[por Mário Casassus]
(Em resposta à pergunta de um leitor chamado David,
sobre se a igreja Católica sabia da existência do Livro de Urantia.)
Muitos de nós temos sentido exatamente a mesma
inquietação. Uma das primeiras coisas que fiz foi visitar a página do Vaticano
e usar seu motor de busca para ver se em seus arquivos havia algo a respeito do
Livro de Urantia, mas como era (talvez) de se esperar, não há absolutamente
nada, tampouco há algo sobre nomes e palavras do Livro.
Mais adiante, averigüei com o pessoal da Fundação Urantia
diretamente, se eles tinham alguma informação a respeito e me disseram que não
se tinha notícia sobre nenhuma posição da Igreja ou do Papa acerca do Livro,
ainda que a Fundação tinha informação de que muitos leitores em diversos
momentos haviam enviado o LU ao Vaticano e que portanto o Vaticano ao menos o
conhecia.
Por outra parte, ultimamente, parece-me que a primeira
vez foi no final de 1998, o Papa João Paulo II, em um discurso na Praça de São
Pedro, pediu aos fiéis congregados algo tipo "...fazer um esforço por
avançar na busca permanente da VERDADE, da BELEZA e da BONDADE ...",
desculpem-me mas não recordo a frase exata, mas deve estar escrita em alguma
parte, se é que todas as homilias e discursos do Papa são guardadas. Há pelo
menos dois aspectos "suspeitosos" (no sentido de um possível
conhecimento do LU) nessa seqüência conceitual utilizada pelo Papa, uma vez que
desde já, essa seqüência VERDADE, BELEZA e BONDADE só é encontrada assim no
Livro de Urantia e não corresponde ao discurso tradicional da Igreja Católica,
e, em segundo lugar, embora a Igreja Católica sempre tenha propugnado a busca
da BONDADE e da VERDADE em seu discurso pelo menos, não tem sido
tradicionalmente o caso que a busca da BELEZA seja colocada na mesma categoria,
e mais ainda, em muitos casos e momentos a busca da BELEZA tem sido
especialmente criticada por ela como um valor importante. O uso pelo Papa dessa
seqüência implica ao menos numa mudança de atitude da Igreja que tende a
coincidir com o LU pelo menos nisso.
Seguindo com o tema, sei de vários sacerdotes,
ex-sacerdotes, monjas e ex-monjas, católicos em distintos países (México,
Colômbia, Argentina e Chile), que leram o Livro de URANTIA e em vários desses
casos continuam lendo regularmente. Não creio que se trate de um fenômeno
massivo, mas é um fato que há muitas pessoas dentro da Igreja que o lêem e o
conhecem.
No grupo de estudo ao qual pertenço, sem ir mais longe,
há duas ex-monjas de longa trajetória como monjas (uma delas chegou a ser a
Madre Superiora de sua Congregação num momento dado) pelo quê tenho uma
vivência bem próxima com respeito a este tema e considero que tive muita sorte
de poder participar de um grupo de leitores do LU com estas características.
Em várias ocasiões temos discutido justamente a
inquietação que tu suscitas, o que acontece e o que poderia ocorrer futuramente
com a Igreja a respeito do Livro de Urantia? Nossas conclusões (seja qual for o
valor que possam ter) foram mais ou menos as seguintes:
1. A Igreja Católica conhece o LU por distintas vias,
talvez desde as primeiras edições em inglês.
2. Ainda que existissem setores dentro da hierarquia da
Igreja que creiam e o apóiem, a Igreja como instituição não pode aparecer um
dia dizendo que muito do que se é conhecido sobre ela já não é mais pertinente,
visto que o LU diz que não deveriam existir sacerdotes, apenas mencionando
alguns dos temas espinhosos. Quer dizer, só este anúncio, caso fosse feito,
criaria um caos gigantesco, já que o crente em geral que se sente católico não
está preparado para que cheguem um dia de repente dizendo que na realidade há muitos
erros na Bíblia, que não são necessários sacerdotes, que não é necessária a
Instituição da Igreja tal como se conhece, nem Bispos, nem Cardeais, e
inclusive não são necessários os Papas. Esta verdade, é ainda demasiado forte
para ser escutada a nível massivo, menos ainda se fosse a mesma Igreja que a
proclamasse —mesmo que fosse com as melhores intenções. Nem sequer se estaria
respeitando os sábios conselhos do próprio LU, que diz, que as mudanças devem
ser graduais. O mais provável é que um anúncio assim seria muito mais
destrutivo do que construtivo. Jesus mesmo podia ter feito algo parecido quando
falou nas sinagogas judaicas, entretanto não o fez, e resgatou o melhor que
podia da tradição judaica, dando simplesmente muito maior ênfase em todos os aspectos
que realçavam a mensagem e a Verdade que ele nos trazia.
3. Se a hierarquia da Igreja agora ou mais adiante,
deseja apoiar a difusão dos ensinamentos do Livro de URANTIA, deverá fazê-lo
considerando todo o antedito, de modo a ir preparando suave e gradualmente a
todas as pessoas que se sentem católicas, às verdades que são reveladas no LU.
4. Cremos que um processo com estas características seja
necessariamente lento caso não se deseje cair em contradição com o objetivo
buscado.
5. Também pensamos que é talvez justamente a atitude mais
sábia, que a Igreja mantenha uma atitude de silêncio e não se pronuncie em
nenhum sentido oficialmente a respeito do Livro.
6. Igualmente nos parece que seria um erro que nós como
leitores e crentes na mensagem revelada no Livro, tentássemos forçar um
pronunciamento da Igreja em torno do Livro.
7. Achamos também, que um fenômeno parecido pode se
produzir ou deve estar se produzindo a respeito de outras Igrejas, religiões e
crenças, e que é muito importante que as pessoas que somos leitores do Livro de
Urantia e cremos em seus ensinamentos não caiamos em nenhum tipo de sectarismo,
dogmatismo, ou qualquer outro 'ismo' desta índole, se não o inverso, logremos
ir cada vez mais transmitindo em nosso entorno um ambiente de tolerância,
fraternidade e abertura para com os demais.
Como corolário poderia agregar, que uma das coisas que me
maravilharam dos fenômenos que nosso querido Livro produz, foi o de constatar
uma busca comum e fraterna com pessoas das mais diversas origens, religiões e
crenças (católicos, judeus, mações, metodistas, adventistas, muçulmanos,
ortodoxos).
Saudações fraternais a todos
Mario Casassus
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