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Reconhecemos o vazio espiritual de nossas
vidas e admitimos nossa impotência através de nossa própria força para corrigir
nossas falhas pessoais.
O que temos não é suficiente; se fosse,
nunca aspiraríamos algo. A alma tem uma fome intrínseca que as coisas materiais
não podem saciar e que sabe-se incompleta à parte de Deus. A variedade
multiforme e as obrigações imaginárias da vida oferecem distração contínua, e
freqüentemente a tragédia em solidão nos trazem face a face às mais profundas
necessidades de nossa alma, impelindo-nos à procura de ajuda mais além.
Filosofias, vantagens, emoções, ambições e
vaidades constrangem nossas mentes, todas clamando serem ouvidas, todas dizendo: Eu sou o que você realmente necessita, mas cujo sabor, depois de
provadas, é pouco expressivo. Intimamente, sabemos do que precisamos - de Quem
precisamos - pois quando diminui o constrangimento, o eu interior grita: Isso é tudo? E deitamos sozinhos à noite, ponderando. O
reconhecimento e os tesouros do mundo te acenaram mas, para que? A pretensão
vazia de respeitabilidade de seda de nossas máscaras públicas do eu são um
buraco insondado de medos maníacos e concupiscências semi-destruídas,
escassamente cobertas sob o gramado cuidadosamente tratado, de nossas mansões
com fachada de colunatas.
Aflitos, desafortunados, angustiados ou
atribulados, a insuficiência obviamente nos impele a olhar mais além de nós
mesmos em busca de força. Mas por que não evitar o sofrimento, armazenando
provisões antes da chegada das tempestades de inverno, quando o gelo bloqueia o
porto e a busca é difícil? Por que não encher nossas despensas com provisões de
subsistência, que igualmente necessitamos agora?
Quem não esteve prisioneiro de sua própria
rabugice? Quem nunca se sentiu marchando à força, de passos travados, descendo
por caminhos inóspitos, dirigido por incontinências obscuras, temendo terminar
onde detesta? A fenda das furnas proibidas — o menor passo em falso nos leva
carreira abaixo, de encontro às suas paredes dilacerantes. Mas poucos procuram
ajuda até que estejam convencidos de que não conseguirão atingir o porto sob a
força de sua própria embarcação, com os pés na ponte de comando e as mãos no
leme. Com muita freqüência, primeiramente naufragamos, arrebatados pelo frio
cortante enquanto nosso navio de sonhos vai a pique sob as águas insensíveis.
É natural querermos que todas as nossas
expectativas pessoais e sonhos sejam satisfeitos, mas tal pode não acontecer.
Uma embarcação com milhares de almirantes, cada qual com seu plano em separado,
maltrata a si própria e perde a guerra. O melhor é que haja na direção Alguém
que conheça nossos rumos melhor que nós próprios, e em quem finalmente
encontraremos nosso bem supremo. Porém, enquanto nossas metas pessoais imperam
supremas, e nossos próprios métodos parecem suficientes, não somos impelidos a
procurar a vontade de Deus. A vida deve, então, nos ensinar as lições que nos
recusamos a aprender por vontade própria.
O caminho espiritual começa quando
procuramos primeiramente o sentido da vida e nosso lugar nela. Deus anela por
fazer-se conhecido para nós, mas não se intromete se não for convidado; é
necessário que nos cansemos do vazio. Se as circunstâncias forem muito
confortáveis, talvez apenas a tragédia possa nos livrar e nos fazer sentir
incomodados com as coisas como elas estão, e nos ajudar a reconhecer de quão
pouco somos capazes, por nós próprios, de avaliar nosso mundo.
Referências do Livro de Urantia:
O Pai não se oculta espiritualmente, mas
muitas de suas criaturas ocultaram-se nas brumas da obstinação de suas próprias
decisões e, pelo momento, separaram-se da comunhão com seu espírito e com o
espírito de seu Filho, mediante a escolha de seus próprios caminhos de
perversão e o auto-consentimento com a arrogância de suas mentes intolerantes e
suas naturezas não-espirituais. 5:1.10
As chaves do reino do céu são:
sinceridade, mais sinceridade, e mais sinceridade. Todos os homens possuem
estas chaves. Os homens as usam — avançam em estado espiritual — pelas decisões,
mais decisões e por mais decisões. 39:4.14
O crescimento espiritual é, em primeiro
lugar, o despertar das necessidades e, em seguida, o discernimento dos
conteúdos e o descobrimento dos valores. 100:2.1-2
Este homem, Ganid, não estava sedento
de verdade. Não estava insatisfeito consigo mesmo. Não estava pronto para pedir
ajuda, os olhos de sua mente não estavam abertos para receber a luz para a
alma. Este homem não estava maduro para a colheita da salvação; há que dar-lhe
mais tempo para que as provas e dificuldades da vida o preparem para receber
sabedoria e conhecimento superior. 132:7.2
Somente os que se sentem pobres de espírito
têm sede de retitude. Somente os humildes buscam a fortaleza divina e anelam o
poder espiritual. 140:5.8
[Jó] ascendeu às alturas espirituais
nas quais podia dizer com sinceridade: "eu me aborreço"; e então lhe
foi dispensada a salvação por uma visão de Deus. 148:6.3
Nunca hesite em admitir o fracasso. Não
faça nenhuma tentativa de esconder o fracasso sob sorrisos ilusórios e otimismo
radiante. Sempre cai bem alegar sucesso, mas os resultados finais são sempre
assustadores. Tal técnica leva diretamente à criação de um mundo de irrealidade
e ao impacto inevitável da desilusão definitiva.
O sucesso pode gerar coragem e promover
confiança, mas a sabedoria vem somente através das experiências de adaptação
aos resultados do fracasso desse alguém. Os homens que preferem ilusões
otimistas à realidade jamais poderão se tornar sábios. Somente aqueles que
encaram e se adaptam aos ideais podem alcançar a sabedoria... As almas tímidas,
que apenas conseguem manter a luta da vida por meio de contínuas falsas ilusões
de sucesso, estão destinadas a sofrer o fracasso e a experimentar frustração
quando finalmente despertarem do mundo de sonhos de suas próprias imaginações.
160:4.7-8
O que vos digo está bem ilustrado por dois
homens que foram orar no templo, um fariseu e outro publicano. O fariseu esteva
em pé e orou para si mesmo: "Deus dou graças porque não sou como os
demais homens, que são extorsivos, ignorantes, injustos, adúlteros ou ainda
como este publicano. Eu jejuo duas vezes por semana; dou dízimos de tudo o que
ganho". Mas o publicano, parado à distância, nem sequer se atreveu a
levantar os olhos ao céu mas sim, batendo no peito, disse: "Deus, tem
compaixão deste pecador". 167:5.1
Os homens e mulheres egoístas francamente
não querem pagar este preço, nem mesmo para conseguir o maior tesouro
espiritual jamais oferecido ao homem mortal. Somente quando o homem houver se
desiludido suficientemente das tristezas e desencantos que acompanham a busca
insensata e enganosa do egoísmo, e houver descoberto posteriormente a
esterilidade da religião formalizada, estará disposto a se voltar de todo o
coração ao evangelho do reino, a religião de Jesus de Nazaré. 195:9.7
Viemos para acreditar em Deus, e isso a fim
de que ele habite em nós como Pai espiritual e amigo amoroso.
Sem Deus no céu, nem a terra nem o que nela
vive possuem significação alguma. Mas, onde ele está para que possamos
acreditar nele? Onde estava tu, Pai, todos estes anos de desconhecimento,
quando o procurávamos mas não o encontrávamos? Estavam nossos corações por
demais viscosos com as futilidades da vida que falhamos na procura séria?
Esperastes até que nossas dúvidas se esvaziassem, até que a turbulência de
nossos pensamentos centrados em nós mesmos se acalmasse para revelar o lugar
onde sempre estivestes?
Encontramos a ti em nossos corações, desde
que em ti acreditemos e a ti amemos. Tu flutuas acima das nuvens; conheces
nossos modos e o porquê, e anelas por conversar conosco, vossos filhos.
Sentimos tua presença ao nosso lado ao caminharmos na trilha da montanha porém,
conhecer-te verdadeiramente, apenas no silêncio de nossas almas.
É possível que nosso momento de ter travado
conhecimento contigo tenha sido como um relâmpago caindo sobre o carvalho
solitário numa colina batida pelo vento, ou pode ter brotado aos poucos, como a
névoa emanada de um lago montanhoso. Deus falou a Paulo através da luz e da
cegueira; a outros, tão suave quanto as últimas folhas do outono caem na neve
recém-chegada. A presença de Deus está no ar que respiramos e em cada raio
refletido das estrelas mas, até que o encontremos em nossas almas, os
mensageiros da natureza nos trazem minguados significados.
O Deus dos universos vive em glória
inescrutável mas seu segundo lar é no coração do humilde. Até que o conheçamos,
o Pai mora onde a escuridão cobre o inconsciente, desapercebido como o vôo das
pombas sobre um campo abandonado. Mas, contempla! Sua presença — na sombra de
nossa chegada, atrás da porta, longe das confusões da vida, disponível todo o
tempo, em todo lugar, aos que o procuram. Na mente calma, atenta, sentimos seu
espírito, que sempre labora por amor. Seus braços nos protegem contra os
terrores da noite, e seus lábios tocam nossas faces com um beijo matinal. Sua
canção de amor vagueia com o sol da manhã e nos saúda pelo dia que se aproxima.
Crer em Deus abre caminhos de fé através
dos quais verte a energia universal para curar nossas emoções, reacender nossas
esperanças e alimentar nossas almas. A força do mais além penetra em nossas
vidas : exuberante, força transbordante onde dantes somente suspeitávamos
vagamente. As nuanças da vida registram então nova textura, brilho e sentido
como os modelos de propósito eterno revelam a si mesmos na trivialidade.
Eventos que anteriormente desmoronavam-se como clamores ao acaso, a perspectiva
agora sugere a intercessão coordenada de uma mão amorosa de Pai. Estamos aprendendo
a agir de acordo com nossas crenças espirituais e a apreciar fazer o que é
correto e, quando o fazemos, a verdade é revelada e vemos a face de Deus.
Dentro de nossos corações aumenta a
convicção de que Deus tem uma tarefa para nós, algo importante, um papel único
no drama universal o qual elevará espiritualmente todo coração exausto na
imensa criação. Anelamos por estar nesta tarefa, por ouvir e por atender aos
alvitres do Diretor Supremo. Conhecemos nossos defeitos soberbos tão bem quanto
a letargia, mas também sabemos Quem é o Todo-Poderoso cuja grandeza absorve
todas as nossas carências. Criador, faça com que respondamos à sua direção
benevolente.
Referências do Livro de Urantia:
O amor do Pai distingue de forma absoluta
cada ser pessoal como filho único do Pai Universal, uma filho ímpar no
infinito, uma criatura de vontade, insubstituível em toda a eternidade. O amor
do Pai glorifica a cada filho de Deus, iluminando a cada membro da família
celestial, perfilando nitidamente a natureza singular de cada ser pessoal
frente aos níveis impessoais que se encontram fora da via fraterna do Pai de
todos. 12:7.9
Mas não podeis estar tão absolutamente
seguros da realidade de outro ser como podeis estar da realidade da presença de
Deus que vive dentro de vós. 16:9.4
Assim pois, pode-se observar que os anseios
religiosos e os impulsos espirituais não são de natureza tal que meramente
conduzam os homens a querer crer em Deus, pelo contrário, são de uma natureza e
poder tais que os homens estão profundamente marcados pela convicção de que
devem crer em Deus. O sentido de dever evolutivo e as obrigações conseqüentes à
iluminação da revelação produzem uma impressão tão profunda sobre a natureza
moral do homem que este chega por fim à situação da mente e à atitude da alma
na qual conclui que não tem o direito de não crer em Deus. A sabedoria mais
elevada e supra-filosófica de tal indivíduo disciplinado e esclarecido o
elucida, em último termo, que duvidar de Deus ou desconfiar de sua bondade
equivaleria a falsear a coisa mais real e profunda dentro da mente e da alma
humana: o Modelador divino. 101:1.7
Deus é tão real e absoluto que não se pode
oferecer sinais materiais de prova nem demonstrações dos assim chamados
milagres como testemunho de sua realidade. Sempre o conheceremos porque nele
confiamos, e nossa crença nele embasa-se totalmente em nossa participação
pessoal nas manifestações divinas de sua realidade infinita.
O residente Modelador do Pensamento
infalivelmente estimula na alma do homem uma autêntica sede de perfeição
juntamente com uma imensa curiosidade que pode ser adequadamente satisfeita tão
somente pela comunhão com Deus, a fonte divina deste Modelador. A alma sedenta
do homem se nega a satisfazer-se com algo que seja menos que a realização
pessoal do Deus vivo. 102:1.5-6
De Deus, a mais inevitável de todas as
presenças, o mais real de todos os fatos, a mais viva de todas as verdades, o
mais amoroso de todos os amigos e o mais divino de todos os valores, temos o
direito de estar mais certos que de qualquer outra vivência no universo.
102:7.10
Muito freqüentemente, os homens olvidam que
Deus é a maior experiência na existência humana. Outras experiências estão
limitadas em sua natureza e conteúdo, mas a experiência de Deus não tem
limites, exceto os da capacidade de compreensão da criatura e esta mesma
experiência é, em si própria, ampliadora da capacidade. Quando os homens buscam
a Deus, estão procurando por tudo. Quando encontram a Deus, encontram tudo.
117:6.9
Durante a permanência em Amatus, Jesus passou
muito tempo com os apóstolos, instruindo-os sobre o novo conceito de Deus;
muitas vezes lhes repetia que Deus é um Pai e não um contador supremo,
fundamentalmente ocupado em assentar nos livros os pecados e o mal de seus
filhos extraviados na terra, computando suas maldades para, na seqüência,
usá-las contra eles no julgamento, como Juiz justo de toda a criação. 141:4.1
"E tu Tomé, que disseste que não
crerias a menos que me visses e pusesses o dedo nas chagas dos cravos em minhas
mãos, agora me contemplastes e escutastes minhas palavras; e ainda que não
vejas chagas de cravos em minhas mãos, posto que ressuscitei numa forma que tu
também terás quando te fores deste mundo, que dirás a teus irmãos? Reconhecerás
a verdade , já que em teu coração começastes a crer mesmo quando tão
resolutamente afirmaste tua descrença. Tuas dúvidas, Tomé, sempre insistem de
maneira mais obstinada no momento exato em que estão por se esvaecer. Tomé,
rogo-te que não sejas incrédulo mas sim crente e eu sei que tu crerás, e ainda
com todo o teu coração." 191:5.4
Reconhecemos que não podemos produzir
reações espirituais à vida na ausência do poder divino, tendo em vista que
todas as qualidades espirituais são dons de Deus que não podemos adquirir mas
que podemos aceitar livremente.
A graça de Deus pode ser comparada com o
vento que sopra onde quer mas cuja fonte não é segredo. Todas as boas coisas
descendem do Pai de misericórdia e, até que nos apercebamos disto, lutamos
contra a vida com espada curta e capacete batido. Não podemos alcançar metas
espirituais através do desamparado poder humano — Deus sozinho nos leva consigo
além de nossas limitações para a auto-realização. Encontramos plenitude no
relacionamento, e Deus encontra outro filho, quando aceitamos o espírito divino
que nos foi dado para morar em nossas mentes.
A graça de Deus é o depósito de nossas
possibilidades, do qual despontam os dons e os talentos que excedem nossas
capacidades humanas. Seu bálsamo curativo supera nossos obstáculos mentais,
emocionais e espirituais; seu poder que remove montanhas abre novos caminhos de
realização na selva confusa de nossas vidas.
Através da graça encontramos a Fonte de
vida; através da graça, somos encorajados ao alcance; através da graça, aprendemos
a amar. A graça nos convence de que uma Deidade onisciente e toda-poderosa tem
assumido a responsabilidade do nosso bem-estar, a segurança daqueles que amamos
e o sucesso das tarefas que empreendemos com fé. Deus possibilita que nossas
ações com fé sejam inabaláveis e resolutas, afiançadas como o são pela
confiança em sua soberania. Em nossa capacidade humana somos fracos,
hesitantes, temerosos, penosamente cônscios de como é frágil e incompleto nosso
lamentável estoque de coragem e sabedoria, mas a graça nos tem dado o poder de
seguir adiante, agentes de um Ser com poder ilimitado para agir em nós e
através de nós. O Pai guia nossos passos e mesmo que não compreendamos bem seus
objetivos — posto que o fazemos pela fé — ele adapta os erros parciais em
experiências que aproveitam tudo.
Nossas novas direções espirituais são
infalivelmente consistentes com o que, no fundo de nós, sempre soubemos que é a
verdade. Viver a verdade que brota de dentro de nós tem-nos libertado da
escravidão da conformidade aos padrões convencionais de pensamento e ação.
Somos impelidos pelo espírito de Deus e não pelas formas externas ou pelos
costumes da humanidade. Nossa nova vida é um dom de Deus que não é adquirido
pela moeda humana ou pelo auto-sacrifício, pela auto-ajuda ou pelo pensamento
positivo. Compromisso, na prática, torna-se fé, um canal através do qual Deus
derrama a paz interior que por si só faz com que a vida mereça ser vivida.
A graça nos ampara em todos os tentames; a
graça nos dá forças quando estamos fracos; a graça nos conforta quando estamos
descoroçoados. A graça provém do Construtor Mestre cujo desígnio eterno abarca
tudo o que devemos ser ou fazer, todas as possibilidades para nossa consecução
futura.. Deus nos supriu com a vida mesma, e à parte dele estamos privados,
abandonados e sem valor. Deus conhece nossos nomes e o rumo que trilhamos e nos
leva pela mão através do solo da existência humana.
Nós te agradecemos, Pai, por nos dar nossas
vidas, por todas as várias circunstâncias que constituem esse ambiente terreno,
e pelo eterna oportunidade de tal arranjo. Dá-nos coragem para agir em sua
graça e que nossas vidas sejam proveitosas para nós mesmos e para nosso mundo.
Referências do Livro de Urantia:
A consciência de uma vida humana vitoriosa
na terra nasce da fé da criatura que ousa enfrentar cada fato que se repete na
existência, defrontando o impressionante espetáculo das limitações humanas
mediante a infalível declaração : Mesmo que eu não possa fazer isto, em mim
vive quem possa fazê-lo, uma parte do Pai-Absoluto do universo dos universos. E
essa é "a vitória que venceu o mundo, vossa própria fé." 4:4.9
Este pacto de Melquisedeque com Abraão
representa um grande acordo em Urantia, entre a divindade e a humanidade, no
qual Deus acorda fazer tudo; o homem acorda tão só crer nas promessas de Deus e
seguir suas instruções. 93:6.4
A única contribuição do homem para o
crescimento é a mobilização do total de poderes de sua personalidade - a fé
viva. 100:3.7
Entre outras coisas, o Modelador implorou
"que me conceda mais fielmente sua cooperação sincera, que tolere mais
alegremente as tarefas de minha colocação, que conclua mais fielmente o
programa de meu arranjo, que passe mais pacientemente as provas de minha seleção,
que caminhe mais persistente e alegremente pelo caminho de minha eleição, que
receba mais humildemente o crédito que possa se acumular como resultado de meus
esforços incessantes - transmita esta súplica ao homem em quem habito." 110:7.10
"Pelo velho método buscais suprimir,
obedecer e conformar-se às regras de viver; pelo novo caminho, primeiro sereis
transformados pelo Espírito da Verdade e assim vossa alma se verá fortalecida
pela renovação espiritual constante de vossa mente; deste modo estareis dotados
da força para fazer com segurança e júbilo a vontade misericordiosa, aceitável
e perfeita de Deus. Não olvideis : é vossa fé pessoal nas insuperavelmente
grandes e preciosas promessas de Deus que vos assegura de que participareis da
natureza divina." 143:2.4
É a bondade mesma de Deus o que conduz os
homens a um arrependimento verdadeiro e genuíno. O segredo de vosso autodomínio
está ligado à vossa fé no espírito residente, que sempre trabalha por amor.
Mesmo a fé salvadora não provém de vós; é também dom de Deus. 143:2.7
Em toda oração, recorda que a filiação é um
dom. Nenhuma criança tem que fazer nada para ganhar a condição de filho ou
filha. O filho terrestre adquire o ser por vontade de seus pais. Da mesma
maneira, o filho de Deus chega à graça e à nova vida do espírito por vontade do
Pai no céu. Por conseguinte, o reino do céu - a filiação divina - deve ser
recebida como uma criança pequena o faria. 144:4.3
"A salvação é dom do Pai, e é revelada
por seus Filhos. Vossa aceitação mediante a fé vos permite compartilhar da
natureza divina, ser um filho ou uma filha de Deus. Pela fé estais
justificados; pela fé sois salvos; e pela mesma fé avançareis eternamente no
caminho da perfeição progressiva e divina." 150:5.3
"Não podeis comprar a salvação; não
podeis ganhar a retitude. A salvação é dom de Deus e a retitude é o fruto
natural da vida que nasce do espírito de filiação no reino." 150:5.5
"Vede, pois, que o Pai concede a
salvação aos filhos dos homens, e esta salvação é um dom a todos os que têm a fé
necessária para receber a filiação à família divina. Não há nada que o homem
possa fazer para merecer esta salvação. As obras de auto-retitude não compram o
favor de Deus, as orações públicas não expiam a falta de fé viva no
coração." 167:5.1
"É vossa fé que salva vossa alma. A
salvação é o dom de Deus para todos os que crêem que são seus filhos. Mas não
vos iludais; ainda que a salvação seja um dom gratuito de Deus e seja concedida
aos que a aceitam pela fé, o que se segue é a experiência de render os frutos
desta vida espiritual enquanto se vive na carne." 193:1.2
Passo 4: Admitindo nossas falhas
Reconhecemos e nos arrependemos
sinceramente de nossas más ações, confessados estes erros a Deus e confiando
num amigo com que se pode contar.
Sem a oportunidade de errar, as grandes
lealdades nunca se desenvolveriam. "Sim, eu farei" seria algo sem
sentido se esse alguém não pudesse ter dito "Não, eu não farei". A
liberdade que Deus nos tem dado para viver e agir no mundo nos assegura que cometeremos
erros e por outro lado o que aparenta ser um mar de liberdade seria uma miragem
do deserto.
Mas, ao mesmo tempo, esses erros
inevitáveis provenientes das escolhas imaturas nos neutralizam e nos oprimem
com a culpa e a desconfiança de nós mesmos, tornando-nos prisioneiros do
passado, e nos acusam perante nosso Criador. O desígnio de Deus para a vida
neste mundo suscita a plena permissão para nossos erros; neste clima de
liberdade, nossa imaturidade não admite nenhuma possibilidade para qualquer
outro resultado. Através do alcance espiritual, entretanto, o Pai nos supre de
certos meios para triunfar sobre as sombras da irrealidade, para nos
desenvolvermos através dos problemas nascidos de nossas respostas acidentadas
aos desafios da vida, por meio dos quais ganhamos a força, a convicção e a
humildade que resultam da experimentação pessoal da vida em toda sua realidade
e, algumas vezes, em sua aspereza.
O pecado, nunca acidental, requer nossa
decisão premeditada de violar o que nós sabemos ser correto e à parte de tal
pensamento ou ação intencional não há pecado. Nossa consciência pode nos acusar
perante os costumes da sociedade, mas o pecado requer a deslealdade deliberada
ao que há de mais alto e verdadeiro no coração e na alma humana: Deus mesmo.
O pecado nos separa da consciência
equilibrada e feliz da presença de Deus e rompe nosso relacionamento com nossos
semelhantes. Sentimo-nos culpados, desapontados conosco, retirados do mundo,
com o prejuízo de sabermos fazer as coisas de modo correto e em dúvida sobre a
nossa coragem ou habilidade de nos tirarmos do emaranhado de problemas
provenientes de nosso próprio plano precipitado.
Uma vez cometido, para nos desprendermos de
nossa complexa teia de enganos se requer mais que simplesmente desejar que ela
se vá embora ou, mais insidiosamente, reprimir interiormente sua lembrança por
entre frestas mentais que ulceram e insalubremente se rompem em algum momento
de estresse futuro. A solução é a simples honestidade. A libertação da tirania
do pecado e da culpa requer nossa coragem para confrontar e confessar cada erro
que tivermos cometido: contra Deus, contra nós mesmos, contra os outros, por
pensamento, palavra ou ato, sem desculpas ou atenuações. Devemos expô-los
todos, todos de uma vez, aqueles pecados que parecem inconseqüentes assim como
os maiores, e não mais nos sentiremos oprimidos pelo peso mortal de sua
lembrança acusadora.
Os pecados que nos são mais desconfortáveis
reconhecer são precisamente aqueles que apresentam perigo maior, e a confissão
parcial não produzirá o fim que mais desejamos: a libertação dos erros de nosso
passado e de nosso coração que Deus havia feito puro. Por essa razão,
pesarosamente confessamos a Deus nossas más ações em todas as suas
particularidades, não que ele não as tivesse percebido mas, mais propriamente,
para definir os assuntos perante a luz plena de nossa consciência. Contamos ao
Pai nossa determinação sincera de nunca mais cairmos em tais armadilhas
novamente, e pedimos a Deus o perdão para cada um destes pecados para que sua
presença debilitante seja expungida dos recessos de nossas mentes e de nossas
lembranças.
A seguir, invocamos coragem para repetir
tudo o que dissemos ao nosso Pai a um amigo ou conselheiro cuidadosamente
escolhido, alguém que nunca trairia nossa confiança. Na hora estabelecida,
contamos a história sob a luz que menos favorece a nós mesmos, evitando toda
tentação de invalidar a confissão de nossa conduta repreensível através de
desculpas extenuantes.
Nossa meta é a liberdade e a retidão e só
pode ser atingida fazendo uma faxina de todos os passos em falso de nosso
passado. Despido de pretensões, nosso passado é oferecido a Deus e agora nós
nos humilhamos perante o mundo representado pelo amigo ou conselheiro ao qual
contamos nossa estória. É sem contentamento que sacamos estes aspectos
desafortunados de nosso passado, como uma empregada diligente limpa dos cantos
escondidos a poeira e a desordem.
É com imensa dor que narramos estes pecados
passados mas a plena exposição torna insignificante sua negra hegemonia.
Desenterrados e expostos, despidos de sua pretensão de soberania, eles se
dissolvem em sombras de fantasmas do nada. À parte do ressarcimento àqueles que
nossas ações causaram dano, não devemos mais refletir sobre esses pecados
passados pois assim fazendo apenas ressuscita seu poder pernicioso,
enfraquecendo-nos por duvidarmos do perdão e da misericórdia de Deus. Nós
confessamos nossos pecados e eles nos são perdoados; a atenção continuada aos
seus cadáveres desfeitos somente nos envenena com seu odor enfastiado. No passado,
ocultar estes pecados duplicava sua fascinação terrível. Expostos à luz do sol,
sua influência sobre nós é solucionada sem causar mal algum somente se
evitarmos a tentação da reminiscência destas experiências lamentáveis que
causaram a nós e aos outros tanta dor.
Quando estamos em paz conosco,
experimentamos paz com o mundo. Confessando, lançamos para fora o orgulho falso
que nos constrange emocionalmente, impedindo-nos de perdoar aos outros ou de
aceitarmos a nós mesmos. A confissão faz nascer um novo auto-respeito baseado
num relacionamento restabelecido com Deus. Colocando as coisas direitas com
Deus, tornamo-nos direitos conosco e com o mundo.
De tempos em tempos faremos coisas que nos
farão descontentes conosco, mas através disso tudo o Pai continua a nos amar e
a nos dar forças para superar essas lembranças pois não deixamos de ser
humanos. A confissão nos desembaraça destes passos em falso, desnuda seu poder,
remove toda mácula de nossas almas, tornando-nos limpos, inteiros, restaurados,
revividos, puros de coração e livres para a vida que Deus planejou para nós.
Referências do Livro de Urantia:
Jamais, em tua ascensão ao Paraíso,
ganharás algo tentando impacientemente iludir o desígnio divino estabelecido
mediante atalhos, invenções pessoais ou outros artifícios para facilitar o
avanço no caminho da perfeição, para a perfeição e com o intuito da perfeição
eterna. 75:8.5
O pecado deve redefinir-se como deslealdade
deliberada à Deidade. Existem graus de deslealdade : a lealdade imparcial da
indecisão; a lealdade ambivalente do conflito; a lealdade moribunda da
indiferença; e a morte da lealdade manifestada pela devoção a ideais ímpios.
89:10.2
A confissão do pecado é o repúdio viril da
deslealdade, mas de forma alguma mitiga as conseqüências espaço-temporais de
tal deslealdade. Porém, a confissão — o reconhecimento sincero da natureza do
pecado — é essencial para o crescimento religioso e para o progresso
espiritual. 89:10.5
A dotação da liberdade aos seres
imperfeitos inevitavelmente vincula-se a tragédias, e é a natureza da perfeita
Deidade ancestral compartilhar universal e afetuosamente estes sofrimentos em
amoroso companheirismo. 110:0.1
E não lestes nas escrituras onde diz: "Ele olha os homens, e se algum disser : pequei e perverti o que era
justo, e de nada me aproveitou, então Deus livrará a alma desse homem da
escuridão, e ele verá a luz." 130:8.2
Põe fim à tua miséria odiando o pecado.
Quando contemplares ao Magnânimo, aparta-te do pecado com todo o coração. Não
te escuses pelo mal; não justifique o pecado. Por teus esforços por emendar-se
pelos pecados passados adquirirás fortaleza para resistir às futuras tendências
para pecar. A moderação nasce do arrependimento. Não deixes nenhuma falta
inconfessada ante Magnânimo. 131:3.3
Se um homem reconhece o caminho do mal e
sinceramente se arrepende do pecado, então poderá buscar o perdão; poderá
libertar-se do castigo; poderá transformar a calamidade em bênção. 131:8.5
"Nosso Pai ama mesmo o malvado e
sempre é bondoso com o ingrato. Se mais seres humanos pudessem conhecer tão só
a bondade de Deus, certamente seriam levados ao arrependimento de sua má
conduta e à renúncia a todos os pecados conhecidos." 131:10.4
E toda esta fé verdadeira está predicada na
reflexão profunda, na autocrítica sincera e numa consciência moral
intransigente. 132:3.5
"Muitas vezes, quando tivestes feito o
mal, pensastes em culpar a influência do demônio em vossos atos, ainda que na
realidade tivestes errado guiados por vossas próprias tendências naturais.
Acaso não vos disse o profeta Jeremias, há muito tempo, que o coração humano
engana-se sobre todas as coisas e, às vezes, é até desesperadamente perverso?
Quão fácil é vos enganar a si próprios e assim cair em temores tolos, mergulhar
na luxúria, nos prazeres escravizadores, malícia, inveja e ainda ódio
vingativo! 143:2.5
Quando os homens crerem neste evangelho,
que é uma revelação da bondade de Deus, serão conduzidos ao arrependimento
voluntário de todo pecado conhecido. A compreensão da filiação é incompatível
com o desejo de pecar. 150:5.5
O primeiro passo na solução de todo
problema consiste em localizar a dificuldade, isolar o problema e em reconhecer
francamente sua natureza e gravidade. O grande erro é que, quando os problemas
da vida despertam nossos temores profundos, nós nos negamos a reconhecê-los. Do
mesmo modo, quando o reconhecimento de nossas dificuldades requer a redução de
nosso auto-conceito longamente acariciado, a admissão da inveja ou o abandono
dos vícios profundamente arraigados, a pessoa comum prefere aferrar-se às suas
antigas ilusões de segurança e aos falsos sentimentos de certeza longamente
acariciados. Só uma pessoa corajosa está disposta a admitir honestamente, e a
enfrentar sem temor, o que uma mente sincera e lógica descobre. 160:1.7
A devoção, para o fariseu, era uma maneira
de induzir uma inatividade de auto-retitude e a confiança numa falsa segurança
espiritual; a devoção, para o publicano, era uma maneira de estimular a alma à
compreensão da necessidade de arrependimento, à confissão e à aceitação, pela
fé, do perdão misericordioso. 167:5.2
Não ocorreu a Pedro que havia negado seu
Mestre até o momento em que o galo cantou. Pedro não se deu conta de que havia
traído seus privilégios de embaixador do reino até o momento em que Jesus o
olhou.
Havendo dado os primeiros passos ao longo
do caminho de compromisso e de menor resistência, nada restava a Pedro a não
ser continuar com a conduta que havia eleito. Requer-se um caráter magnânimo e
nobre para retomar o caminho reto depois de haver iniciado mal. Muitas vezes a
mente tende a justificar o prolongamento pelo caminho do erro depois de entrar
nele. 184:2.11-12
Ao considerar esta tragédia, concebemos que
Judas desviou-se principalmente porque , acentuadamente, era uma personalidade
que se isolou em si mesma, uma personalidade fechada e distanciada dos contatos
sociais comuns. Persistentemente ele se negou a confiar em seus irmãos
apóstolos e a fraternizar livremente com eles. 193:4.2
Judas se negou persistentemente a confiar
em seus irmãos. Quando, pela acumulação de seus conflitos emocionais, se viu
obrigado a buscar o alívio na auto-expressão, invariavelmente buscou o conselho
e recebeu o consolo néscio de seus parentes não espirituais ou daqueles conhecidos
casuais que eram não apenas indiferentes, mas verdadeiramente hostis ao
bem-estar e progresso das realidades espirituais do reino celestial, da qual
era um dos doze consagrados embaixadores na terra. 193:4.3
...[Judas] não gostava de falar de seus problemas
pessoais com seus companheiros imediatos; negava-se a falar de suas
dificuldades com seus verdadeiros amigos e com os que realmente o amavam.
Durante todos os anos de sua adesão, não recorreu nem uma só vez ao Mestre com
um problema puramente pessoal. 193:4.10
Passo 5: Perdoando aos Outros
Com a ajuda de Deus, perdoamos a toda e
qualquer pessoa que nos tenha ofendido.
Imaginem a amargura de um mundo no qual
ninguém perdoasse. Nos velhos tempos, a determinação na busca da vingança
dominava a vida dos homens e o menosprezo imaginado levava à rixa por gerações
seguidas. Aversões étnicas e religiosas ainda infestam nosso mundo,
conduzindo-o a guerras insensatas nas quais todas as partes perdem. Orgulho mal
dirigido, blasfêmia muitas vezes atribuída a deveres religiosos ocasiona ao
homem atos totalmente contrários ao espírito da religião em nome da qual suas
atrocidades são perpetradas.
Agora é nossa a oportunidade de quebrar
estes ciclos amargos e libertar nossos irmãos do peso de suas culpas com o mesmo
perdão pelo qual Deus nos deu um novo começo. O Perdão é uma força contagiosa
que pode instantaneamente curar feridas há muito tempo infeccionadas naqueles
com quem estamos em desafeto. Quando a ofensa nos fere profundamente, pode não
parecer humanamente possível perdoar mas, mesmo então, a graça de Deus faz
todas as coisas possíveis. Em tal caso, simplesmente perdoamos no grau que nos
é possível, e pedimos ao Pai que mais tarde complete o processo.
Para nossa própria saúde espiritual é
essencial que perdoemos. Se desejamos conhecer a plenitude do perdão de Deus,
devemos perdoar àqueles que nos ofenderam. As duas ações são inseparáveis
porque o ressentimento abrigado bloqueia o canal através do qual o perdão de
Deus flui. O perdão de coração libera a divina energia que desagrilhoa nossas
almas das amarras do mal. É chuva em colina estéril que faz com que flores
dormentes floresçam; erradica tormentos tenebrosos e cura canceres devoradores
em nossos corações ressentidos. O perdão quebra os grilhões que nos prendem aos
nossos adversários num abraço indesejado, as cadeias forjadas que nos
aprisionam àqueles que mais detestamos. Mesmo que nossos irmãos não possam
corresponder de imediato, o perdão nos liberta da prisão emocional de
sentimentos envenenados para com eles e assim podemos prosseguir em nosso
caminho, em paz.
Perdoar injúrias é menos custoso do que se
pode imaginar; ódio e ressentimento são apenas atitudes, não sangue ou osso. O
perdão é de fácil alcance e somente a obstinação ou o orgulho podem nos impedir
de apreciar seus frutos instantâneos de alcance espiritual. Como podemos
hesitar em perdoar nossos irmãos quando Deus o repartiu conosco, tão
generosamente, e quando toda a lógica nos diz que somos melhores assim fazendo?
Que prazer mórbido existe em alimentar rancores que nos causam danos cada vez
que nos referimos a eles, e que nos roubam a alegria que é nosso direito desde
que nascemos?
Deus nos perdoou por amor, e nesta nova
relação encontramos força para perdoar aos outros. No perdão reconquistamos
nossos irmãos e reconquistamos a nós mesmos pela Fonte, em ondas, de toda
restauração.
Conhecemos a vontade de Deus, e sabemos o
que devemos fazer. Conhecemos a vingança pelos seus frutos assim como
conhecemos o perdão. Devemos perdoar completamente cada um de nossos irmãos
para que os ressentimentos não estejam à espreita dos nossos sonhos nesta
noite, para que a culpa seja aliviada, as amizades restauradas e para que Deus
retorne às nossas relações. Este é o dia que Deus nos deu para expulsarmos todo
ciclo debilitante de vingança e ódio e, conforme tomamos a iniciativa de
perdoar, seu nome permanece suavemente sobre nossas almas. No perdão o Pai
revela seu nome, que é Amor. Libertamos nossos irmãos de seu peso e assim
fazendo libertamos a nós mesmos. Nós nos livramos do aperto pegajoso das
atitudes perversas e entramos no reino celeste de nosso Pai, onde todas as
coisas que valem a pena residem. A liberdade do espírito que experimentamos em
perdoar nos impulsiona para onde o olho não viu, nem o ouvido ouviu, para tudo
aquilo que o Pai preparou para aqueles que o amam e que têm a coragem de seguir
seu apelo benevolente.
O céu e a terra são seus, Pai benevolente.
Ajuda-nos neste dia a colocar nossos casos em ordem para que possamos ficar
livres para perseguir os seus. Dá-nos a coragem para fazer tua vontade neste
mesmo dia.
Referências do Livro de Urantia:
"Eu vos digo: amai os vossos
inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei aos que vos maldizem e orai
pelos que vos ultrajam. E tudo o que credes que eu faria aos homens, fazei-o
vós.
"Vosso Pai nos céus faz brilhar o sol
sobre os maus assim como sobre os bons; do mesmo modo, ele envia a chuva sobre
justos e injustos. Vós sois os filhos de Deus; mais ainda, sois agora os
embaixadores do reino de meu Pai. Sede misericordiosos assim como Deus é
misericordioso, e no futuro eterno do reino sereis perfeitos, assim como vosso
Pai celeste é perfeito.
"Estais incumbidos de salvar os
homens, não de julgá-los. Ao fim de vossa vida terrestre, todos vós esperareis
misericórdia; por isso vos peço que durante vossa vida mortal mostreis
misericórdia para com vossos irmãos na carne" 140:3.15-17
Ao demonstrar misericórdia, intentou
ilustrar a libertação espiritual de todos os rancores, das mágoas, da ira e do
desejo egoísta de poder e vingança. E quando disse: "Não resistais ao
mal", explicou mais tarde que não significava tolerar o pecado nem
fraternizar com a iniquidade. Pretendia mais ensinar a perdoar "a não
resistir ao mau trato vindo de alguém, à injúria mal intencionada dirigida ao
sentimento de dignidade pessoal." 141:3.8
Mesmo o perdão dos pecados opera desta
mesma forma infalível. O Pai no céu tem perdoado a ti antes mesmo de haveres
pensado em pedi-lo, mas tal perdão não é acessível em tua experiência religiosa
pessoal até o momento em que perdoardes aos teus semelhantes. 146:2.4
"Senhor, quantas vezes pecará meu
irmão contra mim e eu o perdoarei? Até sete vezes? Jesus respondeu a Pedro:
"Não só sete vezes mas sim setenta vezes sete vezes mais. Assim, pois,
pode-se comparar o reino do céu com certo rei que, certa vez, se pôs a fazer as
contas com seus mordomos do palácio. E quando começaram a prestar contas,
trouxeram ante sua presença o mordomo principal que confessou que devia a seu
rei dez mil talentos. Porém, este funcionário da corte do rei queixou-se por
estar passando um período difícil, e que não tinha recursos para pagar sua
obrigação. E assim o rei ordenou que suas propriedades fossem confiscadas e que
seus filhos fossem vendidos para pagar sua dívida. Este mordomo, ao escutar tão
duro decreto, caiu de bruços ante o rei e lhe implorou que tivesse misericórdia
e que lhe desse um pouco mais de tempo, dizendo "Senhor, tem um pouco mais
de paciência comigo, e eu te pagarei tudo". Quando o rei contemplou este
servo negligente e sua família, despertou-se sua compaixão. Ordenou que fosse
libertado e que o empréstimo lhe fosse completamente perdoado.
"Este mordomo, tendo assim recebido a
misericórdia e o perdão das mãos do rei, foi-se por seu caminho, e ao topar com
um dos mordomos subordinados que lhe devia tão só cem denários deteve-o,
segurando-o pelo pescoço, e disse-lhe: "paga-me tudo o que me
deves". O subordinado caiu de joelhos ante ele, implorando: "tenha
um pouco de paciência e logo poderei pagar-te". Mas este funcionário não
soube mostrar misericórdia por seu subalterno, mas antes o lançou num calabouço
até que pagasse toda sua dívida. Quando os demais funcionários viram o que
havia ocorrido, tanto se afligiram que foram e relataram o fato ao seu senhor e
mestre, o rei. O rei, ao ouvir sobre o comportamento deste mordomo, fez chamar
a este homem ingrato e implacável ante sua presença e lhe disse: "eras um
servo malvado e indigno. Quando buscavas compaixão, eu gratuitamente te perdoei,
com toda tua dívida. Por que não tratas ao teu subalterno com misericórdia
assim como eu te tratei com misericórdia?" Tão irado estava o rei que
mandou entregar este servo indigno aos carcereiros para que o metessem num
calabouço até que pagasse tudo o que devia. Assim, pois, meu Pai celestial
mostrará a mais abundante misericórdia aos que gratuitamente mostram
misericórdia aos seus semelhantes. Como podes implorar a Deus que tenha
consideração por tuas imperfeições se castigas aos teus irmãos, culpáveis das
mesmas debilidades humanas? Eu digo a todos vós : tendes recebido gratuitamente
as coisas boas do reino; dai, pois, gratuitamente aos vossos semelhantes na
terra." 159:1.4-5
Jesus ensinou que o pecado não é filho de
uma natureza defeituosa mas, melhor, é o descendente de uma mente conhecedora
dominada por uma vontade insubmissa. Sobre o pecado, ensinou que Deus tem
perdoado; que nós podemos pessoalmente dispor desse perdão pelo ato de perdoar
aos nossos semelhantes. Quando perdoas ao teu irmão na carne, crias desta
maneira em tua própria alma a capacidade para receber a realidade do perdão de
Deus por teus erros. 170:2.19
"Quando um homem sábio compreende os
impulsos interiores de seus semelhantes, ele ama a estes semelhantes. Esta
capacidade de compreender a natureza humana e olvidar seu erro aparente é
divina.
"Vossa inabilidade ou má vontade de
perdoar aos vossos semelhantes é a medida de vossa imaturidade, de vossa falha
em alcançar a compaixão adulta, a compreensão e o amor. Sustentai rancores e
alimentai vinganças em proporção direta à vossa ignorância da natureza interior
e dos verdadeiros desejos de vossos filhos e de vossos semelhantes. O amor é a
manifestação exterior do impulso divino e interior da vida. 174:1.4-5
Passo 6: Pedindo perdão aos outros
Sem considerarmos o custo emocional ou financeiro envolvido, pedimos perdão a todos os que ofendemos e fazemos o nosso
melhor para reparar na íntegra à cada um deles, exceto onde assim feito poderia
feri-los ainda mais.
Só raramente é suficiente admitir a algum
amigo de confiança ou a um conselheiro, ou mesmo ao próprio Deus, que
injuriamos alguém e parar por aí. Quase sempre, devemos nos aproximar da pessoa
que ofendemos, reconhecer o que fizemos, dizer a ela o quanto sentimos, e então
tentar endireitar a situação - retornar essa pessoa à sua posição anterior. A
menos que retifiquemos a situação na extensão de nossas forças para assim
fazê-lo, iludimos a nós mesmos imaginando que nosso arrependimento é genuíno.
Pedir perdão a Deus e parar por aí é ignorar
as conseqüências reais de nossas lamentáveis ações - o dinheiro roubado, a
injúria maliciosa à reputação dos outros, qualquer mal que tivermos causado.
Este mundo material existe numa série contínua com o mundo espiritual;
conseqüentemente, nossas ações devem validar o estado espiritual que aspiramos.
Nossa profissão celeste é menos que sincera se negligenciarmos ou se evitarmos
nossas obrigações terrenas para com os irmãos a quem que ofendemos.
Expressar nossa tristeza pode se tornar
mais embaraçoso conforme o evento retrocede no tempo e em nossas lembranças,
ainda que a necessidade de assim fazê-lo não se diminua. Pedir perdão é um ato
de humildade, e o reconhecimento de fomos fracos, falíveis, medíocres ou
irrefletidos. Pedir perdão clareia nossa consciência perante Deus, remove um
obstáculo para a paz interior que buscamos, e restaura nossa relação com a
pessoa que ofendemos.
Se o indivíduo que ofendemos aceitará
nossas desculpas está além de nosso controle. Deus não exige que imploremos
repetidamente para que nossas desculpas sejam aceitas, apenas que sinceramente
peçamos perdão e que tentemos reparar. Além disso, nada mais pode ser feito.
Ao repararmos, deveríamos conceder todo o
benefício da dúvida à pessoa que injuriamos. Por exemplo, se privamos alguém do
dinheiro que lhe pertencia por direito, a honestidade exige seu retorno com
interesse, e se nos é impossível devolver o dinheiro imediatamente, deveríamos
fazer pagamentos regulares, não baseados em nossa conveniência mas sim
consistindo de tudo o que podemos dispor, retendo apenas o que nos é necessário
para nos mantermos, de forma a completar o reembolso.
Em certas situações, entretanto, pedir
desculpas e reparar é provável que só piore as coisas. Um esposo ou uma esposa
que confessasse infidelidade poderia marcar a memória do cônjuge com imagens
que representam a permanência no casamento algo difícil ou impossível, e onde a
traição foi cometida, um conselheiro legal pode ser oportuno. Com a ajuda de
Deus, entretanto, todos estes erros podem ser negociados de maneira justa e
igual tal que produza o bem maior e a libertação espiritual, sem levar em
consideração as conseqüências terrenas que normalmente seguem na sucessão das
ações desastrosas.
O esforço espiritual envolvido nas
reparações nunca falha em produzir recompensas imediatas. Conforme nos despimos
dos velhos temores, exaustivamente os confrontamos e finalmente rejeitamos as
maldades de nosso passado, uma liberdade até então desconhecida precipita-se do
alto. As cadeias do pecado passado perdem sua força e nos tornamos espiritual e
emocionalmente livres de tudo o que nos tem limitado, e nos tornamos capazes de
nos movermos para o futuro. Os erros do passado param de nos ameaçar pois não
mais pertencem ao nosso ego verdadeiro, mas apenas o que costumávamos ser. Deus
nos transforma; nosso passado é enterrado conforme nos movemos audaciosamente
para nossa nova vida no reino.
Mostramos nossa dedicação ao reino ao
corrigir as coisas com todos aqueles que ofendemos. Quanto mais assim fazemos,
custando-nos o dinheiro que poderia nos causar desgostos gastando ou que
poderia ter trincado o verniz frágil de uma reputação fictícia, mais provamos a
profundidade de nosso compromisso com uma vida nova para a qual Deus nos chamou
e nossa determinação de nada ficar entre nós e o espírito do Pai. A vida no
reino não pode ser avaliada pelo dinheiro. O Mestre perguntou: "O que o
homem daria em troca de sua alma?" Ao repararmos, somos guiados por uma
lei superior e universal e nesse processo experimentamos um relacionamento mais
profundo com Deus, que torna todas as coisas novas.
Referências do Livro de Urantia:
Mas Caim sabia que, como não portava marca
tribal, seria morto pela primeira tribo vizinha que por acaso pudesse
encontrá-lo. O temor e algum remorso o induzira ao arrependimento. Cain nunca
antes havia sido habitado por um Ajustador, tendo sempre sido rebelde à
disciplina da família, menosprezando a religião de seu pai. Porém, nesta
ocasião acudiu a Eva, sua mãe, e lhe pediu ajuda e orientação espiritual; e
quando ele honestamente buscou a assistência divina, um Ajustador habitou nele.
76:2.8
"Imploramos o perdão do Senhor por
todas nossas transgressões contra nossos semelhantes; e desobrigamos nosso
amigo do mal que nos fez."
"Quando te encontrares no erro, não
titubeies em confessar teu erro e sejas presto para repará-lo." 131:9.3
"Nenhum mortal que conhece a Deus e
que procura fazer a vontade divina poderá rebaixar-se participando da opressão
mediante o poder da riqueza... Toda riqueza assim obtida deve ser restituída a
quem desta maneira foi roubado, ou aos seus filhos ou aos filhos de seus
filhos." 132:5.8
"Se uma determinada porção de tua
fortuna foi sabidamente obtida mediante fraude; se alguma parte de tua riqueza
foi acumulada mediante práticas desonestas ou métodos iníquos; se tuas riquezas
provém de tratos injustos com teus semelhantes, apressa-te a restituir estes
bens mal havidos aos seus legítimos donos. Faze plena retribuição e limpa deste
modo tua fortuna de toda riqueza mal havida." 132:5.12
"Seja lá o que for que vos custe em
coisas do mundo, seja lá qual for o preço que pagueis para entrar no reino do
céu, recebereis muitas vezes mais em gozo e progresso espiritual neste mundo, e
vida eterna na era vindoura." 137:8.14
"E depois de assim se encontrarem, o
filho levantou os olhos ao rosto banhado de lágrimas de seu pai e disse :
"Pai, pequei contra os céus e ante teus olhos, já não sou digno de ser
chamado de teu filho"; mas o rapaz não teve oportunidade de completar sua
confissão pois o pai regozijado disse aos servos que neste momento chegavam
correndo: "Trazei o melhor vestido, aquele que guardei, e vesti-lhe, e
ponde em sua mão o anel de filho e trazei sandálias para seus pés." 169:1.9
"Então Zaqueu subiu num tamborete e
disse: "Homens de Jericó, ouvi-me! Talvez eu seja publicano e pecador,
mas o grande Mestre veio ficar em minha casa; e antes que entre, eu vos digo
que doarei a metade de meus bens aos pobres, e a partir de amanhã se arrecadei
algo injustamente de algum homem, devolverei quatro vezes tanto. Vou buscar a
salvação com todo meu coração e aprender a praticar a retitude ante os olhos de
Deus." 171:6.2
"Deverias aprender que mesmo a
expressão de um bom pensamento deve ser modulada de acordo com o estado
intelectual e com o desenvolvimento espiritual do ouvinte." 181:2.21
Aceitando o Perdão de Deus
Uma vez que tenhamos confrontado nossos
erros e nossas más ações, que as tenhamos confessado a Deus e a um amigo de
confiança, que tenhamos perdoado a todo aquele que tenha nos ofendido, que
tenhamos pedido o perdão àqueles que ofendemos, e que tenhamos reparado,
estamos autorizados a experimentar a plenitude do perdão de Deus e a
confiantemente tomar lugar na família universal do Pai. Com a ajuda de Deus
enfrentamos nossos medos, repudiamos o falso orgulho reconhecendo perante os
outros o que fizemos, pedimos desculpas àqueles a quem ferimos e, no melhor de
nossas capacidades, corrigimos os erros de nosso passado.
E então vem um ato crucial de fé : devemos
deixar todos estes assuntos para nosso Pai e permitir-lhe que remova mesmo suas
lembranças. Negociamos estes erros passados no melhor de nossa capacidade e
estamos autorizados a nos libertar de seu peso morto. Devemos agora cessar com
quaisquer outras considerações sobre estes erros, abandonando-os e
esquecendo-os enquanto nos movemos para o futuro que Deus preparou para nós. Más
lembranças se tornam irreais como os pesadelos após acordarmos, à medida que
Deus cura nossas almas. Temos demonstrado misericórdia para com aqueles que nos
ofenderam e não deveríamos imaginar que nosso Pai seria menos misericordioso
conosco. O Pai nos compreendeu deste o princípio, nossos erros e como chegamos
a cometê-los; ele considerou nossa fragilidade com os olhos misericordiosos de
um pai. Deus perdoou nossos equívocos mesmo antes de lhe pedirmos, pois seu
perdão não estava condicionado em nada que fizemos, mas existia naturalmente
como o amor de um pai. Deus já havia perdoado mesmo que a experiência do perdão
não estivesse disponível até que tivéssemos perdoado, pedido perdão e reparado.
Aceitar o perdão de Deus requer que
entreguemos a ele todos os aspectos de nossos erros passados. Chafurdarmos mais
em nossos erros passados apenas nos levaria a um ciclo degenerativo de
frustração, de culpa e auto-acusação. Acabou-se; Deus tem perdoado; uma vida
nova nos acena além do monte.
Os passos do perdão nos libertam da prisão
do passado; desembaraçados, podemos levar a efeito nossa vida nova no espírito.
Nossa regeneração não foi um ato de contrição, como se um Deus severo nos
solicitasse a passar por um ritual de penitência, mas foi empreendida porque
era certa, adequada, e a resposta responsável à situação que criamos. O Pai
apenas desejava que nos humilhássemos para que pudéssemos, por meio disso, nos
tornar livres. Os enganos de nosso passado cujo desfazer estiverem além de
nossas forças, retrocedem na obscuridade do esquecimento à medida que o perdão
dissolve e destrói toda a força residual que ainda no presente nos prende.
Estamos nos livrando de todos os grilhões
do comportamento destrutivo e aprendendo a fazer a vontade do Pai de forma mais
profunda. Encontramos o Pai no sorriso renovado de um amigo que nos era
distante e sentimos o prazer que resulta de estarmos harmonizados com o
universo - nosso universo. Estamos em paz com tudo o que aconteceu
anteriormente, até com os erros, e temos confiança de que Deus vai revelar o
bem de cada um destes episódios infelizes. Temos experimentado a verdade e
jamais poderíamos voltar ao pecado. Podemos viver agora nossa nova vida com
entusiasmo e força.
Referências do Livro de Urantia:
Deus é divinamente bondoso com os
pecadores. Quando os rebeldes volvem à retitude, são misericordiosamente
recebidos, "pois nosso Deus é rico em perdão". "Eu sou o que
apaga as tuas transgressões por amor de mim, e já não me lembro dos teus
pecados". "Vede que prova de amor nos deu o Pai: que sejamos
chamados filhos de Deus". 2:5.4
O perdão dos pecados pela Deidade resulta
na renovação das relações de lealdade após, durante certo tempo, um período de
consciência humana da interrupção de tais relações como conseqüência de uma
rebelião consciente. Não é necessário buscar o perdão mas tão só recebê-lo em
forma de consciência do restabelecimento das relações leais entre a criatura e
o Criador. 89:10.6
"Todos aqueles que têm meu nome, pela
minha glória os tenho criado, e eles me exaltarão. Sou eu, eu mesmo, quem apaga
suas transgressões por causa de mim mesmo, e não me recordarei de seus
pecados." 97:7.10
"Vinde agora, raciocinemos
juntos", disse o Senhor. "Ainda que vossos pecados fossem escarlate,
se tornariam brancos como a neve. Ainda que fossem vermelhos como o carmesim,
se tornariam brancos como a lã." 131:2.10
"Que os maus abandonem seu mau caminho
e o homem injusto seus pensamentos rebeldes. Disse o Senhor: Regressa a
mim, e terei misericórdia de vós; e vos perdoarei abundantemente". 131:2.11
"Eis aqui a soma do dever: que nenhum
homem faça a outro o que lhe repugnaria; não abrigueis malícia, não castigueis
ao que vos castiga, conquisteis a ira com a misericórdia e dissipeis o ódio com
a benevolência. E tudo isto devemos fazer porque Deus é um amigo bondoso e um
pai misericordioso que redime todas nossas ofensas terrenas." 131:4.6
"Esta religião do Sábio purifica o
crente de todo mau pensamento e de todo ato pecaminoso. Inclino-me ante Deus
dos céus em arrependimento se o tenho ofendido em pensamento, palavra ou ato -
intencional ou involuntariamente - e ofereço orações pela misericórdia e
louvores pelo perdão. Sei que, quando me confesso e se me proponho a não voltar
a fazer o mal, o pecado será expungido de minha alma. Sei que o perdão dissolve
as algemas do pecado." 131:5.5
"Quando os homens e as mulheres
perguntam o que devem fazer para serem salvos, deveis responder : creiam neste
evangelho do reino; aceitem o perdão divino." 150:5.2
"Eu vos aconselho a não temer nada, no
céu ou na terra, mas sim a regozijar-vos no conhecimento daquele que tem o
poder de vos libertar de toda injustiça e de vos apresentar sem culpa ante os
tribunais de um universo." 165:3.3
"O perdão divino é inevitável; é
inerente e inalienável à infinita compreensão de Deus, em seu perfeito
conhecimento de tudo o que se relaciona com o juízo errôneo e a escolha
equivocada do filho." 174:1.3
A cruz mostra para sempre que a atitude de
Jesus para com os pecadores não foi de condenação nem de tolerância mas, antes,
de salvação eterna e amorosa. Jesus é verdadeiramente um salvador no sentido
que sua vida e sua morte cativam os homens para a bondade e para a
sobrevivência reta. Jesus ama tanto os homens que este amor desperta a resposta
amorosa no coração humano. O amor é verdadeiramente contagioso e eternamente
criativo. A morte de Jesus na cruz exemplifica um amor que é suficientemente
forte e divino para perdoar o pecado e consumir toda a maldade. Jesus revelou a
este mundo uma qualidade mais alta de retitude que a justiça - o mero conceito
técnico do bem e do mal.
O amor divino não somente perdoa as faltas;
ele as consome e realmente as destrói. O perdão do amor transcende
completamente o perdão da misericórdia. A misericórdia põe de lado a culpa do
mal; mas o amor destrói para sempre o pecado e toda debilidade que dele
resulta. Jesus trouxe a Urantia um novo método de viver. Ensinou-nos a não
resistir ao mal mas sim a encontrar, através de Jesus, a bondade que eficientemente
destrói o mal. O perdão de Jesus não é tolerância; é a salvação da condenação.
A salvação não menospreza a falta,
corrige-a. O amor verdadeiro não transige com o ódio nem o tolera, mas o
destrói. O amor de Jesus nunca está satisfeito com o simples perdão. O amor do
Mestre implica reabilitação, sobrevivência eterna. É totalmente próprio falar
de salvação como redenção, se com isso quereis dizer esta reabilitação eterna.
Jesus, pelo poder de seu amor pessoal para
com os homens, pôde romper as cadeias do pecado e do mal. Dessa maneira,
liberou o homem para que este pudesse escolher os melhores caminhos de viver.
Jesus ilustrou uma libertação do passado que em si mesma prometia o triunfo do
futuro. Assim, o perdão provê a salvação. A beleza do amor divino, uma vez que
entre plenamente no coração humano, destrói para sempre o fascínio do pecado e
o poder do mal. 188:5.2-3
Passo 8: Vivendo uma nova vida
Decidimo-nos a viver uma vida nova
abandonando a raiva, a ansiedade, a impaciência, o orgulho e o medo recusando-nos
a nos apegarmos ou a alimentarmos estas relíquias de nosso passado. Estamos
prontamente admitindo nossos erros e recusamo-nos a abrigar sentimentos de
culpa.
Em todo coração existe um reino ao qual o
crente é convidado a entrar. É um reino de paz, alegria, amor e de liberdade
inescrutável. Este reino sempre esteve lá mas poucos confiaram o bastante para
entrarem nele, a despeito daquela vozinha calma e sussurrante que vem de
dentro, contando-nos do amor do Pai. Para aqueles que vivem para seus
propósitos e que se regozijam em seu amor, o reino de Deus é um rio que lava a
alma , purificando-a, e que faz completo o coração. Este rio, vaticinado pelos
profetas e confirmado pelos santos, segue através das eras e dos universos e
também intenta fluir através de nossos corações.
O reino não é somente um estado da mente; é
também um lugar real. E se um homem doente e sem teto, sozinho numa cidade
estranha ou num dia gélido, o vento penetrante irrompendo através de seu casaco
rasgado e gordurento, achar que poderia ser transportado instantaneamente à
ilha tropical de seus sonhos e se sentar descalço na areia ao lado de alguém
que ele amou, ouvindo as ondas encrespando suavemente a praia com conchas
espalhadas? Na verdade, nosso Pai nos possibilita vivenciar continuamente até
mesmo um paraíso interior maior que este - a paz pessoal e a felicidade que
almejamos - à medida que encaminhamos nossas tarefas normais da vida.
Pense em quão mais eficazes seremos quando
operarmos consistentemente fora deste reino : nossos espíritos, fortalezas
inatacáveis; nosso convívio com os outros, atencioso, criativo e encorajador;
nossa mente em paz, não mais atormentada por correntes emocionais contrárias ou
dividida por metas e propósitos contraditórios; nossos corpos mais saudáveis;
nossa vida, mais simples e mais eficaz.
Nesta nova vida encontramos a libertação da
praga da culpa pois pedimos e experimentamos o perdão de todo erro de nosso
passado; tudo foi entregue ao nosso Pai, e fizemos paz com nossos semelhantes.
Vivemos e agimos com a confiança de homens e mulheres que sabem por que estão
aqui, o que estão fazendo e para onde estão indo. As barreiras não mais nos
parecem insuperáveis mas apenas obstáculos interessantes na paisagem da vida.
Nosso coração transborda com o amor do Soberano dos universos que dirige nossos
rumos.
O interesse por nós mesmos motivou
amplamente nossa velha vida. Conforme nossa dedicação aos valores mais elevados
se fortaleceram, tentamos nos tornar pessoas melhores mas falhamos porque
intentamos nos melhorar utilizando a força de vontade desamparada. Este esforço
para nos modificarmos foi frustrante, exaustivo e finalmente sem sucesso pois
nosso ego não era mais capaz de transformar a si próprio do que a água pode
transformar-se em vinho. Somente submetendo-nos a um Poder Superior podemos
legitimamente esperar a transformação pois agrada a Deus fazer por nós o que
nós próprios não podemos fazer. A fé abre a porta ao nosso eu interior, nos
nutre com forças espirituais verdadeiras, e nos alinha com as correntes
ascendentes do universo.
A vida nova é diferente, não só uma
variação naquilo que conhecíamos antes, mas algo completamente novo. Um
saltador aumenta a distância de seu salto pelo treinamento paciente, cada
pequeno aumento requerendo um trabalho árduo. A vida no reino não é como
aquilo, sendo em vez disso um reino de paz interior, alegria, beleza e
produtividade que não pode ser alcançado pela construção do caráter ou pelo
pensamento positivo, mesmo que estas técnicas estejam também disponíveis. O
reino do céu está onde sempre quisemos viver e onde, pela fé, podemos ir nesta
mesma hora. É o lugar da visão dos profetas e procurado depois por todo aquele
que ama a Deus. No reino, o espírito de Deus é nossa companhia diária segundo
vivemos e amamos, e conseguido através da força que flui da Fonte do amor
eterno no Paraíso.
O reino do céu nos leva para mais além das
vinhas pegajosas de nosso passado, que atou nossas almas à terra com suas
acusações de culpa e pecado. Para sempre o passado perdeu seu poder sobre nós
pois sabemos que o Pai perdoou nossos enganos e nossos passos em falso. Temos
um novo recomeço e nada além de nossos próprios temores e dúvidas podem nos
prender ao passado agora.
Esta nova vida não nos livra de futuras
faltas mas nos revela o método pelo qual tais enganos podem ser abreviados e
transcendidos. A nova vida faz com que aquele que é justo viva alegre apesar de
seu fardo, porque vivemos sob a orientação de Deus e dividimos cada hora com
ele. Como o Pai dirige seu rio de amor em direção aos nossos corações, a fé que
esse rio inspira leva embora todo bloqueio vindo do egoísmo e da dúvida.
Vivemos no mundo de nosso Pai e nós mesmos sabemos ser seus filhos.
Ganhamos esta nova vida através da rendição
ao poder transformador de Deus e pelo nosso compromisso de viver de acordo com
o que sabemos ser verdadeiro, melhor e certo. Desconhecemos todo obstáculo e
nos movemos adiante com confiança na vontade de Deus, à medida que ele a
revela. Temos forças para seguir a vontade do Pai e teremos um resultado feliz
ao fazê-lo assim.
Com a ajuda de Deus, somos maiores do que
as coisas que nos prenderam ao passado, aquelas maldades prediletas que
pareciam tão cumulativas que duvidávamos de nossa capacidade de nos
libertarmos. Sua atração superficial não mais nos seduz, agora que temos
conhecimento do melhor caminho. Em dificuldades familiares, insatisfações
pessoais e angústia emocional, o preço por permanecer fora do reino do Pai é
muito alto. As cadeias do medo e da dúvida que nos acorrentavam como animais se
fundiram, evaporando-se ante os raios do amor de nosso Pai. Não mais duvidamos
do reino ou pesamos os pontos positivos e negativos de seu custo e benefício
relativos. Estamos entrando com sinceridade naquilo que sempre esteve
disponível, mas que apenas recentemente tornou-se real para nós.
Antecipamos toda hora que chega no reino do
Pai, sem saber o que ela trará, somente que o Pai a fará boa. Todas as coisas
estão se tornando novas.
Referências do Livro de Urantia:
Deveis entregar todos os desejos da mente e
todo anseio da alma ao abraço transformador do crescimento espiritual. 91:9.4
De todos os perigos que assediam a natureza
mortal do homem e que põem em risco sua integridade espiritual, o orgulho é o
pior. A coragem é valorosa, mas o egocentrismo é vanglorioso e suicida.
O orgulho é ilusório, intoxicante e dá
origem ao pecado tanto no indivíduo como no grupo, na raça ou na nação. É
literalmente verdade: "O orgulho vem antes da queda". 111:6.9-10
"Recorda que o alfaiate sábio não
costura um pedaço de tecido novo e sem encolher numa túnica velha porque,
quando se molha, ele encolhe e produz um rasgo ainda maior. Tampouco os homens
põem vinho novo em odres velhos, para que o vinho novo não rompa os odres
destruindo assim tanto o vinho como os odres. O homem sábio põe vinho novo em
odres novos. Por isso meus discípulos demonstram sabedoria ao não trazer muitas
coisas da velha ordem ao novo ensinamento do evangelho do reino." 147:7.2
Jesus compreendia plenamente quão difícil é
para os homens romper com seu passado. Sabia como os seres humanos são
influenciados pela eloqüência dos pregadores, e como a consciência humana
responde ao apelo emocional assim como a mente responde à razão e à lógica, mas
ele também sabia quão mais difícil é convencer o homem a deixar o passado.
154:6.8
O tema das instruções de Jesus durante a
permanência em Sidon foi o progresso espiritual. Disse-lhes que não podiam
ficar imóveis; que deviam avançar em retitude ou retroceder no mal e no pecado.
Advertiu-lhes que "esquecessem essas coisas que estão no passado, e que se
esforçassem avante até abraçar as realidades maiores do reino..."
Disse Jesus: "Meus discípulos devem
não somente cessar de fazer o mal mas também devem aprender a fazer o bem;
deveis não somente purificar-vos de todo pecado consciente, mas também
negar-vos a albergar mesmo os sentimentos de culpa. Se confessardes vossos
pecados, estes serão perdoados; por conseguinte, deveis manter uma consciência
livre de ofensa." 156:2.6-7
"Mas o que fizer tropeçar a um destes
pequenos, melhor lhe seria que se atasse ao pescoço uma pedra de moinho e que
fosse lançado ao mar. Se as coisas que fazeis com vossas mãos ou as coisas que
vedes com vossos olhos vos lesa no progresso do reino, sacrificai esses ídolos
amados porque é melhor entrar no reino sem muitas das coisas amadas na vida do
que apegar-se a estes ídolos e encontrar-se fora do reino." 158:8.1
Vejo nos ensinamentos de Jesus a religião
em sua melhor expressão. Este evangelho nos permite buscar ao Deus verdadeiro e
encontrá-lo. Porém, estamos dispostos a pagar o preço desta entrada no reino do
céu? Estamos dispostos a renascer? A sermos refeitos? Estamos dispostos a nos
submeter a este terrível e esgotante processo de autodestruição e reconstrução
da alma? Acaso não disse o mestre: "o que quiser salvar sua vida tem que
perdê-la. Não creias que tenho vindo para trazer a paz mas sim a luta da
alma". É verdade que depois de pagarmos o preço da dedicação à vontade do
Pai experimentaremos grande paz, contanto que sigamos progredindo pelos
caminhos espirituais do viver consagrado.
Agora, pois, estamos verdadeiramente
renunciando às atrações da conhecida ordem de existência convencional,
dedicando-nos sem reservas a buscar as atrações do desconhecido e inexplorado
dentro da existência de uma vida futura de aventura nos mundos espirituais do
mais elevado idealismo da realidade divina. 160:5.10-11
Passo 9: Comprometidos conosco
Avaliamos o custo e decidimos que a única
vida que vale a pena viver é aquela baseada na verdade e dedicada ao nosso
amoroso Pai celestial. Comprometemos sinceramente cada aspecto de nossa vida
com Deus e em fazer a sua vontade.
A beligerância nativa do homem primitivo, a
suspeita e a astúcia o manteve vivo num mundo hostil, e estes instintos de
auto-preservação ainda nos são úteis mas complicam o progresso espiritual pois
nos programam a não aprofundarmos a ponto de confiar. Mas, para entrar no
reino, isso é exatamente o que devemos fazer.
A vida no espírito é uma relação de
desenvolvimento progressivo de comunicação concorde entre nossa alma e seu
Fazedor. Atentos ao espírito de Deus, comprometemo-nos no avanço de fazer o que
quer que Deus queira que façamos, de forma instantânea e exata, indiferentes ao
custo ou às conseqüências aparentes. O progresso no reino é um processo
subjetivo e sutil, e prescrever fórmulas para seu alcance pode iludir alguém
que não compreendeu seu espírito intrínseco e, possivelmente, até preveni-lo
contra a coisa real. A vida no reino é um processo de libertação que requer,
com sinceridade e sem reservas, que entremos num caminho estreito e exigente,
certos de que numa terra distante encontraremos a paz, a alegria e a vida
eterna.
Entrar no reino exige que deixemos de lado
qualquer coisa, atividade ou relacionamento que se coloque entre nós e a vida
divina. Se nosso compromisso com Deus for outro que não o incondicional, se nos
apegarmos mesmo a algo pequeno, nosso compromisso espiritual é parcial pois
permanecemos na direção. Se obedecemos ao Pai noventa e nove entre cem vezes,
estamos refreando a obediência inquestionável porque cada situação nova reclama
um novo cálculo se iremos ou não, desta vez, seguir a direção divina.
Não obstante, deixando de fora o
comportamento há uma pequena diferença espiritual entre obedecer a Deus noventa
e nove por cento de vezes e um por cento de vezes, sendo uma diferença de mera
graduação. Somente na vida daqueles que decidiram avançar seguindo a vontade de
Deus, sem se importar com os custos ou conseqüências, pode o Pai expressar-se
plenamente.
E se pudéssemos viver dessa maneira, nem
que fosse por uma hora? Se os problemas que têm nos oprimido durante anos
pudessem repentinamente se afastar, para nunca mais voltar? Se pudéssemos
enxergar os anjos que caminham ao nosso lado, assistindo-nos em cada uma das
batalhas da vida? Se pudéssemos estar absolutamente seguros de que os
acontecimentos de nossa vida diária são parte de um grande plano designado por
um Ser onisciente?
O que coloca as coisas em movimento? Do
lugar onde nos encontramos agora, como podemos entrar neste reino maravilhoso?
Tentando encontrar a Deus, os ascetas mortificaram a carne : sentaram em água
fria, escalaram montanhas e suportaram as mais duras privações e sofrimentos na
esperança de ganhar o favor de um Deus severo, escondido. Na tentativa de
reduzir as distrações, que são uma parte natural do mundo que Deus criou para
que vivêssemos, monges têm mantido anos de silêncio estrito ou preenchido seus
dias com recitação de preces até que suas línguas se movam hipnotizadas pela
repetição monótona.
Outros procuram, em vão, controlar os
segredos do universo e conseguir o estado celestial aprendendo mais sobre o
Sustentador Universal, procurando encontrar a Deus pelo conhecimento. Porém,
nenhum destes caminhos extremos, por mais bem intencionados que eles possam
ser, levam a alma ao reino; antes, viver a vida pela fé em vigoroso contato com
o mundo que Deus nos deu. Tentarmos nos tornar melhores através de
subjugar nosso corpo ou educar nossa mente falham como maneira de encontrar a
Deus pois ambos os métodos deixam a pessoa no controle e a essência da vida no
reino é nossa submissão à direção de Deus. Procuramos o reino de Deus não para
submeter o mundo às nossas ordens mas para, através da fé, nos tornarmos
instrumentos efetivos ao fazer a vontade do Pai celestial.
Se esta recompensa vale seu preço, não
hesite; vá por si mesmo e converse com o Pai. Conte a ele o que você deseja na
vida, seus desejos e suas esperanças assim como sobre seus medos e seus
problemas. Invoque a coragem para dizer a ele que deste momento em diante você
quer viver no caminho dele, sem se importar com o custo aparente nas coisas e
relacionamentos deste mundo. Diga ao Pai que você confia plenamente nele, que
sua vida é dele, e que seu maior desejo é obedecer-lhe nas menores coisas. E
então, fique em silêncio e o ouça responder à sua alma, sua boas-vindas ao
reino espiritual.
O Pai purifica as máculas que mancham nosso
íntimo, limpando nosso coração. Conforme Deus vive em nós, e através de nós, nos
tornamos mais verdadeiros e menos sujeitos aos constrangimentos normais e
humanos; como agentes dele, que governa as circunstâncias dos mundos que giram
no espaço, realizamos mais. Trabalhando com Deus, Deus trabalha através de nós.
Entrar em seu reino de mistério clareia as cores e sombras do mundo que nos
rodeia; as folhas de cada carvalho parecem vibrar com gratidão pelo dom de
viver. Percebemos a aventura sem limites que Deus estende ante nós, nossa
pequena parte em sua história sem fim de misericórdia e providência.
Referências do Livro de Urantia:
Mesmo para aproximar-se do conhecimento de
uma personalidade divina, todos os dotes da personalidade do homem devem se
consagrar totalmente a esse esforço; resulta inútil uma dedicação indiferente e
incompleta. 1:6.5
Isolar parte da vida e chamá-la de religião
é desintegrar a vida e distorcer a religião. E é precisamente por isto que o
Deus de adoração exige fidelidade total ou nada. 102:6.1
O segredo da sobrevivência envolve-se no
supremo desejo humano de ser semelhante a Deus e na disposição vinculada de
fazer e ser toda e qualquer coisa essencial ao alcance final desta aspiração
dominante. 110:3.2
Quando o homem consagra sua vontade a fazer
a vontade do Pai, quando o homem dá a Deus tudo o que tem, Deus faz com que
esse homem seja mais do que é. 117:4.14
O que mais o rapaz ansiava fazer, realmente
estava inconscientemente fazendo-o. Assim foi e assim é, sempre. O que uma
imaginação humana esclarecida e reflexiva, que recebeu o ensinamento e a
direção espirituais e que deseja sincera e altruisticamente ser e fazer,
torna-se de forma comensurável criativa segundo o grau de dedicação do mortal à
execução divina da vontade do Pai. Quando o homem vai em parceria com Deus
podem ocorrer, e ocorrem realmente, coisas grandiosas. 132:7.9
"Os que buscam primeiramente entrar no
reino, esforçando-se por obter uma nobreza de caráter semelhante a de meu Pai,
possuirão todas as demais coisas que lhes são necessárias presentemente. Mas
vos digo com toda sinceridade : a menos que busqueis entrar no reino com a fé e
a dependência confiante de uma criança, de modo algum sereis admitidos."
137:8.8
O direito de entrar no reino está
condicionado pela fé, a crença pessoal. O custo de permanecer na ascensão
progressiva no reino é uma pérola de grande preço; para possuí-la, o homem
vende tudo o que tem. 140:8.28
"Os pagãos atacam diretamente para
obter seus objetivos; vós sois culpáveis da saudade excessiva e crônica. Se
desejais entrar no reino, porque o tomais como um assalto espiritual, assim
como os pagãos tomam uma cidade sitiada? Quase não sois merecedores do reino se
vosso serviço consiste, em grande parte, numa atitude de pesar pelo passado,
lamento pelo presente e esperança vã pelo futuro." 155:1.3
Quase todos os seres humanos tem apego a
algum mau vício que lhes é predileto, ao qual se requer como parte do preço de
entrado no ingresso ao reino do céu. 163:2.7
"Mas o Pai requer que o afeto de seus
filhos seja puro e total. Deve-se ceder de qualquer coisa ou pessoa que se
interponha entre vós e o amor pelas verdades do reino." 163:3.3
Jesus ensinou que, pela fé, o crente entra
agora no reino. Nos vários discursos, ensinou que duas coisas são essenciais
para, pela fé, ingressar no reino: 1. A fé, a sinceridade. Vir como uma criança,
para receber a concessão da filiação como um dom; submeter-se, sem perguntas, a
fazer a vontade do Pai, com uma confiança plena e genuína na sabedoria do Pai.
Entrar no reino livre de juízos prévios e de preconceitos; ter a mente aberta e
disposta a aprender como uma criança pura. 2. A fome da verdade. A sede de retitude, uma
mudança da atitude mental, a aquisição da motivação para ser como Deus e para
encontrar a Deus. 170:2.18
"Vós que quereis seguir-me, de agora
em diante deveis estar dispostos a pagar o preço da dedicação, de todo vosso
coração, a fazer a vontade de meu Pai. Se quiserdes ser meus discípulos, deveis
estar dispostos a abandonar pai, mãe, esposa, filhos, irmãos e irmãs. Se
qualquer de vós quiser agora ser meu discípulo, deveis estar dispostos a
abandonar mesmo vossa vida, assim como o Filho do Homem está a ponto de
oferecer sua vida para completar a missão de fazer a vontade do Pai, na terra e
na carne." 171:2.2
"Agora, então, cada um de vós deve se
sentar e avaliar o custo de ser meu discípulo. De agora em diante, não podereis
seguir-nos escutando os ensinamentos e contemplando as obras; tereis que
enfrentar perseguições amargas e dar testemunho deste evangelho frente a um
desapontamento esmagador. Se não estiverdes dispostos a renunciar a tudo o que
sois e a dedicar tudo o que tendes, não mereceis ser meus discípulos."
171:2.4
Passo 10: Orando
Através da oração, da meditação, da
adoração e da comunhão espiritual estamos melhorando nosso contato consciente
com Deus e compartilhando nossa vida íntima com ele.
O compromisso de nossas vidas com Deus é o
alicerce da oração, o processo pelo qual nós chegamos a conhecer ao nosso Pai
celestial.
Deus, sendo Deus, pode se comunicar conosco
por qualquer modo que escolha. Se ele raramente o faz de modo audível, isso se
deve à importância que ele vincula ao nosso crescimento na fé. Se a procura
pela orientação espiritual consistisse em não mais que ouvir uma voz ou
consultar um manuscrito num quadro negro, que objetivo haveria em viver pela fé?
O plano de Deus requer que confiemos em nossas convicções mais elevadas quando
o caminho está confuso, pois lutarmos com as incertezas da orientação interior
exercita nossa fé. Um pai está menos preocupado se a criança compreende um
trecho particular de um livro do que se a criança está aprendendo a ler; de
modo similar, o importante, na visão de Deus, não é se compreendemos
perfeitamente uma oração em particular, mas sim o processo de crescimento
associado à buscar a vontade de Deus. O que vem depois pertence ao nosso
relacionamento com ele; o anterior aponta somente detalhes.
O vital é que ouvimos à voz baixa e calma
do Pai, dentro de nossa alma, uma prática que requer concentração para captar o
timbre delicado ao qual nosso ouvido material é completamente surdo. A alma
tem, naturalmente, esta faculdade, mas essa requer persistência para que nos
tornemos aptos a distinguir a orientação de Deus da cacofonia que surge de
nossos próprios pensamentos aleatórios, assim como se requer a um homem do
campo a prática para distinguir a canção individual dos pássaros dos sons de
fundo da mata. O Pai tem muito para nos falar e nosso bem estar espiritual
depende de reservarmos um tempo para ouvi-lo.
A prece não pode ser aprendida em livros,
mas apenas pela experiência. A prece é a comunicação com o Fazedor e não uma
destreza retórica através da qual nossa linguagem floreada para supostamente
impressionar àquele que cinge as galáxias. A hora, o local e a forma de nossas
preces não são relevantes mas apenas a sinceridade e nossa boa vontade em ouvir
a resposta de Deus. Nós nos tornamos amigos de Deus no céu da mesma maneira com
que fazemos com qualquer um, despendendo tempo com ele - conversando, ouvindo e
repartindo nossa vida.
Compartilhamos com Deus aqueles assuntos diários
que ocupam nossa mente pois tudo o que nos preocupa, preocupa a ele também.
Porém, nossas orações não devem se degenerar numa lamentação egoística
ininterrupta de nossos problemas pessoais; não devemos negligenciar a
necessidade alheia que, usualmente, ultrapassa em muito a nossa. E também,
nossas preces nunca devem evoluir em petições para que Deus torne nossa vida
mais fácil, ou que nos prefira aos outros. Para situar nossas próprias
dificuldades em perspectivas mais reais devemos cultivar uma atitude de
gratidão e reconhecimento, lembrando de agradecer ao Pai pelas boas coisas que
ele nos tem dado a cada dia.
Nossa vida em prece nos liga ao mundo real
do espírito, abastecendo-nos para encarar nossos desafios e nossas dificuldades
como elas existem atualmente e não como desejaríamos que fossem, num mundo de
sonhos, de irrealidade. Quando temos problemas, a prece nos leva a examinarmos
a posição exata em que nos encontramos, como chegamos a ficar em tal dilema e
onde, provavelmente, vamos parar com a inércia para modificar o dinamismo da
situação.
A prece é um estímulo para a ação e não um
substituto desta. O Pai nos colocou neste mundo para participarmos da vida e
para construirmos um caráter mais forte superando suas inevitáveis
vicissitudes. Este propósito malograria e a indolência seria premiada se Deus
concedesse em nossas petições por coisas que estão dentro de nossa habilidade
humana alcançar, obter ou realizar. Deus planejou este mundo de forma a
requerer esforço para alcançarmos nossas metas e conquanto peçamos sempre ao
Pai por forças para levarmos a cabo nossas metas, jamais deveríamos esperar que
ele fizesse por nós o que já nos deu capacidade para realizarmos.
Para nossas preces serem eficazes, deveriam
ser focalizadas e específicas. Como, exatamente, desejamos que a situação se
modifique? Habitualmente, por apenas refletir na questão, a resposta óbvia
revela-se e nos permite redirecionar nossa energia humana para sua realização.
Nossa atitude global para com a vida é "Pai, sua vontade será feita"
mas, na prece, as generalidades a dissipam como a água se entorna de um balde.
Havendo meditado na situação com o melhor de nossa capacidade e chegado à
convicção sincera de que o melhor resultado é preocupante, sem hesitação
pedimos ao Pai que nos auxilie a encaminhá-la.
Nossa atitude de fé nos assevera que Deus
resolverá o problema da melhor maneira, mesmo que não seja pelos meios ou por
qualquer das alternativas que havíamos previsto. Mas os melhores efeitos da
prece não vêm dos anseios vagos ou das atitudes indefinidas, pois Deus deseja
que combatamos vigorosamente, criativamente, para resolver os problemas da
vida. Devemos orar intensamente em nossas dificuldades e, da mesma forma,
trabalhar arduamente para superá-las. Nossas preces não são hesitantes, tímidas
ou piegas mas, preferivelmente, declarações audaciosas de vitória do que é
melhor e do que é certo.
Comparecemos perante Deus como o fazemos
com um pai terreno, definindo a situação ou o problema exato, explicamos nossas
idéias conforme elas ocorrem e os resultados ou soluções que imaginamos como os
melhores, e recapitulamos o que temos feito até este ponto para resolver o
problema. Se não há mais nada que sejamos capazes de fazer para melhorar a
situação, somos chamados a, em completa confiança, pedir a Deus para nos
encaminhar a resolução que estamos convencidos de ser a melhor.
Se parece que Deus não responde às nossas
preces, não é porque ele não as ouviu, ou porque não se importa, ou porque está
muito ocupado. Uma prece aparentemente sem resposta pode significar várias
coisas : que ainda não exaurimos nossos recursos humanos para resolver o
problema; que, por razões que não compreendemos, seria prejudicial para nós
recebermos aquilo que procuramos, pelo menos da maneira como imaginamos; que
responder à nossa súplica privaria o livre arbítrio de um outro; que ainda não
é tempo; ou ainda que, de modo desconhecido para nós, a súplica foi atendida.
Afora essas exceções evidentes, devemos viver na certeza de que Deus responde à
cada uma de nossas preces.
A prece, a fé e a ação estão
espiritualmente atadas juntas. A prece gera a fé, a fé nos leva a orar, e ambas
nos levam a agir decisivamente de acordo com a direção de nosso Pai. Agir por orientação
espiritual, por sua vez, nos confere mais fé e eleva nossa vida em prece
segundo experimentamos a satisfação de uma vida espiritual vitoriosa.
A prece é real e deveria ser utilizada para
superarmos barreiras, como os exércitos antigos utilizavam as catapultas para
quebrar os portões das cidades inimigas. A prece, unida à fé e à ação, faz ruir
problemas pertinazes, sobrepuja dificuldades e traz o reinado de Deus de forma
mais plena ao nosso planeta em sofrimento.
Referências do Livro de Urantia:
Se queres que tua oração seja eficaz, deves
ter em mente as leis das petições que prevalecem:
- Deves qualificar-te como um orador
poderoso, que enfrenta sincera e valentemente os problemas da realidade do
universo. Deves possuir vigor cósmico.
- Deves honestamente haver esgotado a
capacidade humana de adaptação. Deves ser esforçado.
- Deves entregar todo desejo da mente e
todo anseio da alma ao abraço transformador do crescimento espiritual. Deves
haver experimentado um enaltecimento dos significados e uma elevação dos
valores.
- Deves, de todo coração, escolher a
vontade divina. Deves evitar o ponto morto da indecisão.
- Não somente reconheces a vontade do Pai e
escolheste faze-la, mas fizeste uma consagração incondicional e uma dedicação
dinâmica ao efetivo fazer a vontade do Pai.
- Tua oração será guiada exclusivamente
pela sabedoria divina para solucionar os problemas humanos específicos
encontrados na ascensão ao Paraíso — o alcance da perfeição divina.
- E deves ter fé: fé viva. 91:9.1-8
Fazer a vontade de Deus é, nem mais nem
menos, uma exibição da boa vontade da criatura de compartilhar a vida interior
com Deus : com o mesmo Deus que tornou possível essa vida de valor e
significado interior para a criatura. Compartilhar é semelhante a Deus : é
divino. 111:5.1
A adoração é o ato da parte que se
identifica com o Todo; o finito com o infinito; o filho com o Pai; o tempo, no
ato de marcar o passo com a eternidade. A adoração é o ato da comunhão pessoal
do filho com o Pai divino, é assumir atitudes agradáveis, criativas, fraternais
e românticas da parte da alma-espírito humano. 143:7.8
"Porém, quando orais, exerceis tão
pouca fé. A fé genuína é capaz de mover montanhas de dificuldades materiais
encontradas no caminho da expansão da alma e do progresso espiritual".
144:2.6
Jesus ensinava que a oração eficaz deve ser:
- Altruísta: não somente para si mesmo.
- Crente: de acordo com a fé.
- Sincera: de coração honesto.
- Inteligente: de acordo com a luz.
- Confiante: em submissão à vontade
onisapiente do Pai. 144:3.8
Quando estiveres totalmente dedicado a
fazer a vontade do Pai no céu, receberás resposta à todas as tuas súplicas,
porque orarás em total e pleno acordo com a vontade do Pai, e a vontade do Pai
sempre se manifesta em todo seu vasto universo. O que deseja o verdadeiro filho
e que é da vontade do Pai infinito, torna-se realidade. Tal oração não pode
permanecer sem resposta e não há outro tipo de súplica que possa ser plenamente
respondida. 146:2.7
"Eu vim do Pai; se, portanto, duvidas
do que podes pedir ao Pai, suplica em meu nome e eu apresentarei teu pedido de
acordo com tuas necessidades e desejos reais, e de acordo com a vontade de meu
Pai." 146:2.10
Mesmo os apóstolos eram incapazes de
compreender plenamente seu ensinamento sobre a necessidade de utilizar a força
espiritual no propósito de romper toda resistência material e para sobrepor-se
a todo obstáculo terreno que pudesse dificultar o alcance dos valores
espirituais fundamentais da nova vida no espírito como livres filhos de Deus.
166:3.8
Quando uma oração aparentemente não recebe
resposta, freqüentemente esta demora representa uma resposta melhor embora, por
alguma razão válida, seja demorada.... Não se nega resposta à nenhuma oração
sincera, exceto quando o ponto de vista superior do mundo espiritual encontrou
uma resposta melhor, uma resposta que satisfaz o pedido do espírito do homem em
constraste com a oração da simples mente humana. 168:4.5
Quanto tempo levará o mundo dos crentes
para compreender que a oração não é um processo para conseguir o que se quer
senão, melhor, um programa para aceitar o caminho de Deus, uma experiência de
aprendizagem para reconhecer e cumprir a vontade do Pai? É completamente
verdade que, quando tua vontade está verdadeiramente aliada com a vontade dele
poderás pedir tudo o que é concebido por essa união de vontades, e te será
concedido. Tal união de vontades efetua-se por Jesus e através dele, assim como
a vida da videira flui pelos ramos vivos e através destes. 180:2.4
Passo 11: Equilibrando o Físico com o Espiritual
Passamos por conflitos à medida que Deus
nos concede forças para trocar metas materiais por metas espirituais.
Equilibramos melhor nossas necessidades humanas com nossa vida no espírito.
Este passo diz respeito a conciliação do
total compromisso interior com as exigências da existência diária, equilibrando
o que é bom para nós com o que é bom para os outros. É possível viver neste
mundo e ainda, como disse Jesus, não ser deste mundo? Como podemos agir
espiritualmente quando estamos a cada segundo reféns da carne e do sangue? Como
podemos resistir a experimentar a raiva, a concupiscência, a ganância e o
egoísmo quando os instintos de sobrevivência programados dentro de nós pelo
Criador nos compele a reagir exatamente dessa forma? Seria o modo altruísta do
Mestre compatível com a rotina da vida, sem falar de alcançar um bom êxito
nessa empresa? Nosso instinto nos conduz a perpetuar a espécie e nos mantém
vivos num mundo muitas vezes cruel, mas como conciliar esses impulsos inatos
com seu oposto: as advertências de Jesus de dar nosso manto, de caminhar outros
mil passos, e de salvar nossa vida perdendo-a?
Aos olhos de Deus temos direitos como
indivíduos; ele não pretende que nossos semelhantes reivindiquem todo nosso tempo
e todas as nossas energias. O Pai nos criou como somos, e contanto que não
comprometamos nossa lealdade espiritual, ele tolera nosso desejo humano de
sucesso e realização. Deus nos deu nossos apetites e desejos triviais e
exatamente como não há nada de errado com a água contanto que um não se afogue,
inerentemente não há nada de errado ou maléfico em nossos impulsos humanos,
mesmo que eles devam por vezes ser contidos por elevadas considerações éticas.
A vida nova é vivida no mesmo mundo como no
velho mundo, e os pesquisadores espirituais não escapam de efetuar os múltiplos
amoldamentos diários que a vida requer. Se ignorarmos nosso próprio bem estar,
sem um zelador morreríamos rapidamente de inanição ou abandono. Se continuarmos
a viver exclusivamente para nós mesmos, como fazíamos na velha vida, que
diferença fez nosso recomeço? Como filhos e filhas renascidos espiritualmente
não devemos ficar em nenhum extremo, mas preferivelmente nos guiarmos pelos
atributos de bom senso e equilíbrio que nos foram dados por Deus. Deus não
exige ou espera que ignoremos nosso bem estar pessoal; seu desejo é que
altruisticamente subordinemos nossos interesses ao serviço aos outros,
lembrando que ele sabe de nossas necessidades pessoais, e confiando que ele as
suprirá.
Nosso Pai está bem ciente da transição
difícil pela qual devemos passar para nos adaptarmos à nossa nova vida no
espírito, e ele guiará com segurança cada alma confiada ao seu cuidado. Deus
pode equilibrar a necessidade de nosso corpo com o desejo de nossa alma e ele
exige somente nossa cooperação para que a transição seja positiva e produtiva.
Uma vez dentro dos portões do reino, a
batalha crítica foi vencida porém somente com bom senso e equilíbrio evitaremos
ações da retaguarda de extremos emocionais de egocentrismo materialista e
fanático, a pseudo-espiritualidade imatura. Não devemos desanimar quando os
hóspedes indesejados como a vingança, a raiva, a concupiscência ou a inveja
insinuarem suas indesejáveis presenças em nossa mente. Somente o tempo pode apagar
algum veneno mental de raiz profunda mas agora que o espírito de Deus está
entronado em nosso coração, podemos ter paciência enquanto ele nos transforma à
sua semelhança. A libertação da aflição emocional pode ou não vir rapidamente
mas a ansiedade relativa ao estado de nossa alma apenas irrita a crosta da
ferida que cicatriza.
O mundo espiritual é real e importante e
este mundo físico é real e importante ao oferecer, como o faz, experiências de
aprendizagem que nunca mais encontraremos em nossa ascensão, através das várias
mansões do universo do Pai. A necessidade corporal de alimento, abrigo e
vestimenta não é menos real que a necessidade da alma de fé, esperança e amor.
Vivemos nossos ideais o resto de nossos dias no estágio deste mundo físico que
encerra em si uma emaranhada e muitas vezes incongruente associação de
circunstâncias, pessoas e coisas na qual nos encontramos. As insistentes
exigências deste mundo físico providenciam um ingresso na verificação de nossas
intenções espirituais, prevenindo que elas se tornem meras abstrações ou
fantasias. Neste mundo somos obrigados a fazer concessões, a nos equilibrar e a
conciliar os interesses e as multiformes forças competitivas da melhor forma
que podemos e raramente nossa resposta triplamente amadurecida a estes
problemas complexos pode propiciar uma solução perfeita. A perfeição é nossa
meta, mas não é atingível neste mundo. O Pai leva tudo isso em conta e não
devemos retardar sua obra em nós pela auto-recriminação ou por pensamentos de
fracasso. Nossa embarcação foi lançada em águas não mapeadas de um caminho
eterno e o Poder que põe o universo em movimento pode fazer e fará por nós o
que humanamente seria impossível.
Referências do Livro de Urantia:
Os homens e mulheres conhecedores de Deus e
que nasceram da experiência do Espírito não experimentam conflito com suas
naturezas mortais mais do que o fazem os habitantes dos mais normais dos
mundos, que nunca foram manchados pelo pecado nem tocados pela rebelião. Os
filhos da fé trabalham em níveis intelectuais e vivem em planos espirituais
muito acima dos conflitos produzidos por desejos físicos desenfreados ou
desnaturalizados. Os estímulos normais aos seres animais e os apetites e
impulsos peculiares à natureza física não estão em conflito nem mesmo com as
mais altas realizações espirituais, exceto na mente das pessoas ignorantes, mal
instruídas ou, infelizmente, extremamente escrupulosas.
Havendo iniciado no caminho da vida eterna,
havendo aceito o dever e recebido tuas ordens para avançar, não temais os perigos
do esquecimento humano e da instabilidade mortal; não vos preocupeis com receio
do fracasso ou com a confusão desconcertante; não hesiteis nem questioneis
vossa condição e posição pois nas horas sombrias, em cada encruzilhada da luta
para seguir adiante, o Espírito de Verdade sempre falará, dizendo: "Este é
o caminho". 34:7.7-8
Quando se trata de conflitos cruciantes e
bem definidos entre as mais elevadas e as mais modestas tendências das raças,
entre o que realmente é certo ou errado (não simplesmente o que poderias chamar
de certo ou errado), podeis contar com o Modelador que sempre participará de
alguma forma definida e ativa em tais experiências. O fato de que tal atividade
do Modelador possa ser inconsciente para o companheiro humano não diminui, nem
no mínimo, seu valor e sua realidade. 108:5.9
O grande problema da vida é a adaptação das
ancestrais tendências de viver as exigências dos impulsos espirituais,
iniciados pela presença divina do Preceptor de Mistério. Embora na caminhada no
universo e no supra-universo nenhum homem possa servir a dois amos, na vida que
viveis agora em Urantia cada homem deve forçosamente servir a dois amos. Deve
ser hábil na arte do compromisso humano temporal contínuo concedendo ao mesmo
tempo a lealdade espiritual a um só amo; por isso tantos tropeçam e fracassam ,
esgotam-se e sucumbem à pressão do esforço evolutivo. 109:5.4
A mente humana não suporta bem o conflito
da dupla lealdade. É extenuante para a alma suportar a experiência de
esforçar-se para servir ao bem e ao mal. A mente supremamente feliz e
eficientemente unificada é aquela completamente dedicada a fazer a vontade do
Pai Celestial. Os conflitos não resolvidos destroem a unidade e podem findar na
ruptura da mente. Mas não se fomenta o caráter de sobrevivência da alma
tentando-se assegurar a paz mental a qualquer preço, abandonando aspirações
nobres ou comprometendo ideais espirituais; mais propriamente, tal paz se
alcança pela afirmação inquebrantável de triunfo do que é verdadeiro e esta
vitória se consegue vencendo-se o mal com a poderosa força do bem. 133:7.12
"Se bem que experimentareis grande
gozo no serviço de meu Pai, deveis também vos preparar para as dificuldades,
pois vos advirto que somente com muita tribulação é que muitos entrarão no
reino. Mas os que têm encontrado o reino, seu gozo será pleno, e serão chamados
os bem-aventurados de toda a terra." 137:6.5
Necessita-se tempo para que homens e
mulheres modifiquem, de forma ampla e radical, seus conceitos básicos e
fundamentais de conduta social, atitudes filosóficas e convicções religiosas.
152:6.1
"Tu sabes que muito freqüentemente os
homens são levados à tentação pelo ímpeto de seu próprio egoísmo e pelos
impulsos de sua natureza animal. Quando fores tentado desta maneira, advirto-te
que, honesta e sinceramente reconheças a tentação exatamente pelo que ela é e
que ao mesmo tempo redireciones com inteligência as energias do espírito, da
mente e do corpo, que buscam se expressar por canais mais elevados, rumo à
metas mais idealistas. Assim poderás transformar as tentações no mais elevado
tipo de ministério mortal edificante, evitando quase completamente esse
conflito ruinoso e debilitante entre a natureza animal e a natureza
espiritual." 156:5.4
A todos os crentes, avise de antemão que
terão de atravessar um mar de conflitos ao passar da vida, como é vivida na
carne, à uma vida mais elevada, como é vivida no espírito. Aos que vivem
completamente num dos âmbitos, existe muito pouco conflito ou confusão mas
todos estão destinados a experimentar maior ou menor insegurança nos tempos de
transição entre os níveis do viver. Ao entrar no reino, não podes escapar de
tuas responsabilidades nem evitar tuas obrigações, porém recorda : o jugo do
evangelho é leve e a carga da verdade é suave. 159:3.7
Ensinai a todos os crentes que os que
entram no reino não se tornam imunes aos acidentes do tempo nem às catástrofes
ordinárias da natureza. Vossa crença no evangelho não evitará os problemas mas
vos assegurará atuar sem medo quando os problemas vos colherem. Se ousardes
crer em mim e se me seguirdes de todo o coração, ao assim fazê-lo certamente
entrareis numa senda, em verdade, difícil. Não prometo libertar-vos do mar de
adversidades, mas vos prometo que atravessarei todas elas convosco. 159:3.13
Passo 12: Perseverando na busca
Perseveramos na busca confiando no programa
de Deus para nossa iluminação espiritual. Procuramos a sabedoria para entender
e a paciência para esperar na vontade de Deus em todas as coisas.
O Eclesiastes nos conta que para cada coisa
há um tempo. As maçãs não amadurecem após a primeira geada porque assim
queremos, mas porque seu tempo chegou. No que toca aos outros, o que queremos
raramente acontece de acordo com o desejado em nosso programa, se muito. As
conseqüências de nossas ações zombam de nosso controle, afetadas como elas são
por fatores incógnitos, além de nosso horizonte, e pequenas falhas e
contratempos nos permitem crescer na fé enquanto aguardamos os resultados
finais dos acontecimentos. Os resultados visíveis podem demorar bastante, ou
podem jamais considerar nossas ações, apresentando-nos situações nas quais o
exercício da paciência nos ensina a fazer o certo e o bom por sua própria
causa. Se fosse ser considerada uma recompensa imediata por ajudar ao outro,
tal serviço poderia se tornar nada mais que um cálculo egoísta, inaceitável
para Deus, que requer que sirvamos aos outros por amor, sem desejo ou
expectativa de recompensa pessoal.
Deus tem um programa perfeito para nossa
iluminação espiritual e, conhecendo todas as coisas, entrelaça de algum modo
todas as circunstâncias aparentemente fortuitas da vida, todas as atitudes,
todas as ações numa tapeçaria pessoal de simetria individual rica e ademais
única. O Pai rege as interassociações de todas as circunstâncias e gera nosso
crescimento quando o tempo é adequado. Podemos desejar intensamente que um
acontecimento se manifeste, mas nossos desejos pouco ou de nada servem no que é
divinamente possível nas circunstâncias e com as pessoas envolvidas para que as
conformá-las à nossa visão. As ocasiões iludem nosso controle frágil; as
oportunidades surgem como trutas por trás dos seixos de um rio e jamais
reaparecem, não importa quão pacientemente arremessemos a linha.
Jamais deveríamos esperar conseguir de
imediato tudo o que almejamos, sabendo que a vida simplesmente não funciona
desta forma e que o fruto da impaciência é a frustração e a amargura. O viver
diário prova que muitas vezes é necessário suportar situações desagradáveis, e
até por períodos longos. A fé também nos ensina mas, por acréscimo, ajuda-nos a
compreender quão oportuna é a mansidão. Antes, quanta paciência poderíamos
invocar na ausência de alternativas viáveis; agora, vemos o bem maior em
esperar no programa de Deus. O Pai nos deu nova percepção da obra de seu
universo, e concordamos com a retitude da mesma.
A persistência é especialmente importante
em nossas orações. A maioria dos problemas pelos quais suplicamos não comportam
soluções fáceis, mas devemos manter o ânimo. Receberemos respostas, que talvez
se demorem porque uma resposta melhor que a que tínhamos considerado esteja em
vista. Não importa o que, devemos perseverar e nunca desistir, mantendo uma
confiança inabalável na boa vontade e misericórdia de nosso Pai, e em sua
intenção de nos conceder os desejos retos de nosso coração.
A paciência nos é bem oportuna em todos os
aspectos de nossa vida. Aguardamos na palavra de Deus, reconhecendo que é ele
quem governa e não nós. Compreendendo que nossa vida e nosso caminho estão
seguros nas mãos amorosas e toda-poderosas de nosso Pai, encontramos
contentamento emocional e paz interior. Abandonamos as práticas fúteis e
frustrantes de tentar forçar os acontecimentos através do filtro preconcebido
de nossas expectativas pessoais ou tentando fazer os outros se conformarem à
nossa visão pessoal para suas vidas. Qualquer que seja a situação, ela
simplesmente é. Nosso dever é trabalhar arduamente de acordo com nosso senso de
direção divina, aceitando o mundo como ele é, rejeitando toda tentação
contraproducente de projetar nossos resultados favoráveis na inexorável
procissão de efeitos que seguem as causas ou o livre arbítrio das ações
alheias.
A paciência é um traço nobre, mas passivo.
A verdadeira persistência engloba a paciência mas requer, além disso, que nos
afirmemos vigorosamente na realização do que acreditamos que Deus tem para
cumprirmos, ignorando qualquer possível resistência e nunca se dando por
vencido. Nada, absolutamente nada pode impedir uma alma completamente dedicada
a fazer a vontade do Pai. Sacudimos o desânimo, continuando totalmente
confiantes na vitória final da retidão em nós mesmos e no mundo.
Referências do Livro de Urantia:
O Pai Universal revela a todos os seres
espirituais e a todas as criaturas mortais, de qualquer esfera e de qualquer
mundo do universo dos universos, toda a clemência e divindade de seu ser
capazes de serem discernidas ou compreendidas por tais seres espirituais e
criaturas mortais. 1:4.6
Esse, pois, é o curso primário ou elementar
que os peregrinos da fé comprovada, que tanto têm viajado no espaço, enfrentam.
Porém, muito antes de chegar à Havona, esses filhos que ascendem do tempo têm
aprendido a banquetear incertezas, a se fartar de desilusão, a se encher de
entusiasmo frente à derrota aparente, a revigorar-se na presença de
dificuldades, a exibir coragem indomável ante a imensidão e a exercer uma fé
inquebrantável ao se defrontarem com os desafios do inexplicável. Por muito
tempo, o grito de batalha destes peregrinos tem sido: "Com Deus, nada —
absolutamente nada — é impossível". 26:5.3
Posso te aconselhar a atender ao eco
distante do fiel chamado do Modelador à tua alma? O Modelador que habita teu
interior não pode deter e nem sequer alterar materialmente tua caminhada de
luta no tempo; o Modelador não pode diminuir as dificuldades da vida enquanto
atravessas este mundo de trabalho extenuante. O divino morador interior pode
tão só pacientemente abster-se enquanto lutas a batalha da vida tal como é
vivida em teu planeta; mas poderias, se apenas quisesses — ao trabalhar e se
preocupar, ao lutar e labutar — permitir que o valente Modelador te apresente
constantemente os quadros do verdadeiro motivo, do objetivo final e do
propósito eterno desta luta difícil e penosa com os problemas comuns de teu
presente mundo material. 111:7.2
Certo dia, ao perguntar Ganid a Jesus por
que não se dedicava a ensinar publicamente, respondeu-lhe: "Filho meu,
tudo tem de aguardar sua hora. Nasces no mundo, mas não há ansiedade nem
manifestação de impaciência capazes de te fazer crescer. Em todos estes
assuntos, há que se dar tempo ao tempo. Somente o tempo amadurecerá a fruta
verde na árvore. Uma estação sucede à outra, e o pôr do sol segue ao nascer do
sol apenas com o passar do tempo. Agora estou a caminho de Roma contigo e com
teu pai e isso é o suficiente por hoje. Meu amanhã está totalmente nas mãos de
meu Pai no céu". 130:5.3
A oração é o alento da alma e deve
conduzir-vos a persistir em vosso intento de conhecer a vontade do Pai. Se
algum de vós tem um vizinho e vai vê-lo à meia-noite para dizer-lhe:
"amigo, empresta-me três pães pois acaba de chegar um viajante amigo meu,
e nada tenho para lhe dar", e teu vizinho responde: "não me amoles;
minha porta já está fechada e eu e meus filhos já estamos deitados; por isso
não posso levantar-me e te dar o pão", mas perseverarás e explicarás que
teu amigo tem fome e que não tens comida para lhe dar. E eu te digo que se teu
vizinho não quiser levantar-se para te dar pão por amizade, se levantará e te
dará tantos pães quanto necessites simplesmente para que não o importunes mais.
Assim, pois, se a perseverança ganha o favor de um simples mortal, imagina
quanto mais ganhará vossa perseverança no espírito, em pão da vida das mãos
generosas do Pai no céu. Novamente vos digo: "pedi e vos será dado; buscai e
achareis; batei à porta e ela vos será aberta. Pois o que pede, recebe; o que
busca, acha e ao que bate à porta da salvação, esta lhe será aberta". 144:2.3
Nessa mesma noite Jesus fez aos apóstolos o
inolvidável discurso sobre o valor relativo da condição perante Deus e do
progresso na ascensão eterna ao Paraíso. Disse Jesus: "Filhinhos meus, se
existe uma ligação viva e verdadeira entre o filho e o Pai, com certeza o filho
progredirá continuamente em direção aos ideais do Pai". É verdade que, no
princípio, o filho poderá progredir lentamente mas esse progresso será,
todavia, seguro. O importante não é a rapidez de vosso progresso mas sim sua
certeza. Vossa realização atual não é tão importante quanto o fato de que vosso
progresso é em direção a Deus. O que chegais a ser dia após dia é infinitamente
mais importante que o que sois hoje. 147:5.7
Passo 13: Adquirindo perspectiva
Começamos a apreciar as inevitabilidades e
as compensações da vida à medida que principiamos nossa infindável exploração
da criação de Deus.
De uma perspectiva humana, muito da vida
parece ser injusto ou trágico. Um acidente de automóvel, uma carta inesperada -
o menor giro do caleidoscópio e tudo se modifica. A perspectiva espiritual é um
horizonte mais largo, que reconhece a autoridade absoluta de Deus sobre o mundo
invisível, que ampara a criação física e é subjacente à ela. Os caminhos de
Deus parecem misteriosos apenas porque as limitações de nossa perspectiva nos
impedem de entender a verdadeira natureza dos eventos. Os acontecimentos do
dia-a-dia de nossa vida são mais fáceis de serem aceitos logo que compreendemos
que a mão de Deus também causa, ou permite, tudo o que acontece. Tal
perspectiva nos conforta no abatimento da tristeza, quando chegamos a
compreender que nosso Pai pode transformar mesmo a dor da angústia no coração
num bem real. Deus nos dá o que é bom, ao passo que permite o que é
desagradável apenas quando seus planos requerem que se remova algo, uma
situação ou um relacionamento que se encontra no caminho de expansão da nossa
alma, ou quando tais acontecimentos auxiliarão na construção em nós do aço
temperado do caráter genuíno. Nosso Pai não nos livra do sofrimento mas o
suporta conosco, em amorosa companhia.
Jamais Deus quer que qualquer de seus
filhos seja ofendido, mas ele permite que coisas dolorosas aconteçam quando
elas se fazem necessárias para que aprendamos as lições da vida e mesmo então
ele transforma o sofrimento que experimentamos em educação que enriquece nossa
alma. Com nossa cooperação, ele transmuta até mesmo nossas experiências
lamentáveis em bem final infundindo-os de valor espiritual, entrelaçando nossos
erros e negligências em seu plano que abarca o todo, para a evolução dos
universos.
Algumas das tragédias da vida são causadas
por circunstâncias físicas inseparáveis da vida num planeta governado por leis
físicas confiáveis, tais como quando uma avalanche esmaga um alpinista
despreparado. As rochas caem por causa da gravidade, uma lei física ordenada
por Deus que sempre puxa para baixo objetos em desequilíbrio e sem apoio. A
morte do alpinista é uma tragédia para ele e para aqueles que o amavam ou que
dele dependiam, mas seria uma tragédia ainda maior se a gravidade se tornasse
uma força caprichosa na qual não se pudesse confiar para um trabalho
consistente. Por outra perspectiva o livre arbítrio requer que o montanhista
não seja prevenido de escalar pela rota perigosa, de sua escolha, porque o
plano de Deus para nossa educação e avanço necessita que estejamos em contato
com a realidade, sem abrandamento e que, de modo relativo, exercitemos uma
total liberdade de ação se desejamos crescer.
Outras tragédias são causadas pela malícia
ou incúria de algumas pessoas para com as outras. Deus permite tais ofensas
porque seu respeito pelo nosso livre arbítrio se aplica ao bem assim como ao
mal, e o autêntico livre arbítrio deve abarcar a liberdade de agir de forma
errada. Nosso Pai deseja que seus filhos e filhas amem e sirvam aos outros
voluntariamente, num desejo sincero, e isso requer liberdade para agir de outra
maneira. Mas quando a ofensa atinge aqueles cuja vida é dedicada a ele, quer
seja causada por forças físicas ou pela atividade de outros, o Pai reconfigura
o resultado de tais acontecimentos dolorosos ou ações maléficas em bem final
para todos os interessados.
Quem pode sondar a majestade do Criador ou
prefigurar sua presciência ou sua sabedoria? Quem poderia ter planejado, de
modo mais perfeito, sua própria vida? Quem crê que seu próprio julgamento é
mais confiável ou que sua motivação é maior? De quem é a inteligência que
melhor compreende as conseqüências dos acontecimentos que se estendem por
galáxias e eras? O Pai das luzes vive e assenta-se sobre a criação no eterno
presente, sustentando e mantendo a existência de cada ser e coisa através da
insondável sabedoria de sua mente infinita. Ver a vida como o Pai o faz é vê-la
em perspectiva mais real, na qual descobrimos seus propósitos por entre as
conversas variadas da vida diária, adquirindo forças ao viver como se o
enxergássemos, a ele que é invisível.
Sentados num penhasco rochoso, lançamos o
olhar sobre a cidade conforme o sol se põe atrás de nós. As luzes das ruas
acendem-se gradualmente, em listas aleatórias, e assistimos a um grupo de
carros enfileirados no caminho do trabalho ao lar. Ponderamos as vidas e
problemas discrepantes representados por aqueles faróis — os empregos que estão
deixando e suas famílias, amigos ou a solidão à qual retornam. Como o Pai é
capaz de referir-se a cada um deles ultrapassa o entendimento humano; tão só
sabemos que ele o faz. Deus vive de modo transcendental no Paraíso, mas também
em todo coração. Seu chamado de amor ecoa por corredores desertos e seus braços
suportam o ferido. Sua majestade sacode robustas montanhas e seus olhos nada
perdem. Ele atravessa as eras para nos encontrar onde e como somos, e nos
convida a tomar o lugar pretendido por nós na interminável expansão do universo
feito por ele. À medida que nossa caminhada espiritual continua, aprendemos
mais sobre os eternos propósitos de Deus, um pouco aqui, outro tanto lá, e cada
vez mais acumulamos uma perspectiva cósmica que nos preenche. Experimentamos o
amor de nosso Pai e nos tornamos mais seguros de que ele sempre está conosco.
Referências do Livro de Urantia:
A confusão e o tumulto em Urantia não
significam que os Governantes do Paraíso careçam de interesse ou de habilidade
para conduzir os assuntos de forma distinta. Os Criadores possuem pleno poder
para fazer de Urantia um verdadeiro paraíso, mas tal Éden não contribuiria para
o desenvolvimento daqueles traços fortes, nobres e experimentados que os Deuses
com tamanha certeza forjam em vosso mundo entre a bigorna da necessidade e o
martelo da angústia. Vossas ansiedades e vossos pesares, vossas provas e
desilusões, tanto são parte do plano divino em vossa esfera como o são a
perfeição rara e a adaptação infinita de todas as coisas ao seu propósito
supremo nos mundos do universo central e perfeito. 23:2.5
Mas inerente a esta capacidade de
realização está a responsabilidade da ética, a necessidade de reconhecer que o
mundo e o universo estão plenos de uma multidão de diferentes tipos de seres.
Toda esta magnífica criação, incluindo a ti mesmo, não foi feita somente para
ti. Este não é um universo egocêntrico. Os Deuses têm decretado: "É mais
nobre dar que receber"; e disse vosso Filho Soberano: "O que for o
maior entre vós, seja o servidor de todos". 28:6.18
O universo dos universos, incluindo este
pequeno mundo chamado Urantia, não se administra meramente de acordo com nosso
beneplácito nem com nossa conveniência, muito menos conforme nossos caprichos
ou para satisfação de nossa curiosidade. Os seres sábios e todo-poderosos que
têm a responsabilidade da administração do universo, indubitavelmente sabem bem
o que têm de fazer; e assim, condiz aos Portadores da Vida e cabe à mente
mortal abraçar a causa em paciente espera e entusiástica cooperação com as
regras da sabedoria, o reino do poder e a marcha do progresso. 65:5.3
Vós, humanos, haveis começado um desdobrar
sem fim de panorama quase infinito, uma expansão sem limites e sem fim, de
esferas de oportunidade em constante ampliação para o serviço regozijante, a
aventura ímpar, a sublime incerteza e o alcance ilimitado. Quando as nuvens se
acumulam no alto, vossa fé deve aceitar o fato da presença do Modelador
interior, e assim deverias poder contemplar, além das névoas da incerteza
mortal, o brilho claro do sol da retitude eterna nas acolhedoras alturas dos
mundos de morada... 108:6.8
Os mortais, cujas unidades de tempo são
curtas, praticam a paciência; a verdadeira maturidade transcende a paciência
pela mansidão nascida do real entendimento.
Amadurecer significa viver mais
intensamente no presente, escapando ao mesmo tempo das limitações do presente.
Os planos da madureza, fundados na experiência passada, estão se concretizando
no presente para, de tal maneira, enaltecer os valores do futuro.
A unidade de tempo da maturidade concentra
o significado-valor no momento presente de uma maneira tal como para divorciar
o presente de sua autêntica relação com o não presente, o passado-futuro. A
unidade de tempo da maturidade está dimensionada para assim revelar a relação
coordenada do passado-presente-futuro em que o eu começa a adquirir
discernimento na totalidade dos acontecimentos, começa a visualizar a paisagem
do tempo a partir de uma perspectiva panorâmica de horizontes ampliados, começa
talvez a pressentir o contínuo eterno, sem começo nem fim, cujos fragmentos se
chamam tempo. 118:1.6-8
Não desanimeis ao descobrir que sois
humanos. A natureza humana pode ter tendência ao mal, mas não é inerentemente
pecaminosa. Não fiqueis deprimidos por vossa incapacidade de esquecer por
completo algumas de vossas experiências mais lamentáveis. Os erros que não podeis
esquecer no tempo serão esquecidos na eternidade. Aliviai a carga de vossa alma
adquirindo depressa uma perspectiva mais ampla de vosso destino, uma expansão
no universo de vossa caminhada. 156:5.8
Infalivelmente, os seres humanos se
desalentam quando vêem unicamente as efêmeras transações do tempo. O presente,
quando divorciado do passado e do futuro, torna-se exasperantemente trivial.
Somente um vislumbre do círculo da eternidade pode inspirar o homem a dar o
melhor de si mesmo e fomentar o melhor que há nele à sua expressão máxima.
160:2.9
"Não se atribule vosso coração; todas
as coisas trabalham juntas para a glória de Deus e para a salvação dos
homens." 182:2.1
Ensinou os homens a terem a si mesmos em
grande estima, no tempo e na eternidade. Por causa da grande estima que Jesus
tinha pelo homem, estava disposto a investir no serviço incansável à
humanidade. E foi este valor infinito do finito que fez a regra de ouro, um
fator vital em sua religião. Que mortal pode deixar de sentir-se elevado pela fé
extraordinária que Jesus tem nele? 196:2.10
Passo 14: Adquirindo fé
Adquirir a fé que Deus planejou para nós é
incomparavelmente melhor que qualquer um de nossos próprios projetos, e nossa
maior felicidade consiste em fazer sua vontade. Experimentamos a liberdade
espiritual de aceitar do Pai nossas incumbências em prol dos resultados dos
acontecimentos que tomamos ao nosso encargo, na fé.
A fé é uma expressão de uma lei universal
baseada na confiança sincera no Soberano dos universos e em sua capacidade de
executar, sem limites ou obstáculos, sua vontade na terra e em nossa vida. Mas
como podemos conhecer a vontade de nosso Pai à medida que os caminhos e as
oportunidades aparecem e se modificam ante nós? Como podemos saber com maior
segurança se estamos fazendo sua vontade conforme tentamos responder à direção
divina interior de nossa alma?
Neste mundo há poucas coisas das quais
alguém pode estar realmente seguro; a bifurcação na estrada muitas vezes está
diante de nós antes que estejamos prontos para escolher nosso caminho, e
retardar pode prejudicar a oportunidade. Em tal caso devemos simplesmente agir,
confiando na orientação divina. Se temos suplicado pelo conhecimento da vontade
de Deus numa situação particular, quando chega a hora da decisão, evitar a ação
por estarmos paralisados pelo medo de que podemos errar faz do erro uma certeza
virtual.
Quando estamos fazendo o melhor para viver
a vontade do Pai, somos chamados a agir decididamente com fé, mesmo quando a
questão é nebulosa e estamos confusos. Hesitação, timidez e meias-medidas
envenenam a fé e sentenciam ao malogro mesmo uma escolha, por outro lado,
correta. Quando chega a hora da decisão, deveríamos ser capazes de dizer,
"Pai, este é o rumo que acredito desejas que eu tome e a menos que me digas
de outra maneira, vou caminhar avante nessa direção".
As nações constroem frotas que, em tempos
de guerra, podem travar combate com o inimigo, e não para ficar em segurança no
porto. Do mesmo modo, Deus nos colocou na terra para participar da vida e por essa
razão preocupa-se ao ver-nos covardemente atracados por medo do que os mares
altos da vida podem conter, receosos de experimentar aquilo pelo qual ele nos
colocou aqui. Ele quer que nos lancemos confiantes de que ele pode e adaptará
nossos rumos ao longo dos caminhos mapeados pela sabedoria infinita.
A fé-ação de ser tomada a encargo em total
confiança ou, de outro modo, onde está a fé? Em tal situação, ainda que
erremos, Deus tornará nossa escolha correta e trará um bom resultado, apesar de
nossos enganos. Quando nosso rumo comporta a verdade maior, a bondade e o amor,
e os levamos conosco de acordo com a direção divina e no melhor de nossa
capacidade, ele torna certo aquele rumo, mesmo que a decisão, por si, possa ter
tido até um alto grau de imperfeição. O Pai conhece as limitações de nossa
mente e de nossa natureza, aceita-nos como somos, e acomoda seus planos de
perfeição para que se amolde às circunstâncias de seus filhos aqui na terra,
permitindo assim que sejamos companheiros dele na realização de nosso destino
eterno.
Os atos de fé sempre são consistentes com a
verdade, a beleza, a bondade e o amor e quando estamos confusos quanto à
direção do Pai, esses valores sugerem sua vontade pois é inconcebível que Deus
nos conduza a fazer qualquer coisa inverídica, torpe ou desamorosa. A maioria
dos problemas diários carecem de uma dimensão espiritual óbvia; de qualquer
modo, devemos fazer nossas escolhas baseados no usual senso comum apoiados pelo
conselho sadio dos amigos. Mesmo nessas situações, não devemos descuidar do
senso da direção de Deus pois, como um bom pai, ele se interessa pelos detalhes
de nossa existência diária, para que vivamos uma vida feliz e produtiva mas
especialmente para que nossa alma prospere.
A fé injeta a força de Deus nos acontecimentos
de nosso mundo trivial, infundindo-o de divino propósito. A fé não é
simplesmente a convicção de que Deus existe, mas de que ele age e que é
poderoso para nos auxiliar nas batalhas da vida. A fé desata a energia interior
que quebra toda barreira, que ganha de todo inimigo, que domina todo vício, que
subjuga toda inabilidade e que sossega todo medo. A fé assenta nossos pés na
eterna estrada, no fim da qual está o Paraíso e Deus mesmo. A fé liga nosso
coração ao Soberano dos universos e revela metas, propósitos e visões que nos
capacitam a percorrer a distância final após, de forma terrena, malograrem
todas as coisas.
O Pai das luzes caminha ao lado da
carruagem de nossos sonhos, aclarando o caminho ante os puros de coração. Deus
concede a paz interior àqueles cuja fé está ancorada à rocha de sua soberania,
àqueles que compreendem que ele faz bem todas as coisas. Quer a vida seja longa
ou curta, a fé sustenta a grande realização humana e impele nossa alma para a
vida eterna, onde igualmente grandes realizações acenam aos filhos e filhas de
Deus.
A fé é o processo pelo qual chegamos a
conhecer nosso Fazedor. A fé esclarece mistérios, abre as portas das prisões,
explora profundezas cavernosas e salva almas que caíram na armadilha da
desesperança ou da corrupção. A fé educa o jovem estudioso do espírito; sua
rede nos traz todas as boas coisas quando a lançamos corajosamente. A fé abre
olhos antes cegos pelas distrações de uma era materialista mas nunca nos mostra
tudo o que podemos ver pois o Criador infinito, em quem nossa fé se focaliza,
reside em mistério inescrutável. Por meio da nossa fé, o Pai tranqüiliza nossos
pensamentos distraídos, conforta nossa alma e ilumina os caminhos do viver reto
no reino do espírito, onde Deus tem preparado nosso eterno lar.
A fé conforta a alma perturbada do homem
moderno e sossega sua mente cercada de tensões e estresses da existência
física. A fé abre nossa alma para Deus, que nos envolve, revelando o que é mais
proveitoso na existência humana.
Deus recolhe as migalhas de nossa fé e as
multiplica em cestos cheios. Ele nos toma como crianças confusas, e devolve
como santos amadurecidos. Deus se inclina para o jardim de nossa fé com
ferramentas afiadas, de olhar atento e num contato amoroso. Ele faz girar o
mundo para que o sol possa nutrir nossas folhas e impele as nuvens para que
elas nos sirvam. Ele busca as raízes superficiais, os rebentos vulneráveis de
nossa fé, arranca a erva daninha asfixiante e poda nossos galhos errantes para
que, no seu tempo, possamos nos tornar árvores maduras.
Mais adiante em nossa jornada, o que tão só
se acreditava converte-se em conhecido. Mas o objeto da fé move-se sempre para
mais alto, do que nossa mente possui em plenitude ao que ainda está por
focalizar-se : a colina sobre a cadeia de montanhas, ainda enevoada para o
peregrino viajante, um desafio ao fortalecimento de seus pés. A fonte da fé é
só Deus, que também é o destino, o lar rumo ao qual viajamos e a quem
percebemos sempre mais claro como Pai.
Referências do Livro de Urantia:
A providência de Deus consiste nas
atividades entrelaçadas dos seres celestiais e dos espíritos divinos que, de
acordo com as leis cósmicas, laboram incessantemente para honrar a Deus e pelo
avanço espiritual de seus filhos do universo. 4:1.1
No homem mora espiritualmente um Modelador
do Pensamento, que sobrevive. Se a mente deste homem está sincera e
espiritualmente motivada, se a alma humana deseja conhecer a Deus e parecer-se
com ele, se com franqueza deseja fazer a vontade do Pai, não existe influência
negativa de carência mortal nem força positiva que possa interferir para tolher
a ascensão da alma divinamente motivada, seguramente, aos portais do Paraíso.
5:1.7
A mente mortal pode imediatamente pensar em
mil e uma coisas — catástrofes físicas, acidentes espantosos, desastres
horríveis , enfermidades dolorosas e calamidades mundiais — e indagar-se se
tais sucessos estão em correlação com os desígnios desconhecidos da provável
ação do Ser Supremo. Francamente, não o sabemos : não estamos realmente
seguros. Mas observamos que, conforme o tempo passa, todas estas situações
difíceis e mais ou menos misteriosas têm sempre como resultado o bem-estar e o
progresso dos universos. 10:7.5
Existe um propósito grande e glorioso na
marcha dos universos através do espaço. Todas as vossas lutas mortais não são
em vão. Somos todos parte de um imenso plano, uma gigantesca empresa e é a
vastidão desta empresa o que converte em impossível poder ver muito dela num
determinado tempo, durante uma vida qualquer. Todos formamos parte de um
projeto eterno que os Deuses estão supervisionando e efetuando. Majestosamente,
a totalidade do mecanismo universal segue sua marcha através do espaço ao
compasso da música do pensamento infinito e do eterno propósito da Primeira
Grande Fonte e Centro.
O eterno propósito do Deus eterno é um
ideal altamente espiritual. Os acontecimentos do tempo e as lutas da existência
material não são senão o andaime transitório que faz uma ponte com o outro
lado, com a terra prometida da realidade espiritual e da existência celestial.
32:5.1-2
Na mente de Deus há um plano que envolve
cada criatura de todos os seus vastos domínios e este plano consiste num eterno
propósito de amplas oportunidades, de progresso ilimitado e vida sem fim. E os
tesouros infinitos dessa caminhada incomparável são vossos apenas por lutar!
O objetivo da eternidade os aguarda! A
aventura do alcance da divindade encontra-se diante de vós! A caminhada pela
perfeição prossegue! Quem quer que deseje pode participar e a vitória certeira
coroará os esforços de cada ser humano que participa da caminhada de fé e
esperança , a cada passo contando com a orientação do Modelador interior e com
a direção desse bom espírito do Filho do Universo, que prodigamente tem se
derramado por toda a carne. 32:5.7-8
Conquanto seja totalmente verdade, para
quem tenciona e leva a efeito o mal, que o bem não pode provir do mal, é
igualmente verdade que todas as coisas (incluindo o mal, potencial ou manifesto)
cooperam para o bem de todos os seres que conhecem a Deus, que amam fazer sua
vontade e que estão ascendendo ao Paraíso de acordo com seu plano eterno e
divino propósito. 54:4.7
Quando os Modeladores do Pensamento moram
na mente humana, trazem consigo as caminhadas modelo, as vidas ideais, tal qual
determinadas e preordenadas por eles mesmos e pelos Modeladores Personalizados
em Divininton, as quais tem sido certificadas pelo Modelador Personalizado de
Urantia. Assim iniciam sua tarefa com um plano definido e predeterminado para o
desenvolvimento intelectual e espiritual de seus sujeitos humanos, mas não é
obrigação de nenhum ser humano aceitar este plano. Estais todos sujeitos à
predestinação, mas não está preordenado que deveis aceitar esta predestinação
divina; tendes plena liberdade para rejeitar qualquer parte ou todo o programa
dos Modeladores do Pensamento. 110:2.1
"A ação é nossa; as conseqüências, de Deus." 117:5.5
"Ganid, tenho absoluta confiança na
proteção de meu Pai celestial. Estou consagrado a fazer a vontade de meu Pai,
que está no céu. Não creio que possa acontecer-me algum dano real; não creio
que a obra de minha vida possa realmente estar em perigo sob o mando opressor
de meus inimigos e certamente não temos violência alguma a temer por parte de
nossos amigos. Estou absolutamente convencido de que o universo inteiro é
cordial para comigo — insisto em crer nesta verdade toda-poderosa com a mais
sincera confiança, em que pese as aparências em contrário." 133:1.4
Os demais, ao verem que Maria havia ido
saudar a Jesus, retiraram-se à curta distância, enquanto Marta e Maria estavam
com o Mestre e dele recebiam palavras de consolo e exortações para manterem-se
firmes em sua fé no Pai e resignarem-se completamente à vontade divina.
168:0.11
Passo 15: Experimentando segurança
Apreciamos melhor o encorajar incessante de
Deus ao nosso crescimento espiritual. Tornamo-nos inteiramente confiantes no
amor incondicional de nosso Pai e começamos a experimentar aquela paz interior
que ultrapassa a compreensão.
O esgotamento de nossos recursos íntimos o
demonstra e nossos ombros caem como se suportassem baldes de lama. Quando o
medo ou a culpa sobrecarregam nossa mente, não somos capazes de agir efetiva ou
decididamente mas quando nosso estado íntimo está em harmonia com o universo,
pouco pode nos parar : as estradas se endireitam sob nossos pés, exércitos
invisíveis nos amparam na batalha, grandes problemas se encolhem, pequenos
problemas desaparecem, fantasmas interiores somem e nossa mente se aclara para
a ação efetiva.
O amor de Deus é incondicional e a garantia
que ele dá desse amor sempre esteve disponível. Como um agricultor lançando as
sementes de milho no solo indiferente, o Pai oferece continuamente sementes
espirituais de fé e amor às nossas mentes não-receptivas, na esperança de que
ao menos algumas deitem raízes. Ele conhece nosso tempo e as ocasiões, quando
regar e quando adubar, fazendo sempre o máximo daquilo que lhe ofertamos. O
conforto e a segurança que experimentamos de modo crescente demonstram que ao
menos um pouco destas sementes começaram a se desenvolver. Conhecemos esta paz
espiritual quando a temos mas, de modo muito mais vívido, quando destituídos e
despojados ao parecer estar temporariamente além do nosso alcance.
Existe um ritmo na vida e nos casos
humanos; a paz duradoura e profunda nem sempre é alcançável. As emoções nascem
do sobe e desce das circunstâncias e nos sentimos como se entrássemos e
saíssemos da sincronia como nosso Fazedor. Não obstante, Deus não quer que nos
retiremos em reclusão para evitar distúrbios e confusões, inseparáveis de uma
vida ativa mas, antes, ele deseja que levemos conosco sua segurança, uma
cortina cintilante de sanidade para envolver os problemas deste mundo de
dissensões e lágrimas, para que os vejamos de outra forma, em paz e
perspectiva.
Os resultados de nosso trabalhos são
incertos, mas nossas metas não. Enxergamos nosso mundo através de lentes, de
modo obscurecido, mas a paz permeia e banha nossa alma com a confiança. Não
sabemos aonde a estrada conduz, somente que o amor de Deus repousa sobre nós,
oferecendo-nos a recompensa das idades; estamos manchados com a sujeira do
viver diário mas, por dentro, estamos limpos.
Tudo parece bem quando, repentinamente, o
dia começa a ficar escuro e os trovões que se avizinham sacodem a terra como
uma barragem de artilharia. Relâmpagos dançam por entre nuvens pardas e
revoltas, ferindo o céu. Um temporal de granizo anuncia a beira da frente de
batalha e então toda a força da tempestade está sobre nós — árvores se racham,
explodindo à medida que raios faiscantes buscam a terra; fragmentos de vidro
quebrado das janelas arrebentadas estouram sobre nossa família encolhida;
ventos assaltam os beirais da casa, a estrutura verga; divisórias e telhas se
rompem e se batem violentamente como a macela sobre o campo. Seguramos nossos
filhos aterrorizados bem apertado e suplicamos a Deus para que os proteja mas,
por nós, não nos queixamos dos ferimentos ou ainda da morte pois confiamos as
conseqüências dos acontecimentos além de nosso controle às mãos de Deus,
serenos e seguros sob seu amor e poder.
Quando a turba viciosa se enfurece às
portas da cidade; quando os milhares de dentes da engrenagem trituram nossos
planos, levando-os ao malogro; quando as ondas da tempestade inundam nossas
amuradas rasas; quando os parentes nos rejeitam, os amigos abandonam e os
inimigos se regozijam com nosso mal; quando o dinheiro esbanjado significa
nossa bancarrota; quando o telefone não traz nada além de novas que detestamos
e todas as coisas oscilam de modo terreno - ainda há um lugar onde estamos
seguros; existe Alguém que conforta nossa alma na mais escura noite.
Pai, amamos a ti pelo que tu és e por tudo
o que fazes por nós. Precisamos de sua ajuda quando nos ferimos e sabemos que
respondes antes mesmo que te perguntemos. Tu nos deste nossa vida e a graça de
suportar. Anelamos conhecer com plenitude a presença de teu espírito. Tu
atendes às súplicas de nossa alma e nos conta os segredos das esferas, antes
das palavras, e após auscultar. Outros gritam porém tu sussurras, banhando
nossa alma em luz eterna. Falas a língua dos corações, estendendo a orla do
inescrutável, do além do conhecimento humano. Ensinaste a gaivota a voar,
modelaste o álamo e o salgueiro e criaste cada erva daninha e cada cristal.
Acima de tudo e antes de tudo, te adoramos, Fonte de vida.
Referências do Livro de Urantia:
Ao homem mortal, é impossível conhecer a
infinitude do Pai celestial. A mente finita não pode conceber tal verdade ou
fato absoluto. Mas este mesmo ser humano finito pode realmente sentir -
literalmente experimentar - o efeito pleno e sem diminuição do AMOR desse Pai
infinito. 3:4.6
Se o homem mortal estiver espiritualmente
motivado de todo coração e, sem reservas, consagrado a fazer a vontade do Pai,
então, posto que está certa e efetivamente dotado pelo Modelador divino que
habita em seu interior, não pode deixar de materializar na experiência desse
ser a consciência sublime de conhecer a Deus e a excelsa segurança de
sobreviver com o propósito de encontrar a Deus ao, progressivamente, fazer-se
cada vez mais semelhante a ele. 5:1.6
E quando essa vida guiada pelo espírito é
livre e inteligentemente aceita, desenvolve-se gradualmente na mente humana uma
consciência inequívoca do divino contato e a certeza da comunhão espiritual;
cedo ou tarde, "o Espírito testemunha com teu espírito (o Modelador) que
és uma criatura de Deus..."
A consciência da dominação do espírito numa
vida humana em breve acompanha-se de demonstrações cada vez maiores das
características do Espírito nas reações da vida de tais mortais guiados pelo
espírito, "porque os frutos do espírito são o amor, a alegria, a paz, a
resignação, a doçura, a bondade, a fé, a humildade, a temperança". Estes
mortais, guiados pelo espírito e divinamente iluminados, mesmo quando caminham
pelas sendas humildes do trabalho penoso, cumprindo com lealdade humana as
obrigações de seus deveres terrenos, já começaram a discernir as luzes da vida
eterna que centelham nas orlas distantes de outro mundo; já começaram a compreender
a realidade desta verdade inspiradora e reconfortante, "o reino de Deus
não é comida nem bebida mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo".
Através de cada prova, frente a cada penúria, as almas nascidas do espírito são
sustentadas pela esperança que transcende todos os temores, porque o amor de
Deus se espalha por todos os corações através da presença do Espírito divino.
34:6.12-13
Jesus ilustrou a profunda segurança do
mortal que conhece a Deus quando disse: "Para um crente do reino, que conhece
a Deus, que importa se todas as coisas mundanas sucumbem?" A segurança
temporal é vulnerável, mas a certeza espiritual é inabalável. Quando as marés
da adversidade humana, do egoísmo, da crueldade, do ódio, da maldade e da
inveja golpeiam a alma mortal, podeis repousar na segurança de que existe um
bastião interior, a cidadela do espírito, que é absolutamente inatacável; isso,
ao menos, é verdade acerca de cada ser humano que dedicou a guarda de sua alma
ao espírito do Deus eterno que mora em seu interior. 100:2.7
"Quanto ao reino e à vossa certeza de
que sereis aceitos pelo Pai celestial, permitam-me perguntar-vos que pai entre
vós, digno de ser chamado pai e com coração terno, abandonaria seu filho na
ansiedade ou no suspense sobre sua condição dentro da família ou sobre a
garantia de lugar no afeto do coração de seu pai? Acaso vós, pais terrestres,
vos comprazem torturando vossos filhos com incertezas sobre ocupar um lugar de
amor em vosso coração humano? Tampouco vosso Pai no céu abandona seus filhos de
fé do espírito na incerteza de não saber qual é sua posição no reino. Se
recebeis a Deus como vosso Pai, então de fato e em verdade sereis filhos de
Deus. E se sois filhos, vos encontrareis seguros de vossa posição em tudo
quanto se refere à filiação eterna e divina." 142:5.2
"Venham, pois, todos vós que labutais
e levais pesadas cargas e encontrareis descanso para vossas almas. Aceitai o
jugo divino e experimentareis a paz de Deus, que está além de toda
compreensão." 144:8.8
Quando meus irmãos tiverem autoconsciência
da segurança da presença divina, essa fé lhes expandirá a mente, enobrecerá a
alma, reforçará a personalidade, aumentará a felicidade, aprofundará a
percepção espiritual e aumentará sua capacidade de amar e ser amado. 159:3.12
"Se minhas palavras moram em vós e se
quiserdes fazer a vontade de meu Pai, sereis verdadeiramente meus discípulos.
Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." 162:7.2
Passo 16: Aprofundando o companheirismo
Partilhamos nossa vida espiritual plena e
mutuamente, crescendo em união e em amizade. Cada vez mais, e mutuamente,
estimamos, respeitamos, confiamos e acreditamos.
Para a amizade humana florescer, é
necessário que a confiança cresça, o que somente vem através do revelar cada
vez maior nosso íntimo. Até que nos tornemos dispostos a nos abrir aos nossos
amigos, eles não podem saber quem somos e com o que realmente nos importamos.
Alguns guardam seu eu interior como um cofre rebitado, hermético e
inexpugnável, a fim de que os outros não vejam o isolamento e os temores que
nele habitam. Morcegos voam procurando por uma saída e, sem encontrá-la,
retornam a chocar na escuridão.
Segredos cultivam o fungo da pretensão, mas
a claridade do conselho de um amigo nos devolvem à realidade saudável à medida
que rimos observando nossas recaídas nas esquisitices e falhas. Quando
escondemos daqueles que mais amamos alguns aspectos de nossa vida, vivendo a
mentira do que não somos, roubamos de nós mesmos a saúde, a sanidade e a
felicidade. Confidenciar aos amigos ajuda-nos a resolver contradições
insuportáveis que têm ferido nossa personalidade até quase sua ruptura, desde
que não recuemos em partilhar com eles nossos mais íntimos pensamentos. Suas
palavras compreensivas acabam com nosso isolamento, volvem nosso embaraço em alívio
e nos encorajam a não mais fingir.
O amor incondicional dá a tais amigos a
permissão para aconselhar sem cerimônias, uma vez que sabemos que eles não têm
outro motivo que não o nosso próprio bem-estar e nada que pudéssemos fazer
diminuiria sua afeição. Devemos deixar um tal amigo fora do círculo de nossa
confiança e sozinhos encarar os terrores da noite quando, expondo nossa alma,
ignorando embaraços, eles ceifarão a colheita das promessas da vida? Deve a
vergonha pelas deslealdades passadas nos privar daquilo que, por si, nos curará
da praga? Nosso amigo, à distância, enxerga o baú trancado de nossa experiência
e quer saber o que existe dentro de sua fechadura enferrujada e cintas de ferro
forjado. O que mais detestamos em nós, os nossos mais obscuros segredos, quando
partilhados em confiança abrem novos mundos para vivermos. Talvez a pedra a
mais em nosso rio complete o caminho do jardim de nosso amigo ou o lodo dele
pode fazer nossas flores vicejarem.
Os amigos nos sustentam quando não sabemos
o rumo e nosso céu está plúmbeo pelas cinzas dos sonhos partidos. Quando a
noite chega muito tarde e o dia seguinte muito cedo, quando os pardais
abandonam sua cria às garras da águia, a presença de um amigo assenta o medo da
mesma forma que a chuva cai numa estrada poeirenta. Nossos amigos ficam conosco
nas situações difíceis, salvam-nos da solidão, cercam-nos de amor, partilham de
nossas alegrias e nos dão ânimo para lutar as batalhas da vida. Estamos mais
seguros e mais fortes quando eles estão por perto pois se o inimigo arrombar as
paredes, lutamos juntos, lado a lado.
O isolamento é doloroso, não importa quão
próxima é nossa relação com Deus. Evitar a solidão através de relacionamentos
de pouca profundidade, torna-a mais real. Sem amigos, mesmo numa sala abarrotada
estamos sem esperança, sem ajuda e infelizes. O reino do Pai é um no qual
servimos juntos; nunca é uma experiência solitária. Advém força do fato de
sabermos que nossos amigos importam-se conosco e que nunca trairiam nossa
confiança. Compartilhamos as estradas da vida e juntos trabalhamos para
alcançar o objetivo da vida.
Seixos rolantes se acumulam na garganta
estreita de nossa mente, sacudindo livres pelos tremores das profundezas; a
poeira agita-se e o céu se escurece com a morte iminente. Uma fenda na rocha -
uma maneira de escapar? A passagem se aprofunda no interior. Terrores em altos
montes, sem caminho de volta, percebemos que o caminho entra na escuridão
ignorada. Canelas feridas, andamos às apalpadelas, cegamente pela caverna em
direção ao som da queda d’água que, sempre mais alto, nos saúda com as
gotículas que pairam no ar. De peito na poça d’água, uma débil corrente nos
impele a um frágil brilho refletido.
Contentes por viver ou morrer juntos, uma
última inspirada e vamos para baixo, agora velozes, puxados na direção da luz,
de encontro à cascata, encolhidos como fetos, sem ar quando - salvação - o
fluxo se interrompe para cair num lago escondido da montanha. Um caminho de
pedras conduz a um campo de aquilégias sobre o verde vale. Não conhecemos o
caminho, mas continuamos indo até que, finalmente, um campo iluminado pelo sol,
um fosso protetor, um baluarte de cristal ante a cidade de nossos sonhos, e
estamos em casa. A ponte levadiça baixa em correntes reluzentes e entramos em
casa, a salvo do pavor.
O Mestre enviou seus seguidores em grupos
de dois, para que não desanimassem pela solidão. As melhores amizades se
encontram entre aqueles que amam a Deus, que estão dedicados aos propósitos
além dos céus, que estão dispostos a serem sacudidos pelas ondas ao perseguirem
seus sonhos. Dois a dois, somos mais fortes dentro das camisas justas e
engomadas contra os vapores ácidos da vida. Dois a dois, realizamos a vontade
de Deus e encontramos sua residência, passados os distantes matagais.
Precisamos uns dos outros para conhecer o Pai pois ele vive não apenas em
nossos corações mas também no brilho de nossos irmãos. Amizades terrenas
revelam Deus e a vida nos mundos celestes.
Referências do Livro de Urantia:
Estes são os anjos que buscam despir de
toda artificialidade as parcerias dos seres inteligentes, enquanto se empenham
para facultar a interassociação das criaturas de vontade sobre uma base de
auto-compreensão real e apreciação mútua genuína. 39:3.4
Intelectual, social e espiritualmente, duas
criaturas morais não dobram seus potenciais pessoais de realização universal
mediante a técnica associativa mas sim, multiplicam quase por quatro suas
possibilidades de realização e cumprimento. 43:8.11
De todas as formas da maldade, nenhuma
destrói mais a condição de personalidade que a traição a um encargo e a
deslealdade aos amigos de confiança. Ao cometer este pecado deliberado,
Caligastia deformou tão completamente sua personalidade que sua mente desde
então nunca mais pôde recuperar totalmente o equilíbrio. 67:1.3
O crescimento espiritual é mutuamente
estimulado pela íntima parceria com outros religionários. 100:0.2
A felicidade e o regozijo originam-se na
vida interior. Não podes experimentar o verdadeiro regozijo completamente só.
Uma vida solitária é fatal para a felicidade. Mesmo as famílias e as nações
desfrutarão mais da vida se a compartilharem com os outros. 111:4.7
A pessoa não pode desempenhar-se muito bem
em isolamento. O homem é naturalmente uma criatura social; a ânsia de pertencer
o domina. É literalmente verdade que "nenhum homem vive para si".
112:1.16
Às vezes, Tomé obtinha permissão de André
para ausentar-se apenas por um ou dois dias. Mas pronto se deu conta de que
este método não era prudente; logo descobriu que era melhor, quando estava deprimido,
aferrar-se ao seu trabalho e ficar junto aos seus companheiros. 139:8.11
Muitos dos nobres impulsos humanos perecem
porque não há nada ninguém que os ouça se exprimirem. Deveras, não é bom para o
homem estar só. Certo grau de aprovação e certa quantia de apreciação são
essenciais para o desenvolvimento do caráter humano. Sem o amor genuíno de um
lar nenhuma criança pode alcançar o pleno desenvolvimento de um caráter normal.
O caráter é algo mais que mente e sentimento moral. De todas as relações sociais
calculadas para desenvolver o caráter, a mais eficaz e ideal é a amizade
afetuosa e compreensiva do homem e da mulher no mútuo abraço do matrimônio
inteligente. 160:2.6
Todo ser humano, cedo ou tarde, adquire
certo conceito deste mundo e certa visão do próximo. Bem agora, através da
parceria das pessoas, é possível unificar estes conceitos de existência
temporal e perspectivas eternas. Deste modo, a mente de um aumenta seus valores
espirituais porque ganha muito do entendimento do outro. Assim, os homens
enriquecem sua alma contribuindo com suas respectivas possessões espirituais.
Desta maneira, consegue também escapar da tendência sempre presente de cair
vítima de uma visão distorcida, um ponto de vista prejudicado e uma estreiteza
de juízo. O temor, a inveja e vaidade podem ser prevenidos apenas pelo contato
íntimo com outras mentes. 160:2.7
O isolamento tende a esgotar a carga de
energia da alma. A parceria com os semelhantes é essencial para manter o
entusiasmo pela vida e indispensável para manter a coragem necessária às
batalhas inerentes à ascensão aos mais altos níveis do viver humano. A amizade
intensifica o gozo e glorifica os triunfos da vida. As relações humanas,
amorosas e íntimas, tendem a libertar o sofrimento de seu peso e a dificuldade de
muito de sua amargura. A presença de um amigo aumenta toda a beleza e exalta
toda a bondade. 160:2.8
A parceria das pessoas e o afeto mútuo é um
seguro eficiente contra o mal. As dificuldades, a tristeza, o desencanto e a
derrota são mais dolorosos e desalentadores quando sofridos a sós. A parceria
não transforma o mal em retitude porém contribui muito para abrandar o golpe.
Disse vosso Mestre: "Bem aventurados os que choram" se há um amigo
próximo que os console. Há uma força positiva no conhecimento de que vives para
o bem-estar dos outros e que estes outros, do mesmo modo, vivem para teu
bem-estar e avanço. No isolamento, o homem enlanguesce. 160:2.9
Judas já não está convosco porque seu
amor se esfriou e porque se negou a confiar em vós, seus leais irmãos. Acaso
não lestes nas escrituras, onde está escrito: "Não é bom para o homem
estar só. Nenhum homem vive para si mesmo". E também ali onde diz: "O
que quer ter amigos deve mostrar-se amigo". E acaso não vos enviei a
ensinar de dois em dois, para que não estivésseis sós e para que não caísseis
no dano e nas desventuras do isolamento? Igualmente sabeis bem que, quando
vivia na carne, não me permiti estar a sós por longos períodos. Desde o começo
de nossa parceria sempre tive dois ou três de vós constantemente ao meu lado ou
muito próximo de mim, até quando comungava com o Pai. Confiai, pois, uns nos
outros." 193:3.2
Passo 17: Servindo aos outros
Trabalhamos juntos com maior entusiasmo e
iniciativa para servir aos nossos semelhantes de forma duradoura, reconhecendo
que deste modo servimos e honramos ao nosso Pai no céu.
A fé é o alicerce de nossa vida espiritual,
mas servir aos outros é sua expressão. Por meio da direção de Deus, todos os
dias pode-se abrir corações, inspirar mentes e deixar os outros melhores
mediante nossa presença.
Viver na paz de Deus não nos paralisa para
as responsabilidades diárias ou nos torna indiferentes para com a necessidade e
o sofrimento. Dói em nós o pardal ferido ao derrear-se sobre o jardim, cada
batida de asas uma agonia. Sentimos o vento batendo contra a pele áspera do
pescador e ouvimos a neve calcada a cada passo pelas botas do soldado, tingidas
de sangue. Nossa pele descasca com a lepra, e nosso coração padece com os campos
do agricultor, à medida que seu trigo definha por causa dos ventos e da seca.
Não nos desanimamos por podermos ajudar tão pouco a esses irmãos e irmãs mas
por enxergarmos suas necessidades como parte de uma paisagem ilimitada de
significado eterno na qual Deus, que conhece a todos é, no fim, responsável por
todos. Não tomamos sobre nós o fardo da luta da humanidade pois não podemos,
mas sabemos que existe Alguém cujo poder e sabedoria são suficientes para
qualquer problema e por cuja graça somos salvos. Não sermos responsáveis pelo
bem-estar alheio não nos conduz à indiferença ou à resignação por sua situação
mas, antes, liberta nossa mente da preocupação fútil e trabalhamos com mais
afinco, sustentados pela fé no Deus dos mares encapelados e das circunstâncias,
que permite que mesmo almas como a nossa trabalhem para construir seu reino.
Por quem deveríamos viver, se não for pelos
outros? O propósito da vida não é um outro diferente de enterrar excessivos
tesouros para dissipá-los no desperdício? Somente o que fazemos pelos outros
perdura; o resto é pó e cinzas, templos para serem pilhados pelos saqueadores
ou enterrados na areia do deserto. Com que propósito construímos uma ponte, se
ninguém a cruzará? Nossas únicas posses duradouras, nossos tesouros no céu, são
as coisas que fazemos para os outros.
Àqueles sem muita corda para puxar, páginas
para virar ou falas para dizer, o palco da vida é sem propósito. Sem nunca
termos uma parte, fartamo-nos como expectadores pois o ato de nos darmos é o
que nos completa. É chegado o tempo de trabalharmos: não devemos mais nos
sentarmos imaginando quando seremos chamados pois o Pai falará a cada um de nós
e dirá como podemos servir melhor em seu reino. Bilhões na terra enlanguescem
na angústia do tédio, esperando por alguém que satisfaça seu descontentamento,
que remedeie suas feridas e que seja um irmão. As necessidades dos feridos
tocam aos de coração sensível, aos que respondem ao seu choro com a ajuda sábia
e duradoura, a qual lhes dá forças para se reerguerem e ajudarem a si mesmos e
tal serviço suporta animar milhares através de seus murmúrios esparsos.
Somente podemos servir verdadeiramente por
amor, pois sem amor nossos gestos são vazios, trapos de lã postos de lado pela
correnteza. Para encontrar nosso serviço devemos pedir ao Pai para nos mostrar
parte de seu plano pois ele designou cada um de nós para preencher um trabalho
específico, que ele pode revelar pelo profundo chamado de uma intuição ou
talvez no desdobrar das oportunidades. Até que se abra, a porta para o nosso
serviço pode se parecer com muitas outras, mas a mão do Pai nos guiará àquela
que podemos tornar nossa, àquela que pode se tornar nosso destino.
Servir é a expressão da fé e a fé é o
estímulo para servir. Quanto maior nossa fé, maior nosso desejo de conduzir
esse serviço de maneira eficiente e duradoura.
Referências do Livro de Urantia:
Uma das lições mais importantes que deveis
aprender durante vossa caminhada mortal consiste em trabalhar em equipe.... No
universo, poucos são os deveres para o servidor solitário. Quanto mais alto
ascendeis, mais solitários estareis ao vos encontrardes temporariamente sem a
parceria de vossos semelhantes. 28:5.14
O serviço - o serviço com propósito, não a
escravidão - produz a mais elevada satisfação e é a expressão da mais divina
grandeza. O serviço - mais serviço, serviço aumentado, serviço difícil, serviço
ditoso e, por fim, serviço divino e perfeito - é a meta do tempo e o destino do
espaço. Porém, os ciclos de recreação do tempo sempre se alternam com os ciclos
de serviço de progresso. 28:6.17
Os elementos morais não são desconsiderados
quando se aplicam as provas espirituais de grandeza dos elementos morais mas a
qualidade de altruísmo revelada no trabalho desinteressado para o bem-estar dos
semelhantes terrenos, particularmente aos seres merecedores em necessidade e em
dor, essa sim é a verdadeira medida da grandeza planetária. 28:6.20
Aprenderás que aumentas teus fardos e
diminuis a probabilidade de triunfo se levares a ti mesmo muito a sério. Nada
pode ter precedência sobre a tarefa da esfera de tua condição - deste mundo ou
do seguinte. A tarefa de preparação para a próxima esfera é muito importante,
mas nada se iguala à importância da tarefa do mundo em que estás vivendo
atualmente. E ainda que a tarefa seja importante, o eu não o é. Quando te
sentes importante, perdes energia através do desgaste da grandeza do ego de
maneira que sobra pouca energia para realizar a tarefa. A auto-importância no
lugar da importância da tarefa esgota as criaturas imaturas; é o elemento do
ego o que esgota e não o esforço da realização. Podes realizar um trabalho
importante se não te fazes auto-importante; poderás cumprir várias tarefas tão
facilmente como uma só se prescindes de teu ego. 48:6.26
E quando um ser humano encontra a Deus,
experimenta na alma uma indescritível inquietude pelo triunfo do descobrimento,
no que se vê impelido a buscar o serviço do contato amoroso com seus
semelhantes menos iluminados, não para revelar que encontrou a Deus mas,
melhor, para permitir que transborde a eterna bondade que está dentro de sua
própria alma, para revigorar e enobrecer seus semelhantes. A verdadeira
religião conduz a um maior serviço social. 102:3.4
"Recorda sempre que Deus não
recompensa o homem pelo que faz, mas sim pelo que é; portanto, socorre aos teus
semelhantes sem pensar em recompensas. Fazei o bem sem pensar em beneficiar a
si mesmo." 131:8.5
Quando Jesus ouviu isto, disse:
"Estais, pois, dispostos a dedicar-vos às vossas responsabilidades e a
seguir-me. Fazei o bem em segredo; quando derdes esmolas, que não saiba vossa
mão esquerda o que faz vossa direita." 140:6.11
O Mestre percebia plenamente que
apareceriam no mundo certos resultados sociais como conseqüência da
disseminação do evangelho do reino; mas era sua intenção que todas estas
desejáveis manifestações sociais aparecessem como crescimentos inconscientes e
inevitáveis, ou frutos naturais da experiência pessoal interior dos indivíduos
crentes, da comunidade genuinamente espiritual e da comunhão do espírito divino
que reside e impulsiona a todos os crentes. 170:5.12
"Ao que tem, mais será dado e terá em
abundância; mas ao que não tem, ainda o pouco que tem lhe será tirado. Não
podeis ficar parados nos assuntos do reino eterno. Meu Pai requer que todos os
seus filhos cresçam na graça e no conhecimento da verdade. Vós, que conheceis
estas verdades, deveis produzir cada vez mais os frutos do espírito e
manifestar uma devoção crescente ao serviço altruísta de vossos co-servidores.
E recorda que mesmo quando ministrais ao mais humilde de meus irmãos, prestais
esse serviço a mim." 176:3.5
Jesus ensinou que o serviço ao próximo é o
mais elevado conceito de irmandade dos crentes espirituais. Aqueles que
acreditam na paternidade de Deus deveriam ter como certa a salvação. A maior
preocupação do crente não deve ser o desejo egoísta da salvação pessoal mas,
antes, o impulso altruísta ao amor e, portanto, o serviço ao próximo assim como
Jesus amou e serviu aos homens mortais. 188:4.9
Ganhar almas para o Mestre não é a primeira
milha de compulsão, dever ou convenção que transformará ao homem e a este mundo
mas, antes, é a segunda milha de serviço voluntário e de livre devoção amorosa,
a que dá a conhecer os Jesusonianos, ao buscarem atrair seu irmão com amor e
guiá-lo espiritualmente em direção ao mais elevado e divino fim da existência
mortal. O cristianismo, voluntariamente, ainda agora percorre a primeira milha
mas a humanidade enlanguesce e tropeça nas trevas morais porque há bem poucos
caminheiros da segunda-milha — bem poucos seguidores professos de Jesus, que
realmente vivem e amam assim como ele ensinou seus discípulos a viver, a amar e
a servir.
O chamado à aventura de construir uma
sociedade humana nova e transformada por meio do renascimento espiritual da
irmandade Jesusoniana do reino deveria comover a todos os que crêem nele, como
não se emocionavam os homens desde o dia em que caminharam pela terra como seus
companheiros na carne. 195:10.5-6
Passo 18: Compartilhando nossa experiência espiritual
Com a maior boa vontade aceitamos nossa
obrigação e privilégio de ajudar a partilhar as boas novas e nos esforçamos
para levar este conhecimento do amor de Deus aos nossos semelhantes.
Agora que sabemos quem somos, precisamos
auxiliar outros a saberem o mesmo. Nós sabemos viver num promontório de graça
sobre um mar agitado de onde podemos socorrer os que naufragaram e os que
dormem. Porém, orientações aos berros não são suficientes: eles poucas vezes
aceitarão uma corda arremessada pois os que se afogam resistem ao resgate das águas
familiares. Primeiro precisamos lhes dizer de seu valor para o Pai pois muitos
não carecem de uma visão de Deus mas sim de si próprios, como amados filhos e
filhas dele.
Aqueles que resistem deitaram pedras bem
assentadas através dos caminhos para sua alma, não deixando passar a água da
vida como a calçada o faz com a chuva. A alma desejosa sente na parte inferior
mas está desligada da vida acima. Batidas, as pedras só fazem assentar com mais
firmeza mas alguém com paciência para observar pode freqüentemente encontrar
algum remendo com folga, através do qual o espírito pode canalizar vida à alma
ressequida que se encontra abaixo. O amor do Pai chove do alto e, exceto pelo
débil acesso aos desertos da alma, Deus se revela diretamente e estimula à
aventura eterna um filho ou filha renascidos.
Não é possível barrar completamente o
espírito de Deus, cujo brilho radiante aquece o mais gélido muro. Nem a dor ou
o ódio podem anular por inteiro a ação do espírito que mora em nós pois sua
corrente poderosa move-se em níveis muito mais profundos que a superfície
emocional, que ocupa nossa atenção diária. Mas como ajudarmos os que apenas
sabem viver como sempre têm vivido, inconscientes do propósito de Deus? Que
chave abre os portões da casa, que levam à morada de seu destino? Podemos ser
mestres escultores e fazer sair o vulto obscuro, preso nos galhos retorcidos?
Sem saber como flui a seiva que forma seu tronco torcido, podemos libertar cada
gesto ou redemoinho de cabelo, quando entalhamos no lusco-fusco e nossa lâmina
está sem fio? Quem guiará nossas mãos para que não venhamos a esculpir onde a
madeira deve permanecer? Bem no íntimo, uma voz conhece o tempo e a ocasião na
disposição de espírito de nossos irmãos, quando falar e quando calar. Nosso
espírito fala com o dele e se compartilharmos com amor, seus olhos fatigados
podem dar a conhecer aquele local do qual falamos num eco de lembrança.
A linguagem de nosso compartilhar é menor
em palavras que em nossa caminhada diária com Deus. O amor é visto de modo mais
claro nas ações caladas da vida do dia-a-dia, provando que a língua apenas
fala. Palavras sozinhas não convencem pois demonstramos nosso amor naquilo que
fazemos; afeições genuínas tornam-se mais fortes pela maneira como vivemos.
O tempo dirá quando podemos partilhar com
nosso irmão o que temos aprendido. Nossa tempo terrestre é curto e se acaba
rapidamente; por esta razão devemos agir enquanto podemos pois cada dia é um a
menos que nos resta. Não podemos falar com cada irmão que passa por nós mas,
quando o espírito interior nos conduz não devemos hesitar. Então Deus pode
cuidar da delicada centelha de interesse passageiro dentro de uma labareda
fatal para a vida do eu, abrindo o panorama dos mundos celestes.
Pai nosso, nós te agradecemos por podermos
ter parte em teu trabalho e por passar adiante o que tu nos tem dado. Não
sabemos mais que um pouquinho de ti, Pai celeste, mas sabemos que és o primeiro
em amor e que todas as coisas boas são feitas pelo teu espírito. Sabemos que
amas a todos os teus filhos e anelamos comungar com cada um deles como fazes
conosco. Guia-nos para ajudarmos a trazer teu reino aqui à terra. Conduza-nos a
servir nossos irmãos de maneira efetiva e duradoura, para que não falhemos
contigo. Abra os caminhos do espírito, para que o que dissermos seja honesto,
amoroso e útil. Nós te amamos, Pai de retitude. Esteja conosco ao te
compartilharmos com aqueles que te conhecem menos.
Referências do Livro de Urantia:
O desenvolvimento espiritual depende, em
primeiro lugar, da manutenção de uma conexão espiritual viva com as verdadeiras
forças espirituais e, segundo, da contínua produção de fruto espiritual :
prodigalizar aos semelhantes o que se tem recebido dos benfeitores espirituais.
100:2.1
"Permiti que vos declare enfaticamente
esta verdade eterna : se, mediante a coordenação da verdade, aprenderdes a
exemplificar em vossas vidas esta formosa integridade de retitude, vossos
semelhantes então vos seguirão para ganhar o que assim haveis adquirido. A
medida que atraís os que buscam a verdade representa a medida de vossa dotação
da verdade, de vossa retitude. O esforço que tendes que fazer para chegar ao
povo com vossa mensagem é, de certo modo, a medida de vossa deficiência em
viver uma vida plena ou reta, a vida coordenada na verdade." 155:1.5
"Estais temerosos, buscais a
comodidade, a facilidade? Tendes medo de confiar vosso futuro nas mãos do Deus
da verdade, cujos filhos sois vós? Acaso não confiais no Pai, cujos filhos sois
vós? Voltareis ao caminho fácil da segurança e da quietude intelectual da religião
de autoridade tradicional ou vos preparareis para avançar comigo no futuro
incerto e atribulado de proclamar as novas verdades da religião do espírito, o
reino do céu no coração dos homens?" 155:5.13
"O que quiser me seguir, que olvide a
si mesmo, que assuma seus encargos diários, e siga-me. Porque o que quiser
salvar sua vida de modo egoísta, perdê-la-á, porém o que perder a vida por
minha causa e pelo evangelho, salva-la-á. De que serve ao homem ganhar o mundo
inteiro e perder sua alma? Que daria um homem em troca da vida eterna? Não vos
envergonheis de minhas palavras nesta geração pecaminosa e hipócrita, assim
como não me envergonharei de vos reconhecer quando aparecer em glória ante meu
Pai, na presença de todas as hostes celestiais." 158:7.5
Recordai de que estais encarregados de
pregar este evangelho do reino — o supremo desejo de fazer a vontade do Pai
combinado com a suprema felicidade da compreensão, mediante a fé, da filiação
de Deus — e não deveis permitir que nada vos desvie da vossa devoção a este
único dever. Que a humanidade toda se beneficie com o transbordar de vosso
ministério espiritual amoroso, com vossa comunhão intelectual esclarecedora,
com vosso serviço social edificante; porém, nenhum destes trabalhos
humanitários, nem todos estes, devem tomar o lugar da proclamação do evangelho.
Estes vigorosos ministérios são os efeitos sociais secundários de ministérios
ainda mais vigorosos e sublimes e de transformações forjadas no coração do
crente do reino pelo Espírito vivo da Verdade e pela compreensão pessoal do
fato de que a fé de um homem nascido do espírito confere a certeza de uma
irmandade viva com o Deus eterno. 178:1.11
Não deveis ser místicos passivos e nem
ascetas pálidos; não deveis vos tornar sonhadores nem vagabundos, confiando
inertes numa providência fictícia para que ela proveja suas necessidades. Na
verdade, deveis ser ternos em vosso trato com os que mortais que erram,
pacientes em vossas relações com os ignorantes, serenos quando provocados; mas
também deveis ser valentes na defesa da retitude, vigorosos na promulgação da
verdade e enérgicos na pregação deste evangelho do reino, mesmo aos confins da
terra. 178:1.14
Não olvideis de que estais encarregados de
sair a pregar somente a boa nova. Não deveis atacar os velhos costumes; deveis
habilmente mesclar a levedura da nova verdade na massa das antigas crenças.
Deixai que o Espírito da Verdade realize sua obra. Permiti que se produza a
controvérsia somente quando os que desprezam a verdade vos forcem a isto. Mas
quando o descrente obstinado vos atacar, não titubeeis em defender
vigorosamente a verdade que vos têm salvo e santificado. 178:1.16
"Ide, pois, por todo o mundo
proclamando o evangelho da paternidade de Deus e da irmandade dos homens à
todas as nações e raças, e sede sábios na vossa escolha dos métodos para
apresentar a boa nova às diferentes tribos e raças da humanidade. Tendes
recebido de graça este evangelho do reino e de graça dareis a boa nova a todas
as nações. Não temais a resistência do mal porque estou sempre convosco, até o
fim dos tempos. Eu vos deixo a minha paz." 191:4.4
A Felipe ele disse: "Obedeces-me?
Felipe respondeu: "Sim, Senhor, te obedecerei ainda com minha vida".
Então disse Jesus: "Se quiseres me obedecer, vá pois às terras dos
gentios e proclama este evangelho. Os profetas têm dito que obedecer é melhor
que sacrificar. Pela fé te tornaste um filho do reino, que conhece a Deus.
Existe tão só uma lei a obedecer: é o mandamento de sair a proclamar o
evangelho do reino. Deixa de temer aos homens; não temas pregar a boa nova da
vida eterna a teus semelhantes que enlanguescem nas trevas e têm fome da luz da
verdade." 192:2.11
Passo 19: Amando uns aos outros
Cada vez mais estimamos os outros como
filhos e filhas amados por Deus e nos esforçamos para amar cada um deles assim
como faz nosso Pai no céu.
Nosso coração anela por amar nossos
semelhantes e esse anseio não pode ser satisfeito pois a alma do homem tem
fome, foi feita para amar e não se satisfaz com menos. Os caminhos do amor
muitas vezes se embaraçam e às vezes falham mas o impulso é irreprimível,
incessante mesmo pelo mais vergonhoso ódio ou a mais cruel circunstância.
Inexplicável, despreocupado com o lugar, a posição, a condição ou o mérito, o
amor olha além, existindo num estado de vir a ser.
Como amar é a pergunta desta época, o Graal
procurado pelos profetas: como amar da maneira que os pais amam seus filhos,
como amar aos outros da maneira como o Pai nos ama. Como começamos a amar e
como podemos fazer o amor durar? Ele começa em mistério, de um local
desconhecido dentro de nós e por razões desconhecidas. Não compreendemos porque
amamos, mas apenas que amamos, pois o éter do amor resiste à análise por si
mesmo ou pelos outros. O amor verdadeiro não calcula custo, esforço ou
recompensa mas simplesmente existe num espírito de bondade desarmada. Como
podemos reter esse espírito num mundo maior, próximo aos que não são amorosos,
aos rudes, aos cruéis e aos descrentes? Podemos contemplar nossos irmãos e
irmãs através dos olhos de nosso Pai e ver o que ele vê, sem julgar?
Somos conhecidos pelo quê e por quem
amamos. Alguns amam casas e posses, alguns amam as aparências e alguns amam até
mesmo a fraude como meio de vida, deleitando-se em provar que são mais espertos
que os crédulos. Alguns o dinheiro, o poder ou a fama; outros amam coisas mais
humildes e é para eles que nosso Mestre prometeu o reino. Nosso amor deixa um
caminho atrás de nós, esteiras no céu ou rastos barrentos pelo chão.
O traje do amor é feito com os panos do
Pai. Tiramos o material do amor de seu depósito e o modelamos para vestir o
desnudo. Agir como se amássemos acende o mesmo amor pois quanto mais amorosos
formos para com os outros mais o amor reflete-se de volta, amplificado pela
mútua experiência, criando no objeto desse amor a compulsão de corresponder.
Os universos nasceram do amor, não só pela
centelha. O amor é o impulso íntimo de vida e, quando amamos, essa força
vigorosa ressoa com o poder universal do alto, prometendo vida nova e um eu
renovado. Enxergamos através de sua luz. A nuvem do desconhecido se parte e
raios dourados banham ao que dá e ao que recebe o amor conforme Deus se revela
e encontra expressão. A ausência de amor é a indiferença ou o ódio e, à parte
do amor, todos os relacionamentos não têm sentido, são fúteis e ilusórios. Mas
no amor do Pai estamos completos, nossas forças são restauradas, brejos antigos
são drenados, mortalhas são levantadas e percebemos o coração de Deus no
momento da criação.
Aqueles que duvidam do poder do amor não
conhecem o regozijo da vida. Os que colocam as coisas acima do amor estão
prisioneiros da ilusão pois nenhuma posse ou posição vale a perda do amor que
perdura quando montões de coisas juntam ferrugem ou vão para os outros. O amor
dura mais que as coisas e é mais doce. O amor recolhe com arrastão o bem na
experiência, suportando-nos quando tudo mais falha. O amor acalma frontes
febris e sustenta a mão do carrasco. O amor sozinho faz nossa vida valer a pena
e Deus mais real, e não rezadores solitários enclausurados entre paredes. O
amor constrói a ponte sobre a brecha que existe entre o que somos e o que
podemos vir a ser; ele nos dá tudo o que temos e tudo o que somos e sem ele
somos vazios, encarcerados na prisão dos que devem ao negativismo e ao
desespero.
Referências do Livro de Urantia:
Estes níveis elevados da vida humana são
alcançados no supremo amor de Deus e no amor altruísta do homem. Se amas teus
semelhantes, dever ter descoberto seus valores. Jesus amava tanto os homens
porque lhes atribuía um alto valor. Podes melhor descobrir os valores de teus
companheiros descobrindo suas motivações. Se alguém te irrita, se produz
sentimento de ressentimento deves, com simpatia, buscar discernir de seu ponto
de vista, suas razões para uma conduta tão censurável. Uma vez que compreendas
ao teu próximo, te tornarás tolerante e esta tolerância crescerá em amizade e
amadurecerá em amor. 100:4.4
Se puderes tão só aprofundar os motivos de
teus companheiros, tanto mais poderás compreendê-los. Se apenas pudesses
conhecer a teus semelhantes, ao final te enamorarias deles.
Não podes realmente amar teus semelhantes
por um simples ato de tua vontade. O amor nasce apenas da completa compreensão
das motivações e sentimentos de teus semelhantes. Não é tão importante amar
todos os homens hoje como o é que a cada dia aprendas a amar mais um ser
humano. Se a cada dia ou a cada semana conseguires compreender um a mais entre
teus semelhantes, e se este é o limite da tua capacidade, certamente estás
então sociabilizando e, de modo verdadeiro, espiritualizando tua personalidade.
O amor é contagioso e quando a devoção humana é inteligente e sábia, o amor é
mais contagioso que o ódio. Mas somente o amor genuíno e altruísta é
verdadeiramente contagioso. Se cada mortal pudesse se tornar tão só um foco de
afeição dinâmica, este vírus benigno do amor logo impregnaria a corrente
sentimental de emoção da humanidade até o ponto em que toda a civilização
estaria rodeada de amor e essa seria a realização da irmandade do homem. 100:4.5-6
No verdadeiro sentido da palavra, o amor
conota respeito mútuo de personalidades inteiras, sejam estas humanas ou
divinas ou humanas e divinas....Tudo o que for não espiritual na experiência
humana, exceto a personalidade, é um meio para um fim. Todo relacionamento
verdadeiro do homem mortal com outras pessoas — humanas ou divinas — é um fim
em si mesmo. 112:2.3-4
Jesus amava naturalmente sua gente; amava
sua família, e este afeto natural havia aumentado tremendamente por sua
extraordinária devoção a eles. Quanto mais nos doamos aos nossos semelhantes,
tanto mais chegamos a amá-los; posto que Jesus havia se dado tão plenamente à
sua família, amava-a com um afeto grande e ardente. 129:0.2
Os discípulos logo aprenderam que o Mestre
tinha um profundo respeito e uma consideração solidária por todo ser humano com
quem se encontrava e muito lhes comovia esta consideração invariável e
constante com que ele tão sistematicamente brindava toda classe de homens,
mulheres e crianças. Às vezes, interrompia-se no meio de um profundo discurso
para sair ao caminho e oferecer palavras de bom ânimo à uma mulher que passava,
sobrecarregada pelo fardo de seu corpo e de sua alma. Interrompia uma
conversação intensa com seus apóstolos para fraternizar com uma criança intrusa.
Para Jesus, não havia nada mais importante que o indivíduo humano que por acaso
estivesse em sua presença imediata. 138:8.9
Do Sermão da montanha até o discurso da
Última ceia, Jesus ensinou aos seus seguidores a manifestar amor paterno em vez
de amor fraterno. O amor fraterno significa amar ao próximo como a si mesmo e
isto seria o cumprimento adequado da "regra de ouro". Porém, o afeto
paterno requer que ames a teus semelhantes como Jesus te ama. 140:5.1
"Vós bem conheceis o mandamento que
diz que ameis uns aos outros; que ames ao teu próximo como amas a ti mesmo. Mas
não estou plenamente satisfeito com essa devoção sincera por parte de meus
filhos. Quero que realizeis atos de amor ainda maiores no reino da irmandade
crente. Assim, pois, vos dou este novo mandamento : Que vos ameis uns aos
outros assim como eu vos tenho amado. Assim todos os homens saberão que sois
meus discípulos, se vos amardes dessa maneira." 180:1.1
No reino da irmandade crente, dos que
conhecem a Deus e amam a verdade, esta regra de ouro adquire qualidades vivas
de compreensão espiritual nos mais altos níveis de interpretação, que fazem com
que os filhos mortais de Deus considerem esta determinação do Mestre como
instar com eles para que se relacionem com seus semelhantes de uma maneira que
permita o mais elevado bem possível como resultado do contato dos crentes com
seus semelhantes. Esta é a essência da verdadeira religião: amar ao vosso
próximo como a vós mesmos. 180:5.7
Passo 20: Amando a Jesus
Chegamos a conhecer e a amar a Jesus e a
amizade com ele dá entusiasmo e propósito à nossa vida.
Dizem que dois mil anos atrás nasceu uma
criança, anunciada pelos anjos a humildes judeus, e que fez seu lar em Nazaré.
Dizem que seu pai morreu enquanto ele ainda era jovem e que com suas mãos trabalhou
para sustentar a família de seu pai junto às colinas e praias da Galiléia.
Então, viajou por um tempo, aprendendo sobre o mundo romano enquanto partilhava
o amor de Deus, espalhando bom ânimo a centenas em seu caminho. Dizem que ele
foi provado em todos os modos da vida e que em companheirismo com Deus superou
as tentações da vida, as dificuldades e as crises, com fé e devoção
imperturbável. Sem resguardo das agonias da vida, foi fiel à visão maior do
propósito de Deus que ele conhecia antes que os mundos tivessem origem.
Quando chegou seu tempo, dizem que escolheu
apóstolos que deixaram o lar e a família para compartilharem de sua vida, para
andar pelas estradas poeirentas da Palestina chamando sua gente para servir a
Deus. Dizem que quando olhava um homem, via dentro dessa mesma alma, e aquela
pessoa concebia que ele percebia o coração de Deus. Dizem que ele era um homem
entre homens; que simples pescadores da Galiléia o chamavam de Mestre. Dizem
que curava os doentes, fazia os cegos verem, perdoava os pecados e ressuscitava
os mortos; que oferecia a abundante fonte da água viva, a força para os fracos,
conforto aos de coração partido, alento aos deprimidos, entendimento aos de
menor inteligência, algo a todos os que sabiam que eram necessitados. Ele
focalizava os raios de cura do amor de Deus em cada lugar secreto no coração
dos homens e recobrava a saúde daqueles cuja vida se espedaçara. Dizem que o
povo comum o ouvia alegremente e anelava por sua presença - amigos baixaram um
paralítico por um telhado para que estivesse próximo a ele, e uma prostituta
lavou seus pés com as próprias lágrimas.
Ele dizia que não havia ninguém bom senão
Deus e dizia àqueles que curava que sua fé os havia curado. Ensinava a simples
amizade com Deus e a servir aos homens, e sobre o reino celeste, a retitude, a
paz de Deus e a vida eterna. Os altos sacerdotes viam claro os perigos em seus
ensinamentos para olvidar a si mesmo, que o homem poderia se relacionar
diretamente com Deus no céu; assim sendo, para que seriam necessários os
sacerdotes e seus rituais? Fracassando em silenciar sua voz destemida, forçaram
o débil governador romano a assassinar alguém que, tendo salvo os outros,
recusou-se a salvar a si mesmo.
Dizem que, ao terceiro dia, a grande roda
de pedra que bloqueava seu sepulcro se abriu e ele ressuscitou, e que por
quarenta dias apareceu àqueles que partilhavam de seu amor. No Pentecostes,
dizem que subiu ao céu mas enviou seu espírito para estar com aqueles que
amavam a verdade; o espírito encheu suas almas com a força e renovou todas as
coisas. Seus seguidores não se intimidaram e espalharam a história de sua vida
através do mundo romano, honrados por morrer por aquele a quem chamavam de
Cristo.
Este homem, sobre quem foram escritos mais
livros que sobre qualquer outro, existia antes que os mundos tivessem origem na
majestade inimaginável, e veio à terra para revelar o amor de seu Pai. Sua vida
se tornou o mistério do homem em Deus e de Deus no homem, eternamente um. Uma
vez que verdadeiramente o conheçamos, nossa vida se modifica, pois nele repousa
o que podemos ser se assim desejarmos, porém vivendo uma vida de fé. Segredo de
nossa vida espiritual, ele é o esteio de nossa fé, personificando tudo o que
podemos entender sobre Deus. Além dele, tudo o que pensamos saber é mera
abstração. Somos ramos de sua videira verdadeira e nada realizamos à parte
dele. Ele sabe os rumos que podemos tomar e o porquê. Ele nos dá sua própria
vida, entrando em nossa mente para torná-la mais pura e mais forte.
Ajuda-nos a amá-lo, bom Senhor. Ajuda-nos a
entender tuas palavras de bondade e vida. Vive uma vez mais em nós, pois
sabemos que todas as boas coisas vêm através de ti e que sem ti não temos
forças. Quando nossa vida estiver complicada e não tivermos nenhuma idéia pelo
que suplicarmos, traduze os desejos sinceros de nosso coração e traze a tua paz
e sabedoria à nossa mente confusa. Dependemos de ti para fazer nossa vida valer
a pena, na crença em teu nome. Arranca toda sombra de mal e de escuridão;
fira-nos, se assim necessário for, para trazer-nos plenamente ao serviço de teu
reino. Anelamos por tua companhia diária e por tua aprovação; anelamos por nos
aquecer no brilho de teu sorriso. Prometeste preparar um lugar no alto para
aqueles que amam fazer tua vontade; prepara um aqui também para que sua
presença transborde em nossa vida e coração.
Referências do Livro de Urantia:
Para nosso universo e para todos os mundos
habitados, para todos os fins e propósitos práticos, o Filho Soberano é Deus.
33:1.4
Ainda que o Espírito da Verdade seja
derramado por toda a carne, este espírito do Filho está quase completamente
limitado em atuação e poder pela recepção pessoal do homem daquilo que
constitui a soma e a substância da missão do Filho, de auto-doação. 34:5.5
Mesmo em Urantia, estes serafins ensinam a
verdade sempiterna: se tua própria mente não te serve bem, podes permutá-la
pela de Jesus de Nazaré, que é quem sempre te serve bem. 48:6.15
Jesus foi a personalidade humana
perfeitamente unificada. E hoje, como na Galiléia, continua unificando a
experiência mortal e coordenando as empresas humanas. Unifica a vida, enobrece
o caráter e simplifica a experiência. Entra na mente humana para elevar,
transformar e transfigurar. É literalmente verdade: "Se um homem tem
Jesus Cristo dentro de si, ele é uma criatura nova; as coisas velhas passam;
eis que todas as coisas tornam-se novas." 100:7.18
Jesus foi e é o caminho novo e vivo pelo
qual o homem pode alcançar a herança divina que o Pai tem decretado que será
sua por nada além que pedir. 101:6.10
Jesus deixou claro que havia vindo para
estabelecer relações pessoais e eternas com os homens, relações que eternamente
teriam precedência sobre qualquer outro relacionamento humano. 141:7.5
Ele exercia uma influência poderosa e
peculiarmente fascinante sobre amigos e inimigos. As multidões o seguiam
semanas inteiras tão só para escutar suas palavras misericordiosas e para
contemplar sua vida singela. Homens e mulheres devotos amavam Jesus com um
afeto quase sobre-humano, e quanto melhor o conheciam, mais o amavam. Isto é
verdade até o dia de hoje; atualmente, e em todas as épocas futuras, quanto
melhor o homem conhece a este Deus-homem, mais o ama e mais o segue. 149:2.14
Estes gentios não tinham medo de Jesus;
ousaram aceitar sua mensagem. Através de todos os tempos, os homens não têm
sido incapazes de compreender a Jesus; têm tido medo de fazê-lo. 156:2.4
Aprendeis de Deus através de Jesus,
observando a divindade de sua vida, não por depender de seus ensinamentos. Da
vida do Mestre cada um de vós pode assimilar esse conceito de Deus que
representa a medida de vossa capacidade de perceber as realidades, a espiritual
e a divina, e as verdades, a real e a eterna. O finito não pode jamais esperar
compreender o Infinito, exceto enquanto o Infinito esteve focalizado na
personalidade espaço-temporal da experiência finita da vida humana de Jesus de
Nazaré.
Jesus bem sabia que Deus pode ser conhecido
apenas pelas realidades da experiência; não se pode jamais compreendê-lo pelo
mero ensinamento à mente. Jesus ensinou a seus apóstolos que, conquanto jamais
pudessem compreender plenamente a Deus, com certeza poderiam conhecê-lo,
igualmente haviam conhecido ao Filho do Homem. Podeis conhecer a Deus, não
tanto por entender o que disse Jesus mas por conhecer o que foi Jesus. Jesus
foi uma revelação de Deus. 169:4.3-4
Jesus é a lente espiritual, em semelhança
humana, que torna visível à criatura material Aquele que é invisível. É vosso
irmão maior que, na carne, faz com que conheçais um Ser de atributos infinitos
a quem nem sequer as hostes celestiais podem presumir conhecer plenamente.
169:4.13
"Deveis permanecer em mim, e eu em
vós. Se a rama separar-se da videira, ela morre. Como a rama não pode render
fruto a menos que permaneça na videira, assim tampouco podeis vós render fruto
de serviço amoroso, a menos que permaneçais em mim. Recorda : eu sou a videira
verdadeira e vós sois as ramas vivas. O que vive em mim, e eu nele, renderá
muito fruto do espírito e experimentará a felicidade suprema de produzir essa
colheita espiritual. Se mantiverdes esta viva relação espiritual comigo,
rendereis abundante fruto. Se permanecerdes em mim e se minhas palavras viverem
em vós, podereis comungar livremente comigo, e então meu espírito vivo de tal
maneira vos imbuirá que podereis pedir tudo quanto meu espírito deseja e fazer
tudo isto com a certeza de que o Pai nos concederá nossa petição." 180:2.1
O cristianismo indubitavelmente rendeu um
grande serviço a este mundo, mas o que mais se necessita agora é de Jesus. O
mundo necessita ver Jesus vivendo novamente na terra, na experiência dos
mortais nascidos do espírito que efetivamente revelem o Mestre a todos os
homens. É infrutífero falar de um renascimento do cristianismo primitivo;
deveis seguir adiante a partir de onde vos encontrais. A cultura moderna deve
tornar-se espiritualmente batizada com uma nova revelação da vida de Jesus e
iluminada com uma nova compreensão de seu evangelho de salvação eterna. E
quando Jesus assim se elevar, atrairá todos os homens a ele. Os discípulos de
Jesus deveriam ser mais que conquistadores; deveriam ser qual fontes
transbordantes de inspiração e de um viver elevado para todos os homens.
195:10.1
"Seguir Jesus" significa
compartilhar pessoalmente de sua fé religiosa e entrar no espírito da vida do
Mestre de serviço altruísta ao homem. Uma das coisas mais importantes do viver
humano é descobrir no que acreditava Jesus, quais eram seus ideais e lutar pela
realização deste propósito excelso da vida. De todo o conhecimento humano, o
que tem maior valor é o conhecer a vida religiosa de Jesus e como ele a viveu.
196:1.3
Passo 21: Amando a Deus
Crescemos em conhecimento, amor e adoração
ao Pai celeste, a fonte do amor infinito que nos criou e nos sustenta.
A humanidade turba-se como o mar
encapelado, deliciando-se em suas fraquezas; a terra geme sob invenções
extravagantes, aflita pelo abuso. Fissuras abrem a boca para nos engolir,
ladrões observam vorazmente nosso magro tesouro, e quando pensamos que nos
aproximamos do fim da vida, trememos. Mas, Pai celeste, conheces nosso nome e
todos os nossos rumos. Leva-nos em plenitude ao teu reino e dá-nos a paz que
nosso coração almeja. Ajuda-nos a mergulhar nossa concha no oceano de teu amor,
desaparecer em tua infinitude para que venhamos a emergir reconstruídos. Nós te
amamos, Pai, e anelamos por te amar mais. És o começo e o fim; tu governas as
idas e vindas de todas as coisas. Dá-nos tua paz, Pai celeste, para que
possamos nos sentir seguros à medida que nos esforçamos para fazer a tua
vontade no tumulto da vida. Ajuda-nos a te seguir nos tempos felizes como
também nas rajadas da tempestade, pois sabemos que devemos fazê-lo. Ajuda-nos a
te agradecer em júbilo e com convicção, e que não seja ela menor que quando
apelamos a ti em desespero. Os desejos de nossa alma estão escondidos em ti;
clareia nossa mente fraca e confusa. Venha em poder aos filhos que teu espírito
busca! Os céus revelam seu poder soberano e teu espírito desce para inspirar a
todos os que procuram.
Com os olhos do espírito percebemos a
beleza no ordinário, manchas de ouro no lodo do rio. Vemos a excelência de teu
plano e a sabedoria de teu apelo. Tua paz descansa sobre nós e estamos
aprendendo tua vontade. Os vínculos que nos prendem ao passado se fundem; o sol
nasce para aquecer o semblante da montanha. Aquilo que nos prendeu perdeu sua
força e nos encontramos livres para viver o destino que dispuseste para nós.
Não poderíamos escolher outro caminho, Pai querido, porque tens nos mostrado a
verdade em toda sua beleza e em sua eterna bondade. Regozijamo-nos com as
trivialidades sabendo que foram modeladas por tuas mãos; enxergamos além das
desarmonias e das enfermidades os prados de repouso e satisfação. Vemos a ti
nas sombras, atrás da porta, e sobre o vento viajamos com teu amor.
Seguir-te-emos para sempre e além, até que a maldade e o pecado desmoronem no
nada. Tu confortas nosso coração, partilhas de nossas alegrias e lutas conosco
em cada esforço para avançar. Tu és o único Deus verdadeiro; conhece-nos bem e
guarda-nos seguros.
Amar o Criador é o próprio começo da vida.
Amando a Deus, chegamos a conhecê-lo e a nós mesmos como seus filhos e filhas.
Adorar nosso Fazedor nos eleva das tribulações da terra às praias do Paraíso -
em espírito, agora; em realidade, mais tarde. Adorando a Deus ligamos nosso
coração faminto à infinita Fonte de todas as coisas, e nessa comunhão ambos
encontramos satisfação.
Nosso Pai é afável e grandioso,
infinitamente sábio, poderoso e onisciente. Ele vê atrás da cortina e conhece o
fim desde o começo. O que vemos da vida é o mais simples prelúdio, um lampejo
prévio de nosso caminho eterno que, à medida que as experiências se acumulam,
do que parece aleatório preenche com precisão de matriz de cristal. O plano eterno
de Deus compreende um lugar específico para cada um de nós, e encontramos nossa
mais elevada utilidade e regozijo ao realizarmos os propósitos que foram
estabelecidos para nós antes que o mundo tivesse origem. Na plenitude dos
tempos, as testemunhas reunidas de todos os que sobrevivem a estas vidas
iniciais nas esferas giratórias do espaço expressarão a Suprema totalidade do
plano evolucionário de Deus.
Amamos a Deus não somente por causa de sua
natureza, mas porque ele se importou o bastante para nos criar e nos sustentar.
Ele responde às nossas súplicas, assiste-nos quando sofremos, e nos provê de
mundos para vivermos após havermos esgotado nosso tempo na terra. Deus
tranqüiliza nosso coração humano indeciso à medida que seu amor nutre nosso
espírito. Ele nos abriga dos terrores da noite e nos anima quando nossos ombros
pendem. Ele conhece nossos rumos e nosso nome e é o Pai perfeito. Seu plano
divino nos provê em toda nossa necessidade no momento presente assim como em
toda possível necessidade no futuro pois nele vivemos, nos movemos e temos
nosso ser.
O Senhor da luzes é uma força móvel, uma
chama divina que varre ante ele todos os que se encontram de joelhos
inflexíveis, mas que eleva o manso e o humilde. Dormimos acalentados em seu
amor e imbuídos com a força do alto vamos adiante para nos ocuparmos de seus
benevolentes mandatos. Sua imagem inspira nossa mente conforme saboreamos o
propósito de todo nosso esforço. Renascidos, de dia vemos a face de Deus em
cada flor, e de noite descansamos no conhecimento de sua afeição. Quando, de
modo terreno, tudo mais falha, seguimos seu caminho através das dunas sem
vestígios no deserto. Sua residência está próxima e temos a chave. O nome do
Eterno está escrito em nossos corações, levado ao alto por um pensamento e
poderoso para salvar.
Ajuda-nos a ouvir tuas palavras e a seguir
teu espírito, Pai nosso. Mostra-nos os mistérios da vida para que possamos
sondar as profundezas do teu amor. Dá-nos mais de ti mesmo, e leva-nos em tua
companhia quando o caminho estiver em trevas. Nós te adoramos além das
barreiras do tempo e do espaço e em sua presença saboreamos o Paraíso enquanto
ainda na terra. Nós te louvamos por nos salvar de tudo o que nos prendia ao
passado. Tu és a fonte da vida e do riso, de todo o bem, beleza e verdade e nós
te serviremos até o fim, e além dele.
Referências do Livro de Urantia:
Todos os mundos de luz reconhecem e adoram
ao Pai Universal, ao fazedor eterno e sustentador infinito de toda a criação.
Universo após universo, as criaturas dotadas de vontade empreendem a longa,
longa jornada ao Paraíso no fascinante afã, a aventura eterna de chegar a Deus
Pai. A meta transcendente dos filhos do tempo consiste em encontrar o Deus
eterno, compreender sua natureza divina, reconhecer o Pai Universal. As criaturas
que conhecem a Deus possuem uma única aspiração suprema, um único desejo
ardente, e este é chegar a ser, em suas próprias esferas, como ele é em seu
Paraíso, perfeito em personalidade, e em sua esfera universal, supremo em
retidão. Do Pai Universal, que habita a eternidade surge um mandato supremo:
"Sede pois perfeitos como eu sou perfeito". E os mensageiros do
Paraíso levam esta exortação divina com amor e misericórdia, através dos tempos
e dos universos, até mesmo à tão modestas criaturas de origem animal como as
raças humanas de Urantia. 1:0.3
Nunca o Pai Universal impõe qualquer forma
de reconhecimento arbitrário, de adoração cerimonial ou de servilismo às
criaturas de vontade inteligente no universo. Os habitantes evolutivos dos
mundos de tempo e de espaço, por si mesmos - em seus próprios corações - hão de
reconhecê-lo, amá-lo e adorá-lo de forma voluntária. O Criador não deseja a
submissão da livre vontade espiritual de suas criaturas materiais por coação ou
imposição. A oferenda mais especial que o homem pode fazer à Deus consiste em
dedicar, com todo afeto, sua vontade humana a fazer a vontade do Pai; de fato,
a consagração da vontade das criaturas constitui o único presente de valor
autêntico que o homem pode oferecer ao Pai do Paraíso. Pois em Deus vivemos,
nos movemos e existimos; não há nada que o homem possa oferecer a não ser sua
opção de acatar a vontade do Pai; e esta decisão tomada pelas criaturas de
vontade inteligente dos universos constitui a realidade dessa adoração
autêntica que tanto satisfaz a natureza amorosa do Pai Criador. 1:1.2
Não obstante Deus ser poder eterno,
presença majestosa, ideal transcendente e espírito glorioso, ainda que seja
tudo isto e infinitamente mais é, todavia, verdadeira e perpetuamente um
Criador provido de personalidade perfeita, uma pessoa que se pode
"conhecer e ser conhecida", que pode "amar e ser amada";
alguém que pode fazer-se amigo nosso ao passo que podeis ser conhecidos tal
como outros seres humanos foram conhecidos como amigos de Deus. 1:5.8
Afinal, a maior evidência da bondade de
Deus e a suprema razão para amá-lo é o dom do Pai que mora em vós: o Modelador,
que com tanta paciência aguarda a hora em que ambos vos façais unos
eternamente. Posto que não podeis encontrar a Deus por meio da investigação, se
vos deixardes guiar pelo espírito interior, sereis infalivelmente levados,
passo a passo, vida após vida, universo após universo e era após era até
finalmente vos encontrardes na presença pessoal do Pai Universal do Paraíso.
2:5.5
Nosso Pai não está oculto nem se encontra
recluso de forma arbitrária. Em seu domínio universal, ele mobilizou recursos
de divina sabedoria num esforço interminável por revelar-se aos seus filhos. Há
uma grandeza infinita e uma generosidade inexpressável relacionadas com a
majestade de seu amor que o faz anelar a parceria com todos os seres criados
capazes de compreendê-lo, amá-lo ou de se aproximar dele; e são, portanto,
vossas próprias limitações inseparáveis de vossa personalidade finita e de
vossa existência material que determinam o momento, o lugar e as circunstâncias
em que podereis alcançar o objetivo da jornada de ascensão dos mortais e vos
encontrar na presença do Pai, no centro de todas as coisas. 5:1.2
O Pai deseja que todas as suas criaturas
estejam em comunhão pessoal com ele. Ele tem um lugar no Paraíso para receber
todos aqueles cuja condição de sobrevivência e cuja natureza espiritual lhes
possibilite tal realização. Portanto, determinai de uma vez por todas o
seguinte em vossa filosofia : para cada um de vós e para cada um de nós, Deus é
acessível, o Pai é alcançável, o caminho está aberto; as forças do amor divino
e os meios e modos da administração divina estão entrelaçados num esforço
conjunto para facilitar o avanço à qualquer inteligência digna, de qualquer
universo, até a presença no Paraíso do Pai Universal. 5:1.8
A adoração verdadeira não comporta,
absolutamente, nenhuma petição para si, nem qualquer outro elemento de
interesse pessoal; simplesmente adoramos a Deus pelo que compreendemos que ele
é. Ao adorar não se pede nem se espera nada para o que adora. Não adoramos ao
Pai porque possamos receber algo de tal veneração; rendemo-lhe esta devoção e
nos empenhamos em tal adoração por uma reação espontânea e natural, ao
reconhecer a personalidade incomparável do Pai e devido à sua natureza amorosa
e aos seus adoráveis atributos. 5:3.3
E todas estas coisas são parte do Pai
Universal. O Pai é amor vivo, e esta vida do Pai reside em seus Filhos. E o
espírito do Pai reside nos filhos de seus Filhos: os homens mortais. No fim de
tudo, a idéia do Pai ainda é o mais elevado conceito de Deus. 196:3.32
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