: «guias
celestiais». Eis aqui a definição da palavra guia: «Pessoa que acompanha para
mostrar o caminho, ex.: o guia da montanha».
Por acaso vocês crêem que um guia possa aconselhar a
alguém inconsciente, adormecido? Não. Então não se pode dirigir se não for uma
alma em evolução, ou seja, perfeitamente consciente, a uma personalidade em
atividade.
A palavra «escoltar» corresponde perfeitamente à outra
função do guia: uma presença permanente ao lado do sobrevivente, mas, por quê
razão? Talvez por causa deste espaço intermediário compreendido entre a Terra e
o primeiro mundo de morada que é vago, impreciso, inexplorado. A leitura de
outros livros nos dará mais pistas a este respeito.
Regressemos ao tema do logro dos círculos psíquicos. Se
vocês lerem com atenção a página 1209, perceberão que esse logro se realiza no
planeta natal. Mesmo assim, a página 1241 (parágrafos 5-1, 5-2 e 5-3) que fala
acerca dos anjos guardiães, dá uma classificação muito precisa das classes de
humanos, classificação esta que pode ser considerada em paralelo com as linhas
anteriores.
Outras Fontes de Informação
Primeiro Escrito
Na igreja cristã, personagens célebres que foram
reconhecidos por sua espiritualidade, tiveram visões deste «espaço»; viram aí
coisas belas e coisas tenebrosas, o qual foi um provável indicador da
existência do Purgatório e do Inferno (ainda que este último não existe, ver
pág. 976 parágrafo 1).
Ao ler a literatura citada na referência, pode-se dizer
que este espaço intermediário é auto-criado pelo pensamento dos humanos que aí
se encontrem, daí viria a necessidade de contar com a presença de um anjo guia,
para quando se visite lugares donde morrem os grandes criminosos e outros
personagens iníquos.
Mas o espaço que nos interessa é justo aquele que se
situa pouco antes da passagem aos mundos de morada. Por quê? Porque se pode corroborar
alguns escritos com o Livro de Urantia.
Os leitores experimentados sabem que «…aqueles que vão
aos mundos de morada não são permitidos a enviar mensagens a seus entes
queridos… (Pág. 1230 último parágrafo). Todo mundo está de acordo com esta disposição
que é uma regra em todos os universos.
Todavia se trata de seres que já estão nos mundos de
morada; a razão é simples, devemos ganhar nossa sobrevivência por nosso
comportamento na carne, com o objetivo de evitar o efeito «São Tomé».
Então, por quê se dão as comunicações entre determinados
humanos e aqueles que nos deixaram? Simplesmente porque aqueles que nos
deixaram não estão nos mundos de morada, mas sim neste espaço intermediário,
pelo qual contam com a autorização para se comunicarem.
Eis aqui um extrato do livro de Jean Prieur «Les
visiteurs de l’autre monde»; trata-se do diálogo entre um anjo e seu protegido.
Este último se comunica com sua esposa que ainda está viva, o anjo sabe que seu
protegido está a ponto de chegar ao portal, pronto para passar ao que nós
chamamos de o primeiro mundo de morada.
O Anjo: […] «Assim como a flor é o gozo das árvores, tu
és o gozo do Criador. Tens a vantagem, ganhaste a morte e adquiriste a vitória.
Vem, vem, pois tudo está pronto. São honrados os convidados à festa divina!
Vem, eis aqui a porta dos céus.[…] Daquele que vença, farei uma coluna no
Templo de meu Deus e ele não sairá mais».
Então há um diálogo entre o anjo e o humano, quem ainda
não quer traspassar o portal, pois quer esperar sua esposa e continuar a
comunicação com ela, pois ele sabe que o diálogo será impossível uma vez que
cruze o portal, isto é, que se encontra o que menciona o Livro de Urantia
«aqueles que vão aos mundos».
Finalmente, o anjo deixa que o humano exerça seu livre arbítrio
e diz: «Deus te estende a mão, estende-lhe a tua. Ele não te tomará pela força.
O amor da Terra não é um pecado: pese às suas taras ela foi santificada pela
encarnação. O amor pelos seres não é uma ofensa para O Amor. Deus quer que haja
amor…»
Notaram a suavidade das palavras do anjo? Tudo está aí: A
Beleza, o livre arbítrio e o amor. Mas quê precisão quando ele se refere ao
Templo de Deus! Templo que encontramos no livro «O centro mesmo de todas as
atividades no primeiro mundo de morada é a sala ressurreicional, o enorme
templo de ensamblagem da personalidade… » (Pág. 533-parágrafo 1).
O anjo não se esquece de reconfortar o humano, precisando
que a Terra fora santificada pela encarnação. O Livro de Urantia também:
«Urantia é o templo sentimental de todo Nebadon; o principal de dez milhões de
mundos habitados, o lar mortal de Cristo Miguel […] » (Pág. 1319, Parágrafo 1).
Segundo Escrito
Sempre no mesmo livro, eis aqui um extrato cuja análise
deixo pra vocês, o anjo fala e diz: «Teu estado mental deve ser o da paz, da
solidão e da oração. E uma consciência o mais aguda possível. Deves estar
consciente do Espírito com o qual está unido. Paz, solidão, oração, lucidez,
supraconsciência. O subconsciente, não havendo explicado absolutamente nada, nos
indicaria que chegou o tempo de deixar de explicar o superior com o inferior. O
inverso seria mais frutífero e original. A causa está em cima, não em baixo.
Todas as causas estão em cima.»
Talvez vocês o notaram, o anjo diz que é necessário se
elevar para tomar consciência do Ser que nos habita, trata-se do Modelador do
Pensamento, confirmado pelo Livro de Urantia: «Se alguém está disposto a
reconhecer uma mente subconsciente teórica como hipótese prática de trabalho em
uma vida intelectual por outra parte unificada, então, para serem constantes,
terá que postular um meio similar e correspondente de atividade intelectual
ascendente como nível supraconsciente, a zona de contato imediato com a
entidade de espírito residente, o Modelador do Pensamento.» (Pág. 1099 –
parágrafo 4). Sem comentários. Sempre no mesmo livro, se é dado uma descrição
de um dos Espíritos Ajudantes da Mente. Diz o anjo: «a causa final é o amor e é
porque Deus é amor que ele nos dá a vida eterna. Confia em tuas intuições, elas
provêm de nossas margens, seguindo uma trajetória de fogo». Vocês
encontraram-no, trata-se do espírito ajudante mental da intuição que circula
pelos canais apropriados: «na experiência mortal, o intelecto humano reside nas
pulsações rítmicas dos espíritos ajudantes da mente e realiza suas decisões
dentro da arena produzida pela participação nos circuitos dentro deste
ministério… » (Pág. 1286, parágrafo 5).
Terceiro Escrito
Talvez vocês tenham lido os livros do Doutor Moody acerca
da «vida depois da vida». Nessas obras, as pessoas que regressam de sua viagem
ao «outro lado», posto que tornam à sua vida normal, descrevem coisas que me
pareciam muito estranhas, mas agora compreendo melhor o que eles viram. Citarei
algumas descrições, nas quais visualizam seres errantes, impassíveis ou
iracundos porque foram perturbados, em resumo, algumas atitudes idênticas
àquelas que tiveram na Terra enquanto estavam vivos.
Que crédito deve-se dar a estes testemunhos? Eu já não
duvido de sua autenticidade (não de todos), eles encerram a verdade e vocês
entenderão por quê. Atenção, recordo-lhes que apenas Lázaro fora ressuscitado
por Jesus, e não haverá nenhum outro ato deste tipo em nosso universo (Pág.
1846, parágrafo 7), pelo qual todas as pessoas que retornaram à vida, não
estavam mortas, mas sim em um estado de catalepsia muito profunda.
Uma pessoa descreve o mundo que teve a ocasião de ver em
seu estado de «morte aparente». Eu a cito a seguir: «Eu estava em um lugar no
qual a luz vinha de todos lados e de nenhum lugar ao mesmo tempo, e não havia
sombras ali». Que foi que ela viu? Os mundos arquitetônicos? Assim o creio, e
eis aqui a razão. Leiamos a descrição que nos é dado acerca destes mundos
arquitetônicos: «Sob tais condições de iluminação, os raios de luz não parecem
provir de um só lugar; eles caem do céu como de uma peneira, emanando em forma
equivalente desde todas as direções do espaço… » (Pág. 520, parágrafo 1).
A sombra é formada se a luz provém de uma única fonte
luminosa, entretanto, nos mundos arquitetônicos, a luz provém da abóbada
celeste por completo e uniformemente, isto é, de igual intensidade, e
conseqüentemente não há sombras aí.
Se lhes citei este último escrito, é para lhes fazer ver
a forma de encontrar correspondências na literatura exterior (fora do Livro de
Urantia). Há verdade afora, é nossa tarefa encontrá-la.
Conclusão
Esta conclusão foi redigida por nosso grupo de trabalho
(Agape, Chile), o qual estuda o livro no campo filosófico, científico e
religioso, há cerca de uns trinta anos. Não percam de vista que as revelações
de Urantia requererão uma revisão em relação a determinados assuntos no próximo
milênio (Página 1009 Parágrafo 3).
Aqueles dentre nós que hajam tomado conhecimento acerca
da necessidade atual de espaços de transição (não confundir com os mundos de
transição) pelas revelações autorizadas desde esses espaços intermediários
situados entre nosso mundo e os mundos de morada, terão discernido que esta
zona psicofísica não é mais do que provisória e responde às necessidades
evolucionárias consideravelmente atrasadas pela rebelião de Lúcifer. Estas
necessidades são inerentes à justiça e à misericórdia divina; não existem além
do que por um tempo. Tornam-se inúteis para uma esfera evolucionária normal em
uma idade avançada.
Este espaço de transição ainda estará aí ao término do
próximo milênio? Não estamos certos disso. E isso explicaria as dificuldades da
revelação no Livro de Urantia acerca deste tema, visto que o livro teria sido
entregue para um milênio.
A missão dos autores deste livro é, principalmente, o de
revelar o Plano Universal e Divino (Verdade-Beleza-Bondade) assim como o de nos
ensinar a ter uma consciência importante da filiação divina e da fraternidade
humana, ao invés de revelar o que não deve ser ou estar. Em conseqüência, este
estudo é apenas secundário para a carreira ao Paraíso: concede um princípio de
resposta a todos os escritos que têm surgido sobre o tema, ora sejam religiosos
ou profanos.
Os livros citados no anexo estão indicados em uma ordem
tal, que sua leitura seja tanto progressiva como lógica, ao mesmo tempo que
ajudam a que não se oponha tanta resistência àquelas mensagens que são
suscetíveis de ferir violentamente as idéias preconcebidas muito ancoradas em
nossos esquemas mentais.
Estas revelações parciais constituem um grupo de
mensagens que deveriam chamar a atenção à maioria dos humanos no presente,
inclusive àqueles que estão convencidos de sua ressurreição no primeiro mundo
de morada, a partir daqui.
De encontro a juízos errôneos e para aqueles que estão
convencidos que o Livro de Urantia contém toda a verdade, a leitura das
mensagens de Rolland de Jouvenel, acerca do espaço de transição, lhes será
revelado que nestes «mundos intermediários» existem seres de uma grandeza
espiritual tal, que os seres aspirantes às esferas morontiais ficariam
confundidos e deslumbrados.
Finalmente, o tomo 3 das mensagens de Rolland é uma opção
quase arbitrária entre os seis volumes do mesmo autor. Estes volumes podem ser
lidos em sua ordem natural de revelação, mas não é necessário que seja assim,
visto que estão constituídos de um conjunto de mensagens, em que a cronologia
não tem nada de absoluto para sua adequada compreensão.
O descobrimento do Livro de Urantia por um buscador da
Verdade, pode passar pelos caminhos da ciência, da filosofia ou o da religião,
junto com um sem número de perguntas. O interesse pelo «outro lado» é um desses
caminhos. Este estudo pode ser útil para interessar a qualquer pessoa de boa
vontade que queira saber mais e, em seguida, se pode propor-lhe a leitura do
Livro de Urantia.
Para terminar, lhes ofereço este conselho: não percam
muito tempo no estudo destes espaços intermediários, não ponham muito interesse
a respeito das verdades contidas no Livro de Urantia. Rezemos por todos os
seres que se encontram aí para que possam progredir na busca da verdade e se
apresentarem algum dia «à mesa do Pai», traspassando o umbral do Reino. Quem
dentre nós não queria encontrar, no curso de sua ascensão, um ente querido que
lhe agradeça ter rezado por ele, de tê-lo ajudado durante sua vida. O reino dos
céus não é uma ordem social, nem tampouco uma ordem econômica; é uma
fraternidade exclusivamente espiritual de indivíduos que conhecem a Deus (Pág.
1088-parágrafo 3). Assim, cumprirão a vontade do Pai: ajudem a seu próximo a
descobrir a Deus e «Quando o homem consagra sua vontade a fazer a vontade do
Pai, quando o homem entrega a Deus tudo o que tem, Deus faz com que esse homem
seja mais do que Ele é». (Pág. 1285-parágrafo 3).
Referências
1. 1.
«
Après a mort » de Camille Flammarion. Ediciones « j’ai lu » No. 311.
2. 2.
« A
mort ouvre sur a vie » de Nevill Randal. Ediciones « j’ai lu » No. A359.
3.
3. « Les visiteurs
dde l’autre monde » de Jean Prieur. Existe
em várias editoras.
4.
4. « Au seuil du royaume » Tomo 3 de Marcelle de Jouvenelle.
Edições Fernand Lanore.
Observação: Todo comentário ou informação complementar
que puder enriquecer este estudo será recebida com agrado por nosso grupo.
Obrigados mil às gerações do futuro.
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