COMO DEIXEI DE CRER NA REENCARNAÇÃO
[por Icon]
(Mensagem postada no Grupo de Estudo Urantia Brasil, em
31/Julho/2003)
Olá
Apesar de todo carinho e respeito que tenho pelo
Espiritismo, religião que me orientou por tantos anos, gostaria de explicar
como ocorreu minha mudança de paradigma através do estudo do Livro de
Urantia, e mostrar como abandonei a crença reencarnacionista. Os
amigos do fórum podem corrigir alguma informação que porventura esteja
incorreta ou imprecisa.
A personalidade é um dote singular, de natureza original,
cuja existência independe da e antecede a efusão da Centelha Divina.
Personalidades podem ser similares, mas nunca idênticas. As pessoas de um
determinado grupo, tipo, ordem ou padrão podem se parecer umas com as outras, e
de fato se parecem, mas elas nunca são idênticas.
A personalidade é essa feição do indivíduo que conhecemos
e que nos torna possível identificar tal indivíduo no futuro, independente da
natureza e do grau de mudança na forma, mente ou estado espiritual. A
personalidade é aquela parte de toda pessoa que nos permite reconhecê-la e
identificá-la de forma positiva como aquela que conhecemos anteriormente, não
importa o quanto tenha mudado em virtude da modificação do veículo de expressão
e manifestação de sua personalidade.
A personalidade das criaturas distingue-se por dois
fenômenos característicos, que se manifestam por si mesmo no comportamento e
reação do mortal: a autoconsciência e, associada à esta, a relativa livre
vontade.
A efusão da personalidade é uma prerrogativa exclusiva do
Pai Universal, a Fonte de Todas as Personalidades. E Ele concede personalidade
a numerosas ordens de seres conforme estes operam nos diversos níveis da
realidade universal.
Da mesma forma, Deus, em sua grandeza, faz contato direto
com o homem mortal e dá uma parte de seu ser infinito, eterno e incompreensível
para viver e morar dentro dele. Esta dádiva Divina, chamada Ajustador de Pensamento (fragmento espiritual
do Pai), é uma fração PRÉ-PESSOAL da essência absoluta de Deus, que habita na
mente do homem, mas que não possui personalidade.
Os Ajustadores não são seres criados; eles são entidades
fragmentadas constituindo a presença real do Infinito Deus dentro do homem. “O
Reino de Deus está dentro de vós”.
Os Ajustadores são divindade não-diluída e não-misturada;
inqualificável e não-atenuada parte da Deidade. Eles vêm de Deus, e até onde
podemos perceber, ELES SÃO DEUS. É
a presença desta Centelha Divina que eternamente realiza a verdade de que Deus
é o Pai do homem.
O espírito interior (o
Ajustador) sendo uma fração absoluta da própria essência perfeita divina, está
virtualmente imune ao erro e completamente livre do pecado (erro consciente e
premeditado). O espírito então busca a personalidade através da sua união
definitiva com o hospedeiro humano; e o homem busca a DIVINDADE e
ETERNIDADE através da sua união com o
espírito. Quando o homem segue a liderança deste espírito interior, que na
prática significa fazer a Vontade de Deus, ele consegue se eternalizar,
alcançar a sobrevivência.
Mas o homem, sendo de natureza
quase que totalmente material e de origem animal, e habitado por uma partícula
divina da mais pura realidade espiritual conhecida no universo, se encontra
numa poderosa tensão: os instintos naturais herdados de sua natureza material e
o impulso, o puxão que o Ajustador exerce a fim de espiritualizar a sua
natureza humana.
Tal situação, esta condição
dual de pertencer à natureza e ainda ser capaz de transcender a natureza, de
ser finito e habitado por uma partícula do infinito, aliado ao fato do nascer
puro e ignorante e possuir livre-arbítrio, ocasiona muita ansiedade e origina o
mal potencial. E é graças à colaboração efetiva com o espírito interior, que o
homem consegue tomar as decisões morais e fazer as escolhas espirituais que
permitam esta união definitiva entre Deus e o homem; entre o Ajustador eterno e pré-pessoal e o homem mortal e
pessoal, se livrando desta condição dual.
Desta eterna fusão deus-homem
surge, então, um novo ser, exclusivo e original, dotado de valores e
significados singulares, um verdadeiro filho do Homem e filho de Deus, único
por toda eternidade.
Porém quando vemos nos jornais
notícias tenebrosas de assassínios, crimes, violência, quando nos deparamos com
a crueldade, a ambição, o orgulho e a vaidade humana, não acrediteis que isso
seja obra do espírito interior. Por ser uma fração absoluta de Deus
compartilhando de toda sua perfeição, sabedoria e amor, o espírito nunca
poderia ser capaz de tais atos horripilantes. Todo este mal é fruto da mente
humana que não obedece a comovente e amorosa liderança da Centelha Divina
interior, e quando o orgulho e arrogância aparecem, então este mal se
transforma em pecado.
Portanto, o preço a pagar pela
vida eterna é a aceitação da filiação divina e do plano de ascensão ao Paraíso;
e inclui aceitar a orientação do divino espírito residente, que representa para
nós a Vontade Divina: amor, serviço e fidelidade.
Fidelidade é a constatação
óbvia que alguém não pode receber tanto (a vida eterna) e não dar nada em
retribuição. Compartilhar é divino. Somente pela preguiça, pelo egoísmo e através do orgulho alguém
pode perder a vida eterna. E quando isso ocorre, então se cumpre que “daquele
que não possui valores de sobrevivência, será tomado até o experimentado
Ajustador que ele agora possui, enquanto para quem deseja a vida eterna, será
dado até toda a experiência que o Ajustador do preguiçoso desertor possuía”.
E desta forma o espírito passa
vida após vida, habitando uma pessoa por vez , até que uma delas resolva se
unir definitivamente com ele. E quando tal fato sucede, o contemplado ganha até
mesmo toda memória e experiência que tenham valores espirituais de sobrevivência
dos antigos hospedeiros, que por algum motivo tenham rejeitado a aventura
eterna. NADA QUE TENHA VALOR NO UNIVERSO É PERDIDO.
Mas é muito raro o mesmo
Ajustador habitar duas pessoas diferentes no mesmo mundo. Tão raro que no nosso
planeta aconteceu apenas uma vez. Logo as supostas memórias de vidas passadas
não são nossas, elas pertenceram, em boa parte dos casos, a pessoas que
rejeitaram a união com o Ajustador.
É importante lembrar que
os Ajustadores não ganham experiência apenas habitando mortais que rejeitaram a
vida eterna; eles também ganham valiosa experiência habitando mortais que não
tem o potencial de fusão com o Ajustador, mas fusionam-se com outras partículas
pré-pessoais: do Filho Eterno ou do Espírito Infinito. Os Ajustadores neste
caso são apenas emprestados temporariamente e melhoram sobremaneira a vida
destas pessoas (até mais do que as nossas), porém não existe possibilidade de
fusão nestes casos.
Para concluir, alguém pode
estar tecnicamente correto quanto ao fato, mas definitivamente errado quanto à
verdade. O espiritismo está correto quanto percebe que espíritos realmente
habitam em pessoas diferentes, mas está errado quando interpreta isso como
reencarnação.
Assim, que fique claro o
seguinte: caso seu espírito “reencarne”, isso sinaliza que você perdeu a vida
eterna, e que outra pessoa, outra personalidade, ficará com tudo que você
desprezou e rejeitou.
Mas não há motivos para
ansiedade, quem deseja de todo coração a sobrevivência eterna sempre acaba por
consegui-la, e a vasta maioria dos mortais acaba por sobreviver, mesmo que
ainda possuam muitas imperfeições. O único perigo que pode comprometer
perigosamente a eterna aventura é o orgulho arrogante. Muito egoísmo também é
potencialmente suicida.
Finalmente então fica
explicado como um espírita que fui, pude deixar de crer em reencarnação.
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